DOMINGO
1- Renascer de Jacarepaguá
2- Portela
3- Imperatriz Leopoldinense
4- Mocidade Independente de Padre Miguel
5- Unidos do Porto da Pedra
6- Beija-Flor de Nilópolis
7- Unidos de Vila Isabel
SEGUNDA-FEIRA
1- São Clemente
2- União da Ilha do Governador
3- Acadêmicos do Salgueiro
4- Estação Primeira de Mangueira
5- Unidos da Tijuca
6- Acadêmicos do Grande Rio
quinta-feira, 7 de julho de 2011
terça-feira, 5 de julho de 2011
Sinopses 2012 - Mocidade Independente de Padre Miguel
Justificativa
Ao escolher Candido Portinari como tema, a Mocidade Independente vem celebrar um dos maiores nomes da pintura brasileira no cinquentenário de seu desaparecimento.
Através de suas mais importantes obras, mostraremos a trajetória deste artista que acima de tudo retratou em seus quadros e murais, a história, o povo e a vida dos brasileiros, através dos traços fortes e vigorosos carregados de dramaticidade e expressão.
Esta homenagem escrita em forma de poema é a maneira mais digna encontrada para festejar este mestre que além de pintar também foi poeta e que entre outras manifestações artísticas soube tão bem ilustrar com seus desenhos os poemas de Carlos Drummond de Andrade, seu grande amigo e parceiro na versão do livro “Dom Quixote de La Mancha”, de Miguel de Cervantes.
Por fim é a Mocidade Independente que se orgulha em levar para o desfile um pouco da obra imortal de Portinari ao conhecimento do grande povo, aquele que sempre foi a sua grande fonte de inspiração.
Num voo mágico, viaja o samba,
a conduzir meu povo feliz
em seu viajante sonho.
Solto no universo garboso, prosa em verso,
na fantasia a se tornar realidade,
leva os tambores da felicidade,
para despertar o artista na morada celestial.
Ó mestre, ergueis do sono esse quadro vazio.
Sua obra vive no cantar de nossa gente.
Põe nas tuas mãos o teu instrumento,
tua tela hoje é o firmamento,
que a arte se deixa tingir o breu da noite,
com um colorido de festa,
a aquarela do carnaval.
Vai, reinventa mais um lúdico céu.
Pinta por nós a nossa estrela,
tu que pintaste tanto a Mocidade,
deixa a tua mão deslizar Independente.
Hoje, somos as tintas que envolvem
as cerdas do teu pincel, e que,
na mistura das cores, por ti, Portinari,
rompem a tela para a realidade
e brilham no samba de Padre Miguel.
Hoje, uma moldura viva e humana
enquadra a tua história na pista,
e teu traço se refaz nos pés,
no passo do sambista,
que vai riscar murais de sonhos
e estampar retratos,
cena dos Brasis que tu desenhastes.
À luz da inspiração, vem fazer reluzir em nossa mente
a cândida infância de tua Brodowski querida,
e reflorescer os campos com suor da lida,
dos mestiços viris a lavrar a ampla terra.
“Entre o cafezal e o sonho”,
vem reunir retalhos e as lembranças coloridas,
como as dos espantalhos a oscilar na brisa,
serenos sobre as plantações.
Hoje, é um tempo que não passa.
Um turbilhão, um vento que sopra,
que varre e traz recordações,
e que vem devolver a ti a meninice.
Somos nós os teus meninos,
sem rosto, anônimos na multidão,
que fazem girar o teu mundo
num rodopio frenético,
como se fossem um pião,
tal como um caleidoscópio
a transmutar em formas a tua imaginação.
Somos a quimera límpida,
que balança livre num céu pontilhado,
às vezes, de pequenas pipas e balões.
Viemos abrir o teu coração
e revelar esse tal sentimento,
que subjugou a estética,
ao adulterar a técnica pela arte livre,
carregada de emoção.
Nessa força da cor que se imprime,
se diluem teus nativos,
descobridores, heróis desbravadores,
fauna e flora a percorrer paredes
como ciclos, desvendando a história,
o caminhar dessa nação.
Nesta hora, trazemos a alegria
pintada em nossas caras.
