sábado, 17 de julho de 2010

Sinopses 2011 - Acadêmicos do Grande Rio

"Y-Jurerê Mirim - A Encantadora Ilha das Bruxas (Um conto de Cascaes)"

A Grande Rio é sempre uma possibilidade, e dentro de todas as possibilidades, ela pode propor-te a conhecer um pedaço do Brasil, de gente bela, de cultura forte e folclore plural. Por tratar-se de um pedaço de terra cercado por água, outras coisas dela se acercam, como suas belezas naturais, e muitas lendas que refletem um Brasil lúdico, que aponta para o futuro com o interesse de levar adiante o que de mais valioso possui: a cultura popular de seu povo.

Bruxas, feiticeiras, lobisomens, sete cuias, boitatás e mapinguaris: Uma forte névoa se faz presente, e em pleno Atlântico Sul, logo abaixo ao trópico de Capricórnio, num arquipélago de visão paradisíaca encoberto de mistérios e lendas bruxólicas; entre mangues, dunas e lagoas cercadas por um intenso mar azul, repousa Y-JURERÊ MIRIM. Uma Ilha encantada de magia onde se fala o manezês.

Neste conto de Cascaes, ela é uma fascinante ilha coberta de magia, recebendo, portanto, o nome de ILHA DAS BRUXAS. Porém, essas bruxas não são tão maléficas como as que habitam o imaginário coletivo, e sim, as que assustam apenas para proteger seus espaços, preservar sua terra, suas etnias, folclore e crendices.

A Grande Rio para o carnaval 2011, coberta de rezas e patuás, desvenda a história dessa ilha misteriosa que começa numa era chamada cambriana.

Nesse país onde se encontra o tal arquipélago, misteriosos habitantes do alto Amazonas descem em direção a essa ilha de magia mesclando-se a um povo já existente, chamado Carijós, remanescentes de uma presença humana registrada por sambaquis que datam de 4.800 a.C.

Há quem diga que o mar que cerca o arquipélago é povoado por Ondinas, seres das profundezas, e que, num passado, esse pedaço de terra, serviu de paragem e pousada para navegadores aventureiros, cientistas, piratas, náufragos e marinheiros infratores que, em suas retiradas deixaram para trás rastros de temores, misticismos e lendas de possibilidade de tesouros piratas tão possíveis e capazes de aguçar a curiosidade humana como a de uma embarcação pirata inglesa naufragada numa praia que recebeu o nome (Praia dos Ingleses) ou até mesmo, de secretos caminhos conhecidos por guerreiros Avás (Guaranis) e que levariam a um Eldorado coberto de tesouros da mais pura prata, como também, a de uma grande fortuna em pérolas produzidas por ostras cravadas nas pedras e encostas da Ilha banhada pelo Atlântico

Há uma força mística que faz atrair para essa parte do Atlântico, baleias e golfinhos, além de uma grande variedade de cardumes de peixes que, além de sustentar o povo da ilha, é motivo para festejos e agradecimentos a esse imenso e mágico mar azul.

Essa onda magnética que envolve essa ilha de encantamentos também exerceu atração sobre os povos de outras terras, cada qual, vindo para cá com suas razões, metas, ou até mesmo, destinos retorcidos e alongados, como uma imensa e centenária figueira carregada de histórias bíblicas e estórias acontecidas em seu entorno transformando-a quase que como um totem envolvido em crendices e fé dos que habitam a ilha.

E a ilha então os abraçou como filhos da terra comungando com eles e os tornando tambpem, herdeiros da nação Carijó, dos mitos e lendas do lugar.

"Vão-te daqui bruxas e boitatás". E todos os seres que nos possam amedrontar. Arreda, arreda as brumas que cobrem essa ilha de mistérios. Pela cruz de São Simão, que te benza como a vela benta. Na sexta-feira da paixão. Treze raios tem o sol, treze raios tem a lua. "Salta demônio para o inferno que esta alma não é tua". "Tosca marosca, rabo de rosca". Vassoura na tua mão Aguilhão nos teus pés e relho na tua bunda. Por baixo do telhado, São Pedro, São Paulo e São Fontista Por cima do telhado, São João Batista. Bruxa, Tatara-bruxa, Tu não me entres nessa casa, nem nesta comanda toda. Por todos os santos, e pela Grande Rio. Amém!

Ao cair da noite, quando das datas dos festejos da ilha, uma ritualização se pode sentir na mágica tradição folclórica que habita a ilha protegida por feiticeiras, fadas rendeiras, bruxas e seres da mitologia ameríndia cantadas por Cascaes. Uma ilha que vive um rico calendário entre o profano e o sacro, com procissões, danças e folguedos folclóricos numa pluralidade cultural onde os festejos em homenagem aos frutos provenientes do mar e da terra convivem com a alegria colorida e dançante do boi-de-mamão, cacumbis e as festas do Divino.

O cantador se põe a falar:

Ò Matumba, ó querenga,
Erunganda
Òruganda, Ó matumba, Ó
querenga
Moreninha vem brincar
Meu boi já está na rua, ele vem para mostrar
Revelo ser Florianópolis, o nome desse lugar
Ò Matumba, ó querenga, eruganda
Òruganda, Ó matumba, Ó
querenga!

Misteriosas e encantadoras paisagens cobrem a ilha de riquezas em sua fauna e flora exuberante. A extensão litorânea desvenda praias inexploradas, sendo a ilha das bruxas, um monumento natural do litoral sul brasileiro digna de ter sido, em seu passado, paragem e pousada para todos que por lá passaram, tornando-se real diante do que antes nos pareceu lenda ou conto. A hospitalidade é marca de um povo que soube mesclar-se tendo como princípio o respeito mútuo de suas crenças e tradições.