O suor que transpira
sob as luzes deste palco
é a nossa emoção que transborda,
ainda que exale de nós
a têmpera do mesmo povo sofrido,
do caminhar errante,
em busca da terra prometida, a vitória.
Imagina nós, os retirantes,
embora a esconder a face dura da vida,
como tão pungente retrataste,
dando o tom da cor às palavras
de “Guimarães” e “Graciliano”,
a cor da dor, escassa,
como a secura da terra do cangaço,
por vez, na força do traço,
a bravura sertaneja.
A nossa odisséia e a nossa missão
é cantar-te, nosso estandarte, a glória,
como quem procura buscar nas alturas a prova.
Somos cenas bíblicas,
tal qual as que interpretastes,
nos vemos Santos,
Anjos olhados por Deus,
a voar nos céus azulejados.
Viemos aqui à luta,
contra o inimigo invisível,
os moinhos de vento
de uma aventura inventada.
À sorte, nos imaginamos fortes,
como o arauto sonhador
a rabiscar no papel uma estrada escrita
num poema de “Drummond”.
Somos “Dom Quixote De La Mancha”,
a empunhar a lança feita de lápis de cor.
Enfim, somos todos iguais esta noite,
como aqueles tantos que tua mão desenhou.
Somos o samba, o morro,
a favela, a dança, a música,
o contraste social,
trabalhadores do sonho,
assim como os da vida real.
Vamos à luta,
temos as caras das tuas caras,
o autorretrato da tua alma.
Somos todos em um,
a tua lembrança viva,
a eterna Mocidade,
modernista, revolucionária e guerreira
que, aqui neste momento,
ergue a ti um monumento,
um imenso mural,
pintado com a nossa alegria,
na batalha feliz deste dia,
“Guerra e Paz” do carnaval.
Alexandre Louzada
Carnavalesco
Histórico:
Candido Portinari nasceu no dia 29 de dezembro de 1903, numa fazenda de café em Brodowski, no Estado de São Paulo. Filho de imigrantes italianos, de origem humilde, recebeu apenas a instrução primária e desde criança manifestou sua vocação artística. Aos quinze anos de idade foi para o Rio de Janeiro em busca de um aprendizado mais sistemático em pintura, matriculando-se na Escola Nacional de Belas Artes. Em 1928 conquista o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro da Exposição Geral de Belas-Artes, de tradição acadêmica. Vai para Paris, onde permanece durante todo o ano de 1930. Longe de sua pátria, saudoso de sua gente, Portinari decide, ao voltar para o Brasil em 1931, retratar nas suas telas o povo brasileiro, superando aos poucos sua formação acadêmica e fundindo a ciência antiga da pintura a uma personalidade experimentalista a antiacadêmica moderna. Em 1935 obtém seu primeiro reconhecimento no exterior, a Segunda Menção Honrosa na exposição internacional do Carnegie Institute de Pittsburgh, Estados Unidos, com uma tela de grandes proporções intitulada CAFÉ, retratando uma cena de colheita típica de sua região de origem.
A inclinação moralista de Portinari revela-se com vigor nos painéis executados no Monumento Rodoviário situado no Eixo Rio de Janeiro – São Paulo (na hoje “Via Dutra”), em 1936, e nos afrescos do novo edifício do Ministério da Educação e Saúde, realizados entre 1936 e 1944. Estes trabalhos, como conjunto e como concepção artística, representam um marco na evolução da arte de Portinari, afirmando a opção pela temática social, que será o fio condutor de toda a sua obra a partir de então. Companheiro de poetas, escritores, jornalistas, diplomatas, Portinari participa da elite intelectual brasileira numa época em que se verificava uma notável mudança da atitude estética e na cultura do país: tempos de Arte Moderna e apoio do mecenas Getúlio Vargas que, dentre outras qualidades soube cercar-se da nata da intelectualidade brasileira de seu tempo.
No final da década de trinta consolida-se a projeção de Portinari nos Estados Unidos. Em 1939 executa três grandes painéis para o pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York. Neste mesmo ano o Museu de Arte Moderna de Nova York adquire sua tela O MORRO. Em 1940, participa de uma mostra de arte latino-americana no Riverside Museum de Nova York e expõe individualmente no Instituto de Artes de Detroit e no Museu de Arte Moderna de Nova York, com grande sucesso de público, de crítica e mesmo de venda (menor das preocupações do Artista…)
Em dezembro deste ano a Universidade e Chicago publica o primeiro livro sobre o pintor, PORTINARI, HIS LIFE AND ART, com introdução do artista Rockwell Kent e inúmeras reproduções de suas obras. Em 1941, Portinari executa quatro grandes murais na Fundação Hispânica da Biblioteca do Congresso em Washington, com temas referentes à história latino-americana. De volta ao Brasil, realiza em 1943 oito painéis conhecidos como SÉRIE BÍBLICA, fortemente influenciado pela visão picassiana de Guernica e sob o impacto da 2ª Guerra Mundial. Em 1944, a convite do arquiteto Oscar Niemeyer, inicia as obras de decoração do conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, destacando-se o mural SÃO FRANCISCO e a VIA SACRA, na Igreja da Pampulha. A escalada do nazi-fascismo e os horrores da guerra reforçam o caráter social e trágico de sua obra, levando-o à produção das séries RETIRANTES e MENINOS DE BRODOSWKI, entre 1944 e 1946, e à militância política, filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro e candidatando-se a deputado, em 1945, e a senador, 1947. Ainda em 1946, Portinari volta a Paris para realizar sua primeira exposição em solo europeu , na Galerie Charpentier. A exposição teve grande repercussão, tendo sido Portinari agraciado, pelo governo francês, com a Légion d!Honneur. Em 1947 expõe no salão Peuser, de Buenos Aires e nos salões da Comissão Nacional de Belas Artes, de Montevidéu, recebendo grandes homenagens por parte de artistas, intelectuais e autoridades dos dois países.
O final da década de quarenta assinala o início da exploração dos temas históricos através da afirmação do muralismo. Em 1948, Portinari exila-se no Uruguai, por motivos políticos, onde pinta o painel A PRIMEIRA MISSA NO BRASIL, encomendado pelo banco Boavista do Brasil. Em 1949 executa o grande painel TIRADENTES, narrando episódios do julgamento e execução do herói brasileiro que lutou contra o domínio colonial português. Por este trabalho Portinari recebeu, em 1950, a medalha de ouro concedida pelo Juri do Prêmio Internacional da Paz, reunido em Varsóvia.
Em 1952, atendendo a encomenda do Banco da Bahia, realiza outro painel com temática histórica, A CHEGADA DA FAMÍLIA REAL PORTUGUESA À BAHIA e inicia os estudos para os painéis GUERRA E PAZ, oferecidos pelo governo brasileiro à nova sede da Organização das Nações Unidas. Concluídos em 1956, os painéis, medindo cerca de 14×10 m cada – os maiores pintados por Portinari – encontram-se no “hall” de entrada dos delgados de edifício-sede da ONU, em Nova York. Em 1955, recebe a medalha de ouro concedida pelo Internacional Fine-Arts Council de Nova York como o melhor pintor do ano. Em 1956, Portinari viaja a Israel, a convite do governo daquele país, expondo em vários museus e executando desenhos inspirados no contado com recém-criado Estado Israelense e expostos posteriormente em Bolonha, Lima, Buenos Aires e Rio de Janeiro. Neste mesmo ano Portinari recebe o Prêmio Guggenheim do Brasil, a Menção Honrosa no Concurso Internacional de Aquarela do Hallmark Art Award, de Nova York. No final da década de cinquenta, Portinari realiza diversas exposições internacionais.
Expõe em Paris e Munique em 1957. É o único artista brasileiro a participar da exposição 50 ANOS DE ARTE MODERNA, no Palais des Beaux Arts, em Bruxelas, em 1958. Como convidado de honra, expõe 39 obras em sala especial na I Bienal de Artes Plásticas da Cidade do México, em 1958. No mesmo ano ainda, expõe em Buenos Aires. Em 1959 expõe na Galeria Wildenstein de Nova York e, juntamente com outros grandes artistas americanos como Tamayo, Cuevas, Matta, Orozco, Rivera, participa da exposição COLEÇÃO DE ARTE INTERAMERICANA, do Museo de Bellas Artes de Caracas. Candido Portinari morreu no dia 06 de fevereiro de 1962, quando preparava uma grande exposição de cerca de 200 obras a convite da Prefeitura de Milão, vítima de intoxicação pelas tintas que utilizava.