Florianópolis possui uma marca romântica registrada nas fachadas de seu casario e azulejaria portuguesa, o desenho rico da renda de bilro, os "points" noturnos do mercado público municipal, a lagoa da Conceição onde a prática de esportes náuticos "fervem" no verão, as praias do litoral florianopolitano com suas ondas fortes e convidativas para as práticas de surf e esportes ligados aos ventos fortes, uma culinária rica e de sabor requintado, ou até mesmo, o simples peixe frito servido pelo "manézinho" local regado sempre com a presença mística das tradições e do passado da ilha.

E, terminado o mistério deste conto inspirado em Cascaes, é que a Grande Rio revela a Floripa de todos nós, que, com sua ponte "luz da independência", nos transportará para uma travessia lúdica, e agora, mais mágica do que nunca, ligando a folia momesca da ilha ao carnaval da cidade maravilhosa mostrando ao Brasil e ao mundo, toda essa beleza da ilha de magia e encantamento chamada Florianópolis.

Pesquisa e texto:
Cahê Rodrigues e Lucas Pinto

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Ordem de desfiles - 2011 - Grupos Especial, A e B



Definida a ordem dos desfiles das escolas de samba dos grupos Especial, Acesso A e Acesso B. Os três grupos fazem suas apresentações no Sambódromo.

GRUPO ESPECIAL
Domingo
1- São Clemente
2- Imperatriz Leopoldinense
3- Mocidade Independente de Padre Miguel
4- Unidos da Tijuca
5- Unidos de Vila Isabel
6- Estação Primeira de Mangueira

Segunda-feira
1- União da Ilha do Governador
2- Acadêmicos do Salgueiro
3- Portela
4- Acadêmicos do Grande Rio
5- Unidos do Porto da Pedra
6- Beija-Flor

GRUPO DE ACESSO A - Sábado
1- Alegria da Zona Sul
2- Renascer de Jacarepaguá
3- Unidos do Viradouro
4- Acadêmicos de Santa Cruz
5- Império da Tijuca
6- Inocentes de Belford Roxo
7- Acadêmicos do Cubango
8- Estácio de Sá
9- Império Serrano
10- Acadêmicos da Rocinha
11- Caprichosos de Pilares

GRUPO DE ACESSO B - Terça-feira
1- Difícil é o Nome
2- Independente de São João de Meriti
3- Sereno de Campo Grande
4- Acadêmicos do Sossego
5- Lins Imperial
6- Arranco do Engenho de Dentro
7- União do Parque Curicica
8- Tradição
9- Unidos de Padre Miguel
10- União de Jacarepaguá
11- Mocidade de Vicente de Carvalho
12- Paraíso do Tuiuti

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Sinopses 2011 - Independente de São João de Meriti



ENREDO, PESQUISA, ROTEIRIZAÇÃO
HELIO PORTO E AMARILDO DE MELLO

CARNAVALESCO
ROBSON GOULART

APRESENTAÇÃO

O Enredo do GRES Independente de São João de Meriti para o Carnaval 2011 se constitui num olhar sobre um passado recente de muitas lutas e resistências políticas e culturais, um presente de angustias e indagações e um futuro marcado pela esperança de uma vida melhor. Falaremos das favelas cariocas, através do desenvolvimento de nosso enredo quando, apresentaremos de forma geral uma narrativa baseado em fatos do cotidiano de uma grande parcela da população do Brasil. Levar a Favela Carioca para a avenida é, sobretudo combater o preconceito, a discriminação e um certo senso comum que já tem anos.

OBJETIVO

Nosso objetivo é mostrar, que a Favela não é o mundo da desordem, e que sua idéia de carência "comunidades carentes" denominada, pela falta de elementos básicos no cotidiano do ser humano, é absolutamente insuficiente para entendê-la em seu contexto e importância na fotografia brasileira.

Núcleos de mistura de raças, diversas influências culturais e costumes, as favelas no decorrer de sua historia lutaram e resistiram contra regras elitistas pré estabelecidas e contra a má vontade política foram se estruturando e traçando um perfil próprio, impulsionados por ONGs, associações, grupos de caráter sócio-político ou cultural.

As favelas criaram estilos próprios na arte, na dança, no teatro, na música, no esporte ou outras manifestações. E é esse novo objetivo central neste enredo; apresentar um desfile onde a favela e os "favelados" serão mostrados a partir de seu cotidiano, suas manifestações sócio-culturais-esportivas, enfim, como uma sociedade vencedora que através de seu jeito, suas culturas e suas lutas, hoje vêm se impondo.

Objetivamos com o esse enredo contribuir de forma substancial para que a palavra "favelado" não seja mais usada entre aspas, algo destacado em todos os aspectos, mas sim, como uma denominação que seja objeto de orgulho e não alvo de preconceito.

Em 2011, vamos falar de uma nova Favela - a Favela que dita moda, que tem estilo próprio, que pensa politicamente, faz arte e que se impôs e exige respeito. A Favela vista de uma ótica positiva e sublimadora de suas raízes.

A REFAVELA!!!

DESENVOLVIMENTO DO ENREDO

1º MOVIMENTO - "Vá as favas" Meu nome é Favela - A nova paisagem que surgiu na contra-mão da modernização - A Dualidade, O Progresso e A Favelização.

O meu nome é favela, nasci a mais de um século na Cidade do Rio de Janeiro, luto a anos para adquirir cidadania brasileira. Falar de favela a partir do seu surgimento é falar da minha, da sua história, enfim da história do Brasil de 1900 para cá.

As contradições e os conflitos na cidade sempre foram muitos. O poder republicano, em geral exercido pelos brancos, desejava limpar a cidade, eliminar os focos de doença que atingia todos de forma indiscriminada. Higienização era a palavra de ordem do poder republicano. Os pobres, em geral ex-escravos recém libertos, respondiam com manifestações e revoltas, onde se destacava a revolta da vacina.

Eles derrubaram os cortiços, habitações coletivas utilizadas pela população pobre e negra da cidade, e vacinaram muita gente na marra, na força. Esse processo resultou no crescimento da população pobre nos morros, charcos e demais vazios em torno da cidade, que nessa época era capital federal.