COMENTÁRIOS: Mais uma sinopse feita em forma de poema. É bonita mas a subjetividade usada pra dar beleza ao texto não deixa muito claro o que a escola irá apresentar. Nesse sentido, é bastante válido o histórico da vida de Portinari, para situar melhor os compositores. Interessante a associação feita com as estrelas que Portinari pintou no teto de uma capela de sua cidade, Bradowski, quando criança. O carnavalesco Alexandre Louzada teve a ideia para o enredo a partir deste fato. Como o símbolo da Mocidade é uma estrela, é um bom gancho para o início do desfile. Gosto do enredo, o melhor que a Mocidade tem em anos. A escola volta a ter um tema cultural, consistente e de fácil compreensão para o público. Além disso a escola vem muito reforçada em quase todos os seus setores, para, quem sabe, finalmente conseguir a sonhada volta ao desfile das campeãs.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Sinopses 2012 - Império Serrano
Serra... dos meus sonhos dourados. É de lá que desce o cortejo verde e branco a ondular pela Avenida ao som da mais vibrante sinfonia percussiva. Marcação que evoca a ancestralidade de uma dinastia formada por nobres de alta linhagem africana. Um reino construído em muitas formas de arte. Entre elas, o jongo, o samba e o carnaval.
São cânticos, danças e vozes que se levantam altivas num ritual de consagração no grande terreiro da Avenida, onde a cada desfile são renovados os laços de fé e devoção dos seus súditos.
É o Império na Sapucaí, que exalta sua própria essência, personificada por Dona Ivone Lara. Enredo do Meu Samba, que nasce de uma história marcada por melodias, amores e sonhos trançados nas teias do tempo, percorrendo as trilhas do que se chama destino.
Dois caminhos, uma só paixão: a música!
(“Dona Ivone é um sonho meu, um sonho seu, nosso melhor sonho, pois ela é real!” – Zélia Duncan)
Em casa, a pequena Yvonne da Silva Lara ainda não era Dona, nem seu nome era grafado “Ivone”, como ficaria conhecida tempos depois. Mas já trazia na veia o sangue musical herdado da mãe, pastora do rancho Flor do Abacate, e do pai, exímio violão de sete cordas e integrante do bloco Os Africanos. Uma família de muitos talentos. Um dos seus primos era ninguém menos que Antônio dos Santos. Não conhece? Mas se o chamarmos de Mestre Fuleiro, você há de lembrar...
E foi com ele que surgiu uma canção soprada das asas de “Tiê”, pássaro que abriu os caminhos da menina para compor. A evocação do “Tiê” vinha acompanhada da sonora repreensão “Oia lá, oxá”, que tanto ouvia da avó. E assim, ao beber na rica fonte que minava na própria casa, nasceu a primeira obra, misto de música infantil com levada de terreiro.
Enquanto a casa pulsava musicalidade, o colégio interno em que estudava na Tijuca oferecia à jovem Yvonne a formação teórica por meio das aulas de canto orfeônico, coro formado por vozes afinadas. Entre as alunas, estava a contralto Yvonne, que não demorou muito a chamar a atenção da professora e maestrina dona Lucília, mulher de ninguém menos que Heitor Villa-Lobos. E foi sob a regência do Maestro que a jovem estudante se destacou em um encontro de corais, evento que reuniu orfeões de vários colégios do Rio de Janeiro. E que a levou a se apresentar no Orfeão dos Apiacás, na Rádio Tupi.
São episódios que marcam o reconhecimento ao talento da menina que despontava para a formação em teoria musical. A vocação cultivada em casa era lapidada na escola. A união do erudito com o popular, da formação com a intuição, seria fundamental para forjar o traço melódico da futura cantora e compositora.
A vida foi em frente...
(“Quem é mesmo da Serrinha / Trata o samba com respeito / Traz as cores verde e branco / Do lado esquerdo do peito” – Carlinhos Bem-Te-Vi)
Enfermeira, dona de casa, mãe e esposa exemplar, Yvonne Lara tentava conciliar mundos às vezes excludentes: a vida doméstica e profissional com as inspirações melódicas que teimavam em acompanhá-la. E o samba...
...ah, o samba!! Esse danado que mexe o corpo da gente, raiz do carnaval que em 1947 viu nascer um novo capítulo com a criação de um majestoso Império de bambas. Mas compor samba não era coisa de mulher. E ao lado do “Apito de Ouro”, nosso Mestre Fuleiro, primo e diretor de harmonia da nova escola, surgiram obras apreciadas tanto pela alta linhagem imperial como pelos sambistas das demais escolas. Dona Yvonne já era respeitada, mesmo sem assinar muitas de suas composições. Foi por isso que em 1961, viveu um momento inesquecível ao desfilar como crooner da ala de compositores, embora dela não fizesse parte oficialmente.
Até que veio o carnaval do Quarto Centenário do Rio de Janeiro. Era um momento especial na história da cidade. As escolas deveriam apresentar temas cuidadosamente escolhidos para celebrar a data. E assim surgiu Os Cinco Bailes da História do Rio. Algo acontecia na Corte Imperial, prenúncio de uma revolução. Ao lado do mestre Silas de Oliveira e Bacalhau, Yvonne assinou o samba e entrou para a história. Mais do que isso: conquistou a quadra verde e branca, encantou pastoras, emocionou os componentes. E sagrou-se a primeira mulher a vencer uma disputa de samba-enredo na história do carnaval carioca.Na Avenida, o Império bailou ao som de uma melodia cheia de nuances e lará-iás. Surgia com brilho raro uma das obras-primas do gênero samba-enredo. E a estrela da cantora e compositora iluminou muito mais que a própria corte da qual já era rainha.
Nos Palcos da Vida
(“Dona Ivone respira música. Se ela estiver num canto, paradinha, pensando, pode saber que tem música aí”. Bruno Castro – compositor e parceiro)
A repercussão da vitória de 1965 foi grande. Porém conciliar trabalho, família e carreira não era nada fácil. Mas com jeitinho e jogo de cintura, Yvonne foi se transformando em Dona Ivone Lara. A pequena mudança na grafia era uma forma de simplificar o nome para o grande público. O “Dona” incorporado ao nome era uma pista do que viria a ser e de certa forma já era: Diva. Senhora do Samba. Dona da Melodia. Dama. Rainha.
Foi nos palcos da vida que Dona Ivone Lara ergueu os braços ao estrelato. A postura diante do público, o cuidado com a aparência e o respeito à plateia foram lições que ela aprendeu com as cantoras do rádio, que tanto admirava. Sob os refletores, ela reinava. Dançando jongo e cantando seus sambas, o público ia ao delírio.
São tantas noites inesquecíveis, como as do Show Opinião, que sacudia as segundas-feiras da Zona Sul carioca! Foi ali que a cantora e compositora se juntou aos bambas da Música Popular Brasileira. Naquele palco, estava em casa. E em ótima companhia.
Liberdade. Sonho. Amor. Às vezes tristeza, melancolia. Mas, sobretudo, verdade. Temas que Dona Ivone Lara canta até hoje nos palcos mundo afora, celebrando os sentimentos e os sentidos de nascer, crescer e amar. Amar à arte como a si mesmo. Traduzir em canção um “Sonho Meu”, um “Alvorecer” que leva as dores da noite e traz a esperança de um novo dia. Revelar o que tem dentro de si e compartilhar emoções com o público que a abraça em forma de aplauso.
E a baiana se glorificou...
(“Lavando a nossa alma / Com a mais fina inspiração / Meu samba te pega na palma / E beija a tua mão” - Nei Lopes)
Mas a presença de Dona Ivone também está marcada no maior palco do artista popular. Esse lugar é a Avenida. Templo de tantos sonhos de carnaval...
As raízes negras que se ramificaram pelas diversas escolas de samba no Brasil têm na ala de baianas um relicário sagrado que remete aos laços reais com o matriarcado ancestral. Para Dona Ivone Lara, a ala da Cidade Alta – as baianas imperiais – é o fundamento mais vivo de uma escola marcada pela resistência, pela luta, pelo trabalho coletivo e pela arte.