Eles desejavam construir uma cidade moderna e européia, os pobres não cabiam dentro dela. A resposta para a sobrevivência foi a criatividade política, cultural e capacidade de luta e organização e a resistência. Para eles era: "Bota Abaixo" e "Art Nevour", para nós "Subir os Morros", na busca por moradias cidadania e direitos e assim nascia a Favela com a arquitetura no estilo "Art Zincour"


2º MOVIMENTO - "Eu sou o samba... a Voz do morro sim senhor. Venho para mostrar o meu valor..."

A Favela é um lugar de onde se expressam diversas manifestações culturais. A partir da década de 20, já se ouvia um barulhinho bom, letrado, ritmado, cadenciado, enfim, algo que forma intensa e extensa representava um pouco do clamor e das angustias, mas também da felicidade e a alegria de um povo.

O samba surgiu nos morros, nos subúrbios cariocas, enfim nas regiões pobres da cidade. Essa expressão cultural tinha força de massa, em tempos áureos invertia valores e coloca em suspenso normas de comportamentos da vida cotidiana. Muita sátira, ironia, brincadeira, enfim essas eram algumas das formas encontradas pelas classes populares de quebrar regras, reivindicar e ironizar as autoridades.

O samba se constituia numa expressão musical criativa de uma parcela da população da cidade. O samba ajudou a desenvolver o pensamento crítico, construir nas pessoas um comportamento audacioso, gerador de iniciativas sociais, culturais, ambientais, fortalecendo a idéia de união e de construção de uma consciência coletiva junto à população de favela.

O samba nesse período se constitui num instrumento importante de aglutinação das pessoas, de construção de uma identidade coletiva e de uma relação.

Esse gênero musical desbravou fronteiras e ganhou o mundo. Caiu no gosto popular, às favelas foram formando as suas agremiações e o samba passou a ter instituição, o lugar que guardava a produção musical e a cultura do lugar que se manifestava em forma de Escola de Samba no desfile principal.

Mangueira, Deixa Falar, Portela, Unidos da Tijuca, são Escolas de Samba que surgem entre o final da década de 20 até a metade dos anos 30, essas agremiações se formam onde as tradições foram definidas com base em memoráveis histórias, que não podemos afirmar se são memórias de lugar ou lugares de memória.

3º MOVIMENTO - "Daqui não saio daqui ninguém me tira"

Neste setor vamos reverenciar as lutas urbanas desenvolvidas pelos movimentos de favela. As associações de moradores, os movimentos pastorais, os movimentos de esquerda, a federação de favelas (FAFERJ), que foram fundamentais para que a população da favela tivesse assegurado seu direito à cidade.

Algumas favelas não resistiram. Praia do Pinto dentre outras, são alguns dos exemplos de remoção, enfim, foram a baixo. Mas com muito suor, organização e mobilização as favelas continuam no espaço da cidade, o que não significa que fazem parte da cidade formal. A não-cidade para as favelas ainda é uma realidade.

"Ah seu doutor ninguém pensa na gente não. Aqui as coisas só chegam nas eleições, tudo muito pouquinho... parece até água subindo morro."

Essa fala revela a ausência ou precariedade das políticas públicas desenvolvidas pelo poder público.

Toda vez que há uma tragédia, seja desmoronamento, incêndio ou alguma similar, uma parte da população busca culpar os "favelados", como se as pessoas vivessem nessas condições por vontade própria. Criminalizar a pobreza é a forma mais fácil de esconder o problema e seu verdadeiro responsável, o poder público.

Moradia digna, escola de qualidade, saúde, saneamento, cultura, trabalho e paz, são os benefícios que nós mais queremos como dizia Gonzaguinha "a vida devia ser bem melhor, e será...".

Isso é dignidade, cidadania e bem estar social. E os "favelados" muito bem sabiam disso, e já lutavam, brigavam, se organizavam na busca por essa realidade.

4º MOVIMENTO - REFAVELA - Prenúncio de um poeta que anteviu o futuro. "Visto assim do alto, mas parece um céu no chão sei lá..." Isso é já era REFAVELA

REFAVELA é uma releitura, um novo olhar sobre o mundo e o imaginário da Favela Carioca. Um olhar sem preconceito e estigmas, um olhar generoso e criativo, algo que retira do povo da Favela a culpa que lhe é imputada pela pobreza, pelo lugar e pelas formas de vida.

REFAVELA é pensar o futuro considerando o passado, construir formas de transformação do espaço, valorizando as pessoas, suas histórias, fortalecendo a construção de novas dinâmicas sociais, econômicas, culturais, ambientais e educacionais, aonde o espaço vai sendo transformado e todo mundo tenha uma percepção real da integração e da inclusão social.

REFAVELA é o AFROREGGAE - que a partir das atividades culturais, como capoeira, dança, balé, música e etc., une toda a cidade através de conexões urbanas.

REFAVELA é o NÓS DO MORRO - que desenvolve um processo de formação artística para os jovens do Morro do Vidigal para se destacarem nos palcos da cidade e do mundo, na televisão, no cinema, enfim nas artes de uma forma geral.

REFAVELA é o PRÉ-VESTIBULAR COMUNITÁRIO - que prepara os jovens para entrar na universidade, entendendo que o conhecimento é fundamental para o desenvolvimento humano. Não orgulho maior para pai e mãe do que ver seus filhos entrando numa universidade, seguindo um caminho de sucesso.

REFAVELA é o JONGO DA SERRINHA - que através de varias gerações mantém as tradições de uma manifestação cultural, assegurando identidade e compromisso com a cultura popular brasileira.

REFAVELA é a REGINA CASÉ - que através da televisão valoriza a cultura popular de massa que vem da periferia, proporcionando voz e fortalecendo a identidade da periferia.

REFAVELA é a CUFA - Central Única das Favelas e MANGUEIRA DO AMANHA - desenvolvendo atividades sócio-esportivas jogos educacionais mobilizando a juventude, criando alternativas de inclusão positiva.

REFAVELA é LUIZ MELODIA - ele e tantos outros que surgiram da Favela e são motivo de orgulho para milhões de pessoas.

REFAVELA é o FUNK - expressão cultural que mobiliza milhares de jovens em torno de uma música que fala do cotidiano da Favela.

REFAVELA é o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) - intervenção pública que mobiliza um alto volume de recursos do governo federal para obras de urbanização em favelas.

REFAVELA é a garantia de paz e tranqüilidade para as comunidades menos favorecidas.

REFAVELA é um mosaico de colagens de ações comunitárias e de inclusão do cidadão que compõe parte integrante da cenografia de nosso Brasil, que cresce na luta que busca assegurar dignidade e cidadania aos menos favorecidos.

REFAVELA, o sonho que esta virando realidade.

REFAVELA é orgulho de ser FAVELADO

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Sinopses 2011 - Unidos do Viradouro



A Unidos do Viradouro, porta-voz de uma expressão artístico-popular que fascina multidões, traz em seu glorioso pavilhão vermelho e branco um coroado aperto de mãos que expressa a característica mais marcante de sua aguerrida e apaixonada comunidade: a união entre os seus componentes, união, aliás, que está lá, estampada, no próprio nome da agremiação. É compromisso antigo...

Ingrediente fundamental em todo relacionamento humano, a união ganha contornos destacados no agrupamento de pessoas que se reúnem em busca da realização de objetivos e/ou sentimentos comuns.

Dentro desse contexto, pode-se dizer, junto com o dito popular, que "a união faz a força"! Sozinhos não somos ninguém, juntos - escola e comunidade - chegaremos muito além do que se possa imaginar.

Essa percepção de que cada indivíduo busca e alcança o seu complemento no "outro" é a síntese do que se convencionou chamar de comunidade. Livre da solidão infrutífera, o homem se "abraça" ao seu próximo e forma as suas tribos, grupos, agremiações...

Inicialmente, como havia apenas os sons, os homens primitivos utilizavam algumas artimanhas para formar uma coletividade. Imitando sinais da natureza, eles se comunicavam por meio de gestos, gritos, grunhidos e pulos, formando, então, os primeiros bandos.

A partir do domínio do fogo, dele se valem não somente para emitir sinais de fumaça e para esquentar os couros esticados em troncos de madeira, fazendo neles ecoar as batidas de seus sentimentos. O fogo, rápida oxidação de um material combustível, libera calor, luz, energia...

As tintas, por sua vez, eram aquecidas para pintar as paredes das cavernas com representações de caçadores e animais. Eram as inscrições rupestres, primeiros sinais de uma linguagem articulada, quando o "uga-uga" não era mais suficiente para o pleno entendimento entre as "partes". Percebe-se, então, que a comunicação por meio da arte sempre foi característica própria do ser humano.

Assim, com o saber alcançando registro e forma fora do corpo, fez-se o verbo, e a comunicação, seguindo a evolução da inteligência humana, deu os seus passos definitivos para a eternidade.

Precursores da escrita cuneiforme, os sumérios gravavam suas cifras e sílabas em tabuletas de pedra e barro cozido, exemplo também seguido pelos fenícios ao construírem o primeiro alfabeto, formado apenas por consoantes, ao tempo em que os egípcios organizavam seus hieróglifos que podiam ser lidos em vários sentidos nas folhas de papiro. De seu lado, os gregos elegiam o pergaminho, introduzindo as vogais no alfabeto fenício, vindo, a seguir, a criação do papel pelos chineses, já no período da dinastia Han.

A palavra escrita, então, tornou-se sagrada, com os livros transformados em pilares das sociedades e religiões. Por intermédio deles, o homem passou a transmitir sua história e ideias aos seus semelhantes e aos seus descendentes. Idealizava-se, assim, uma teoria acerca de uma "língua mãe", ou "língua natural", falada por toda a humanidade em um tempo muito remoto e que confirmaria lendas milenares. A mais famosa delas situava na Suméria, região onde se localizava a Torre de Babel, o nascimento das raízes de todos os idiomas do mundo.

Consta que os clãs dos descendentes dos filhos de Noé (Sem, Cam e Jafé), em sua marcha para o Oriente, encontraram-se e puseram-se a construir um enorme zigurat para fazer com que um dia o seu ápice penetrasse nos céus. Eis que, porém, o Divino resolveu intervir e, num simples gesto, todos passaram a pronunciar palavras em línguas diferentes e cada grupo partiu para um canto distinto da Terra, tamanha foi a desavença entre os homens.

Diante da diversidade de idiomas e a conseqüente dificuldade de se comunicar, a humanidade saiu em busca do entendimento perdido, fruto dos mais de três mil idiomas falados no mundo de hoje.

Fez-se clara, então, para o homem, a percepção de que era a sua capacidade de produzir, armazenar e fazer circular as informações a força motriz de sua evolução e sobrevivência como espécie, advindo, então, a convicção de que o isolamento oriundo das longas distâncias precisava ser vencido em sua caminhada em direção ao outro.
Assim, a proposta de se levar a cabo um projeto que tornasse cada vez mais rápida a difusão das mensagens deu início a formas de relacionamento bem mais amplas.

Para além do horizonte, Salomão lançou pombos no transporte ágil de recados através de seu vasto império.

Em Roma, o cursus publicus sofisticou o diligente sistema postal de forma segura; Johanes Gutenberg inventou a prensa e multiplicou a reprodução da informação, enquanto Samuel Morse criou o telégrafo e possibilitou o contato sonoro instantâneo.

Por seu turno, Alexander Graham Bell conseguiu falar e ser ouvido por um fio com seu telefone elétrico. Já as ondas do rádio de Guglielmo Marconi alcançaram multidões.

A televisão uniu o som à imagem e trouxe os acontecimentos para dentro de nossas casas. Desenvolvemos o computador e percebemos que ele seria mais útil em conjunto com outros do que sozinho.