Afinal, a ala era formada pelas mulheres dos estivadores, que não poupavam recursos para que suas damas saíssem muito bem vestidas no carnaval. Até hoje elas mantêm o legado das tradições de um Império sonhado com tanta luta e que transforma a fantasia na mais bela realidade a cada desfile.
E foi como destaque da ala da Cidade Alta que Dona Ivone tantas vezes pisou a Avenida... Usou os mais diversos tons de verde e branco. Vestiu-se também de ouro. Foi matriarca absoluta na Igreja do Bonfim, em 1983, como a Mãe Baiana Mãe de toda a nação imperial.
E o sorriso negro que tantas vezes iluminou a escola na celebração maior da arte do carnaval vem novamente cruzar a passarela. Desta vez, Dona Ivone Lara é a inspiração e a razão pela qual canta a nossa gente.
No Enredo do Meu Samba, a corte de tantas glórias no reino das escolas de samba veste o manto sagrado bordado em fantasia para louvar a sua rainha. A escola que viu nascer, hoje abre alas para exaltá-la como a grande dama, pioneira, artista, cantora, e, sobretudo, imperiana.
É a nossa verdade e nossa raiz, a devoção pela arte e pela beleza que nos une nesse maravilhoso Império de sonhos.
Salve Dona Ivone Lara!!
Mauro Quintaes
(Carnavalesco)
BIBLIOGRAFIA:
BURNS, Mila. Nasci para Sonhar e Cantar. Editora: Record. Rio de Janeiro, 2009.
CABRAL, Sérgio. As Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Editora Lumiar. Rio de Janeiro, 1996.
DUNCAN, ZÉLIA. Álbum de Retratos – Dona Ivone Lara. Memória Visual e Folha Seca - Livraria e Edições. Rio de Janeiro, 2007.
SANTOS, KÁTIA. Ivone Lara, A Dona da Melodia.Editora: Garamond – Fundação Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro – 2010.
SCHUMAHER, Schuma. BRAZIL, Érico Vital. Dicionário Mulheres do Brasil. Editora Jorge Zahar. Rio de Janeiro, 2000.
COMENTÁRIOS: Sem dúvidas, o enredo mais esperado em 2012. O Império Serrano cria em torno de seu desfile uma expectativa há muito não vista, ao exaltar um de seus mais importantes baluartes. Emoção não vai faltar no desfile da Serrinha. A sinopse retrata muito bem toda a vida de Dona Yvonne, com interessantes toque literários mas sem deixar de passar a mensagem do enredo. Parabéns ao Império! A escola vem fazendo tudo certo até aqui. Agora é torcer pra ala de compositores estar inspiradíssima e fazer um sambaço, digno da homenageada. Se o desfile também corresponder à altura, 2012 é do Império Serrano.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Sinopses 2012 - Acadêmicos do Grande Rio
EU ACREDITO EM VOCÊ. E VOCÊ?
"A nossa maior glória não reside no fato de nunca cairmos, mas sim, em levantarmo-nos depois de cada queda." (Confúcio).
Não me peça para desistir. Acredito, sigo em frente porque só sei caminhar! Não me desanimo: caio, levanto, a volta por cima hei de dar. A força não está em mim: Para quem do céu herdou a promessa, a vitória é coisa certa; a questão é esperar. Por entre nuvens os anjos se puseram a anunciar: "não te desespera", não deixa o desânimo tomar conta de ti, tira os olhos das dificuldades e coloca-os em mim.
Com a palavra, o céu desce a terra. Das alturas, rica fonte de entusiasmo: a direita do pai, a me guiar, aquele que ao enfrentar o adverso, foi grato exemplo da importância de aprender a superar. Com os olhos fitos nos céus, sinto o calor luminoso que rompe a barreira das nuvens que outrora foram de tempestade. Me banho junto às águas de bonança que seguem após a revolta das marés. Me conforto, ganho ânimo, e um novo carnaval assim eu faço: tudo o que renasce com maestria, todo aquele que enfrenta e vence o que lhe desafia, faz crescer o que imagino, para construir um carnaval.