Influenciados por esta lição milenar, conectamos bilhões de pessoas no mundo inteiro, rompendo fronteiras e unindo povos, culturas e nações através da internet, levando cada indivíduo a fazer cada vez mais parte de um todo, seguindo, assim, em direção a uma existência humana alicerçada numa consciência de unidade, como na sonhada "aldeia global".

Por outro lado, a procura pelo acesso total ao nosso próprio mundo nos impulsionou até para fora dele, pois nenhuma forma de comunicação eletrônica funcionaria hoje se não fossem os satélites viajando pelo espaço.

Em pouco tempo, juntaremos os planetas do sistema solar com a internet terrestre para formar uma internet interplanetária em um sistema já testado na Estação Espacial Internacional. E, como a simples ideia de estarmos sós sempre foi inquietante, vasculhamos o cosmos em busca de algum sinal de vida inteligente. Enviamos sinais e fantasiamos, imaginando contatos de civilizações extraterrestres em nossa galáxia, a permitir uma integração entre mundos no universo.

A nossa multicitada necessidade de viver em comunhão nos levou para muito além do que poderíamos imaginar e crer racionalmente. Fomos para outras dimensões, em universos paralelos, estabelecendo diálogos com planos espirituais superiores, solidificando o sentimento de que não estamos ou somos sozinhos. Várias culturas nos ensinam os possíveis caminhos para encontrarmos um portal, um elo com este "multiuniverso".

Exu fala todas as línguas e trabalha como mensageiro entre o mundo material e o espiritual, entre os orixás e os homens; oráculos, como o jogo de búzios das religiões africanas, as runas nórdicas dos vikings, as cartas de baralho e tarôs também nos servem como formas de conexão com os deuses.

Os próprios seres humanos podem servir de instrumento para a comunicação entre planos. Valendo-se do poder da mediunidade, Chico Xavier encontrou no mais sublime dos sentimentos - o amor ao próximo e à vida - a possibilidade e a capacidade de sermos compreendidos em qualquer parte, em qualquer mundo, por qualquer ser.

Na verdade, passamos milênios buscando uma forma de estarmos sempre juntos (em bandos, tribos, grupos, nações, fraternidades, torcidas, agremiações, entidades etc) para descobrirmos a mais simples e libertadora lição de que o amor pode tudo e nada se pode contra ele. O amor existe dentro de nós, nos aproxima, nos une, nos fortalece no infortúnio, nas dificuldades. Foi ele o grande diferencial entre o ontem e o hoje e será a mola propulsora entre o hoje e o amanhã. A Unidos do Viradouro pode ter certeza absoluta disso!

Jack Vasconcelos


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
ALBERTINI, Lino Sardos. O Além Existe. São Paulo: Edições Loyola, 1989.
BARBROOK, Richard. Futuros Imaginários: das máquinas pensantes à Aldeia Global. São Paulo: Pierópolis, 2009.
CHERRY, Colin. A Comunicação Humana. São Paulo: Cultrix, 1971.
DOYLE, Arthur Conan. História Do Espiritismo. São Paulo: Pensamento, 2004.
LIMA, Sandra Lúcia Lopes. História da Comunicação. São Paulo: Plêiade, 2000.
MAIOR, Marcel Souto. As vidas de Chico Xavier. São Paulo: Planeta, 2003.
MATTELART, Armand. Comunicação-Mundo: história das técnicas e das estratégias. Petrópolis: Vozes, 1994.
McLUHAN, Herbert Marshall. Os meios de comunicação como extensões do homem (Understanding Media). São Paulo: Cultrix, 1971.
MOURÃO, Ronaldo Rogério. de Freitas. O Livro de Ouro do Universo. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Sinopses 2011 - Acadêmicos do Salgueiro



"Noite de estreia. A agitação na porta do cinema revive os tempos de glamour da eterna Cinelândia. Uma multidão se aglomera para ver de perto os astros da superprodução salgueirense que entra em cartaz depois de um ano de filmagens. Todos prontos? Vai começar a sessão!

(E no apagar das luzes, surge na tela):

SALGUEIRO APRESENTA: O RIO NO CINEMA

O cenário: Rio 40º. Uma mística terra em eterno transe tropical, paisagem perfeita para uma chanchada musicalmente mirabolante. Babilônia maravilhosa, de onde se avista a grande montanha que estampa as letras de uma monumental indústria de sonhos. Bem vindos à SAPUCAÍ Produções Cinematográficas, os estúdios onde brilham milhares de artistas no maior espetáculo da "tela".

Ação! Logo nas primeiras cenas, surgem imagens de um continente que há muito tempo teria afundado no mar da baía de Guanabara. Mito? Delírio? Alucinação? O que há por trás do sumiço da Atlântida carioca? O que revelariam os fotogramas perdidos? Relatos dão conta de um tesouro de valor incalculável escondido sob um mar de mistérios. Quem poderá encontrá-lo?

Começa, então, uma grande caçada ao ouro de Atlântida. Na Praça XV, entra em cena Carlota Joaquina, que prepara a expedição para retomar os caminhos da submersa Atlântida. Mas é obrigada a abortar a missão para voltar à Europa, em uma saída cinematográfica. A notícia, então, foi bater na Lapa. Da sua alcova, Satã não se faz de santa e convoca a malandragem para empunhar as navalhas em busca da tão falada riqueza. Será que vão conseguir?

Mais ao Sul da cidade, já se pode ouvir o chacoalhar dos ganzás e a batida do pandeiro que vem do Cassino da Urca. No palco, a Pequena Carmen Notável Miranda, acompanhada do seu Bando, ataca no melhor estilo Chica-Chica-Boom-Chic. E ao final da arrebatadora apresentação, sai à brasileira, em apoteose, sacudindo as tamancas noite afora, sem que ninguém perceba suas reais intenções de se juntar à caça ao tesouro.

Enquanto isso, na favela de tantos amores, Orfeu embarca no sonho de Atlântida, enquanto arranca do violão as notas de um samba clássico, embalando as belas cabrochas do morro. Castiga nas cordas, distraindo também a tropa em incursão pela comunidade. E o faroeste urbano, enfim, dá uma trégua pra ver a escola passar. Pedir pra sair? Naquela noite, não...

Muda a cena e o Rio amanhece cantando em mais um dia de verão. Na mais real dimensão, surge a fantasia que salta aos olhos. A invasão aérea que tinge os céus da Zona Sul à Zona Norte é traçada por uma turma pra lá de animada. Alô, amigos! Voando para o Rio, também atraídos pelas lendas do continente perdido, a passarada esperta solta suas feras e arrasta a asa pras araras nativas. Afinal, as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá...

A notícia do tesouro escondido ao Sul do Equador não para de se espalhar. E deu a louca no cinema! Estrelas da sétima arte desembarcam por aqui e entram em irreversível processo de carioquização. Trocam o hot dog pela feijoada, o bip-bop pelo samba, desfilam pelo calçadão da fama de Copacabana... Uma confusão! Até o King Kong, vejam só, foi se pendurar na torre da Central do Brasil. O Homem Aranha se amarra no Beijo da Mulher Aranha, e com ela se prende numa teia conjugada na Zona Sul. A bela mocinha, que o vento levou, agora veste plumas e paetês e, quem diria, foi parar em Irajá! E a loirinha, que nunca foi santa? Virou rainha da escola. Gostou do samba e hoje vive muito bem.

E lá no infinito, quem um dia há de duvidar que o grande tesouro perdido de Atlântida era brilhar na avenida numa noite de carnaval? Isso tudo é verdade? Nada foi comprovado... Mas na memória, o que fica são as grandes histórias e a alegria de receber, enfim, o prêmio maior da Academia.

E como toda boa chanchada, tudo acaba em carnaval!"

Renato Lage, Márcia Lage e Diretoria Cultural


"Esta é uma obra de ficção. Mas qualquer semelhança com nomes, obras ou datas não terá sido mera coincidência..."

Sinopses 2011 - União de Vaz Lobo



Introdução.

África misteriosa mãe negra, senhora de nossas raízes tribais terra dos antílopes, leões, zebras de uma vasta fauna, de lá nossos antepassados foram tirados a força porem de raça forte, estes nos deixaram de herança a luta pela liberdade e a fé na natureza, que hoje a nossa agremiação evoca, mas propriamente a força feminina que nos leva motricidade das águas e do amor.

Sinopse:



Eu sou agremiação nascida aqui no subúrbio do Rio De Janeiro, com meus 80 anos já lutei muito, já fiz muito, mesmo com poucos recursos estou aqui, muitos sambas, muitos carnavais me fiz presente, hoje vendo tantas coisas absurdas em nosso mundo, vejo sempre nos jornais, violência, aquecimento global, desordem será que isto esta certo?

Com tantos problemas assim hoje eu me faço num grande templo africano, de onde vieram minhas origens clamo ajuda aos meus componentes para que possamos juntar todas as energias positivas e encontrar uma solução aos problemas do mundo.

Yaos, Yalorixas e ogãns estão neste ritual que veio de um tempo muito antigo, das antigas nações africanas, tradições milenares que nos remetem aos nossos antepassados.

Ao toque dos atabaques começamos o nosso ritual, que hoje evocamos toda força das Yabas, estas que simbolizam a força feminina, mães, guerreiras videntes, como mulheres são compreensivas e complacentes aos pecados do mundo, elas vão nos ensinar com suas energias o que podemos fazer para mudar.

As energias se juntam e todo povo do terreiro dança e evoca-as,porem para que nossas mensagens sejam escutadas por elas o primeiro a vir a este terreiro é o orixá Exu,o orixá da comunicação. É o guardião das aldeias, cidades, casas e do axé, das coisas que são feitas e do comportamento humano.a esfera de fogo é o inicio de tudo salve ele "Laruê"

Salupa Nanã !Mostre que em sua moradia seu reino ha vidas para serem respeitadas, donas dos mangues e manguezais,a mais velha dos orixas nos mostra que a morte não é o fim,e sim uma transmutação,e ecologicamente falando sem mangues toda costa marinha estará perdida e poluida,ela somente pede respeito aquele ecossistema.

Ao toque do no ritmo do Ijexa vem ela "oraieieu,Oxum,yeuyeu!" Generosa e digna, Oxum é a rainha de todos os rios e cachoeiras. Vaidosa, é a mais importante entre as mulheres da cidade, a Ialodê. A dona do grande poder feminino.Oxum é a deusa mais bela e mais sensual do Candomblé. É a própria vaidade, dengosa e formosa, paciente e bondosa, mãe que amamenta e ama. Dela tambem vem o jogo de búzios, que no futuro ela mostra se não tivermos os sentimentos bondosos como dela com as águas que bebemos,morreremos de sede ,viveremos em terras tão secas que não poderemos nem andar,ela nos ensinar a cuidar e não disperdiçar as águas dos nossos mananciais.

Riro!riro! Ewá é a divindade do canto, das coisas alegres e vivas. Dona de raro encanto e beleza é considerada como a Rainha das mutações, das transformações orgânicas e inorgânicas. É o Orixá que transforma a água de seu estado liquido para o gasoso, gerando nuvens e chuvas. Quando olhamos para o céu e vemos as nuvens formando, às vezes, figuras de animais, de pessoas ou objetos, não nos importamos muito. Porém, ali está Ewá, Rainha da beleza, evoluindo solta pelos céus, encantando e desenhando por cima do azul celeste da atmosfera da Terá. Ewá é também o inicio da chuva, regida por sua mãe Nanã. É a mágica da transformação. Está ligada à mutação dos animais e vegetais. Ela é o desabrochar de um botão de rosa; é a lagarta que se transforma em borboleta; é a água que vira gelo e o gelo que vira água,lembrando do descongelamento das camadas polares do planeta, pelo aquecimento global. , Ewá é aquela que vai dar cor ao seres; torná-los bonitos, vivos, estimulando a sensibilidade; a fragilidade das coisas; a transformação das células, gerando o que há de mais lindo no mundo. É a deusa da beleza; é o sentimento de prazer pelo que é belo; é o respeito pela maravilha que o mundo apresenta. A força natural Ewá é ligada também à alegria, dividindo a regência daquilo que se chama ou se tem como feliz. Está presente nas coisas e nos momentos alegres, que têm vida. É também a divindade do canto; da música; dos sons da natureza, que enchem nossos ouvidos de alegria e contentamento. Está presente no canto dos pássaros; no correr dos rios; no barulho das folhas, sopradas ao vento; na queda da chuva; no assovio dos ventos; na música interpretada por uma criança, no choro do bebê, no canto mais que sagrado da mãe Natureza. Ewá é a própria beleza. É o som que encanta. É o canto da alegria. É a transformação do mal para o bom. É a vida... Que como temos que ver e tirarmos de exemplo.

Sentimos a energia de uma guerreira, na natureza, Obá está ligada às enchentes, às cheias dos rios, às inundações. É ela quem vai reger todos esses fenômenos, sejam naturais ou provocados por erros humanos, estes erros citamos aqui, lixo nos rios, poluição e muita degradação nos campos e nas ruas onde vivemos. Seu encantamento é feito desta forma, quando um rio transborda, inundando tudo. É poderosa, sábia, madura e realista. Na vida dos seres humanos, Obá rege a desilusão amorosa, a tristeza, o sentimento de perda, o ciúme, a incapacidade do homem de ter aquilo que ama e deseja. Obá é a raiva, a solidão, a depressão, o sentimento de abandono. Obá são também a frustração do homem e da mulher, os mesmos sentimentos que a Terra tem com seus filhos, e esta Deusa mostra como exemplo, toda essa dor, essa desesperança, esse abandono, ficou com marca registrada de Obá, e tais sentimentos tem a sua regência. Quando nos sentimos traídos, abandonados, sem esperança, com raiva, frustrados em nossos objetivos, desencadeamos essa força da natureza chamada Obá, que mexe no nosso interior. E a lógica diz que Obá é a "ultima gota", que faz transbordar nossos sentimentos. Daí sua regência também nas enchentes e inundações. É um ato de excesso, de excesso, de explosão, de revolta, desencadeado por esta força cósmica. Se um rio enche e transborda, é porque não suporta mais o volume de água, deixando escapar "aquilo que já não cabe mais". Isso é Obá, essa é a sua regência, seus encantamentos, sua influência.
Obá é o desabafo: "já não suporto mais...", é a agitação do sentimento indevidamente mexido, afetado por algo ruim. Este desabafo escutou todos os dias da mãe Terra. Destruindo muitos lares, deixando muitos desabrigados, mas nós mesmos somos culpados pelo que fazemos nas margens dos rios.

Eparrey Oya assim evocamos a senhora de Matama, Deusa da espada de fogo, Dona das paixões, Iansã é a Rainha dos raios, dos ciclones, furacões, tufões, vendavais, das tempestades e das chuvas. Orixá do fogo, guerreira e poderosa, Não é muito difícil depararmo-nos com a força da Natureza denominada Iansã (ou Oyá). Convivemos com ela, diariamente. Iansã é o vento, a brisa que alivia o calor. Iansã é também o calor, a quentura, o abafamento. É o tremular dos panos, das árvores, dos cabelos. É a lava vulcânica destruidora. Ela é o fogo, o incêndio, a devastação pelas chamas. Oyá é o raio, a beleza deste fenômeno natural. É o seu poder. É a eletricidade. Iansã está presente no ato simples de acendermos uma lâmpada ou uma vela. Ela é o choque elétrico, a energia que gera o funcionamento de rádios, televisões, máquinas e outros aparelhos, porem ela lembra que temos que poupar energia, pois ela não é constante, e um dia poder ter fim depende de como usamos,a senhora mostra como exemplo varias outras maneiras alternativas de buscar a tal eletricidade que usamos todos os dias.como exemplo :energia solar,energia hidroelétrica,energia eólica etc.

A mãe de todas as cabeças esta para chegar, um cheiro de mar circula em nosso templo, ouvimos ondas é a energia que esta presente neste momento, A majestade dos mares. Senhora dos oceanos, sereia sagrada, Iemanjá é a Rainha das águas salgadas, considerada como mãe de todos os Orixás, regente absoluta dos lares, protetora da família. Chamada também como a Deusa das Pérolas, Iemanjá é aquela que apara a cabeça dos bebês no momento do nascimento. Essa força da natureza também tem um papel muito importante em nossas vidas, pois é ela que vai reger nossos lares, nossas casas. É Iemanjá que vai dar o sentido de "família" a um grupo de pessoas que vivem debaixo de um mesmo teto. Ela é a geradora e personalidade ao grupo formado por pai, mãe e filhos, transformando-os num grupo coeso. Assim tem que ser as pessoas que desfilam pelo meu manto rosa e azul.

Dentro do culto, numa casa de santo, Iemanjá também atua organizando e dando sentindo ao grupo, à comunidade ali reunida e transformando essa convivência num ato familiar; criando raízes e dependências; proporcionando o sentimento de irmão pra irmão em pessoas que há bem pouco tempo não se conheciam; proporcionando também o sentimento de pai para filho, ou de mãe para filho e vice-versa, nos casos do relacionamento do Babalorixás, ou Ialorixás como os Omo Orixás (filhos de Santo).

Iemanjá é a preocupação e o desejo de ver aquilo que amamos a salvo, sem problemas. É a manutenção da harmonia do lar. E com este exemplo eu União DE Vaz Lobo nunca vou acabar. Iemanjá está presente nos mares e oceanos. É a Senhora das águas salgadas mães dos peixinhos e será ela que proporcionará boa pesca nos mares, regendo os seres aquáticos e provendo o alimento vindo de seu reino. Iemanjá é a onda do mar, o maremoto, a praia em ressaca, a marola, É ela quem controla as marés, é ela quem protege a vida no mar. Que muitas vezes vimos com tanto desdenho, de seu lar vem nossa fartura e inteligência. Odoya Yemanjá!

E nosso Xirê de Yabas esta por fim e deles tiramos exemplos para vida, mas para tudo terminar bem, tem que chamar ele o senhor de tudo e da paz. Se Exu é o começo de tudo, Oxalá é o fim. Se Exu é o principio da vida, Oxalá é o principio da morte. Equilíbrio positivo do Universo é o pai da brancura, da paz, da união, da fraternidade entre os povos da Terra e do Cosmo. Pai dos Orixás é considerado o fim pacífico de todos os seres. Orixá da ventura, da compreensão, da amizade, do entendimento, do fim da confusão. É ele que vai proporcionar a paz entre os homens; é ele que vai trazer o entendimento, a compreensão, o sossego, a fraternidade, não somente entre os homens, mas também em sua relação com outras forças da natureza, pois é comum nas Casas de Santo oferecemos comidas e flores, para que Oxalá venha apaziguar uma situação de conflito, uma determinada cabeça. É ele que servirá de mediador para que haja uma solução, uma definição. Oxalá, portanto, está presente nos momentos em que a calma é estabelecida. Rege a tranqüilidade, o silêncio, a paz do ambiente. Oxalá é o equilíbrio das coisas, mantendo-as suavemente estabilizado e em posição de espera ou definição, de acordo com o caso, de acordo com a situação.

É, portanto, a organização final, da maneira mais pacífica possível.
Paz que eu, esta antiga agremiação que fiz esta viagem em minhas raízes afro, peço junto com meus componentes todos os dias e noites de nossas vidas.

Xeuepababá meu pai Oxalá!

Eduardo Pinho

Sinopses 2011 - Boi da Ilha do Governador



Apresentação / Justificativa

É com muito orgulho que o G.R.E.S. Boi da Ilha do Governador apresenta para o carnaval de 2011 a lenda do guaraná, por ser de uma singularidade tão especial, que define a origem de uma tribo indígena, a dos índios Sateré-Maué, e que, por extensão, caracteriza e justifica a força e a raça do povo brasileiro.

"Uaraná-cécé: a força da vida!" é um enredo destinado à revitalização da cultura indígena, recheada de lendas e mitos, que vagam pelo imaginário coletivo, servindo mesmo como base para a cultura nacional.

O enredo, também, intitula o guaraná como instituição nacional, assim como a feijoada, porque é tipicamente brasileiro, sendo descoberto, domesticado e cultivado pelos indígenas há muitas centenas de anos no interior do Estado do Amazonas, em torno das localidades de Maués e Parintins, no norte do Brasil.

Também chamado "o fruto do prazer", o guaraná merece destaque no progresso do país, pelo abundante comércio de seus grãos, destinados aos mais variados fins.

E, como determinou a bela índia Uniaí, o guaraná fortalece os fracos, conserva o jovem e rejuvenesce o velho!

Sinopse

"Uaraná-cécé: a força da vida!" versa sobre a lenda e trajetória evolutiva do guaraná, iniciando-se com a indignação do pajé com a fraqueza e passividade de sua gente, que pedia incansavelmente a Tupã (o deus do bem) uma solução.

Comovido com o apelo do pajé, Tupã respondeu que mandaria como presente um filho para salvar a tribo.

Nessa tribo existiam três irmãos, dois homens e a linda índia Uniaí, dona do Noçoquém, um lugar encantado da tribo, que se apaixonou e engravidou de um misterioso índio que surgira na aldeia.

Diante da revolta de seus irmãos, que queriam seus cuidados somente para eles, a índia fugiu do Noçoquém, terra encantada onde plantava as mais diversas ervas, pois temia pela vida de seu filho.

Aguiry nasceu belo e forte, mas queria provar da castanha plantada pela mãe no Noçoquém. Provou, gostou e queria mais, mesmo tendo sido alertado por Uniaí que seus tios eram agora os donos do lugar.

Mas a vontade foi tão grande, que o indiozinho resolveu pegar as castanhas, mas foi surpreendido pelas flechas do macaquinho-boca-roxa, a mando de seus tios, conseguindo fugir com o cesto cheio do fruto, entrando pela floresta adentro, perdendo-se no caminho.

Jurupari, o demônio das trevas, ao ver o menino não hesitou em atacá-lo, transformando-se em imensa serpente venenosa.

Uniaí encontrou seu filho já sem vida, e da tristeza fez a força:

- De você faço a semente da planta mais poderosa que já se viu!

E, plantando a criança na terra, cantava: "Grande será, curador dos homens! Todos terão que recorrer a você para acabar com as doenças, ter força na guerra, pra ter força no amor, pra ter bastante energia. Grande Será!"

Orientada por Tupã, enterrou seu filho. Do seu olho esquerdo, nasceu o falso guaraná (uaraná-hôp) e, de seu olho direito nasceu o guaraná verdadeiro (uaraná-cécé).

Dias depois, Uniaí foi ver a planta que nascera. O guaraná estava grande, cheio de frutos. Debaixo do guaranazeiro, encontrou seu filho, alegre, forte, lindo. Esse menino, que nasceu que nem planta, foi o primeiro índio Maué.

O poder do guaraná é tão grande, que gerou a tribo Sateré-Maué, criou o município de Maué e, através de estudos científicos, descobriu-se suas propriedades terapêuticas, aquecendo a economia nacional e gerando empregos.

O guaraná é como determinou Tupã: forte e energético. O pequeno notável é tão ativo, que outrora alimentava uma tribo, hoje atravessa fronteiras, para ganhar o mercado mundial.

O pajé entendeu o presente de tupã.

Ele é a força e a vitalidade. Ele é a origem da nova tribo!

E, como o guaraná, fique de olhos bem abertos: BOI DA ILHA VEM AÍ!!!!!

Guilherme Alexandre
Carnavalesco