Na perda do amor que se foi, faço hora para o que virá. Se a saúde fizer despedida, espero ela voltar. Não há medo, vício, ou preconceito, que eu não possa enfrentar. Enfrento a perda e a dor, venço o medo com sabedoria, rimo a piada com o que não tem graça, lhe conto um conto, de sabedoria popular: Não tema o que lhe parece "maior", não te desespere diante ao que lhe parece impossível. Precisamos, dia-dia, enfrentar e derrubar nossos temidos gigantes!
Por isso vos digo como exemplo a lhe ofertar: Se o som for sepultado em meus ouvidos, faço melodia e canção no silêncio que habita a imaginação. Se na escuridão meus olhos me lançarem, solto a voz para a multidões, faço do canto, luz para iluminar.
Quando a dor me castigar, faço dela o incentivo para o entalhe mais perfeito da beleza de um altar. Se pobre eu nascer, se a vida me bater, se a dor me esmagar; abro sorriso ao adverso, luto de peito aberto, para as luzes da ribalta me consagarar! Se a vida me testar, tirar-me o que julgo precisar, se a firmeza das mãos me faltar, o dom de Deus resplandecerá e uma orquestra surgirá.
Na busca por superar, topo aceitar o desafio: Vou suar a camisa, correr distancias longas, meu corpo está posto a prova; certamente, eu chego lá! Quero um lugar no pódio, quero os louros da vitória, quero mérito por superar. Cambaleei, enverguei, não desisti, e exemplo me tornei!
Na luta pela conquista, sou herói, sou atleta! Recebo sopro divino, corro em linha reta, corro atrás de bola, um fenômeno surgirá. Alço as velas do meu barco e lavo minhas dores nas águas do azul que tinge o mar. Em águas cristalinas nado com a força de um tubarão, faço o mundo avançar em braçadas. Saltando próximo as nuvens, com os pés no chão, ou sobre rodas, o que me guia é a superação!
Na história do homem sobre a terra, exemplos ei de dar: Quando um homem ajuda um homem, não há dor coletiva que ele não possa se curar. Avança o dia, avança a noite. Corre o tempo, a tristeza fica pra trás. O que se expandiu junto a uma manhã que explodiu, hoje é a pagina virada, "rosa desbotada", que ninguém mais viu.
O que se destruiu, se reconstruiu. Onde o "preto" não era "branco", onde o "branco" não era "preto", levantou-se a voz da nova ordem a anunciar a união. Dando a mão a um irmão, tijolo por tijolo, lágrima por lágrima, erguemos um bem precioso, reconstruímos uma Nação.
O vento sopra a bandeira verde e amarela e faz o exemplo de seus filhos brilharem em nossos olhos.
São "Joãos", "Marias", "Silvas", "moleques" que correm descalços, trabalhadores do asfalto, gente que luta, gente que vence. São mulheres que rompem as barreiras das limitações. São homens que vencem a "seca" e o "pau de arara", para ocupar, quem sabe, o mais alto posto no comando da Nação. Jovens que ultrapassam os barracos da cidade. Mães que fazem da luta prova de superação. Homens e mulheres que levantam a poeira do chão, guerreiros que batem samba na palma da mão; a baiana que gira, o sorriso da velha-guarda, o passista que risca o chão, a bateria quer marca o pulsar do coração, "gente que enverga mas não quebra", gente que vem a ser o siginificado mais claro e puro para o nome SUPERAÇÃO!
Cahê Rodrigues - Carnavalesco
Pesquisa e texto: Leandro Vieira, Lucas Pinto e Cahê Rodrigues
COMENTÁRIOS: Muito bonito o enredo da Grande Rio, baseado em histórias de superação de diferentes pessoas. A sinopse é bastante subjetiva, citando os homenageados do desfile sem dizer seus nomes explicitamente. É possível identificar menções ao jogador Ronaldo, ao ex-presidente Lula, ao levantador de toadas David Assayag, ao maestro João Carlos Martins, ao velejador Lars Grael e a outros que certamente identificaremos em breve. A ideia do enredo é bastante original e oportuna, com o gancho da superação da própria escola. Não sei se poderá proporcionar um desfile impactante, como a escola pretendia ano passado, mas certamente irá emocionar. Talvez peque por não ser um enredo e sim um tema, num ano onde as escolas do grupo Especial parecem estar bastante inspiradas. Mas a Grande Rio é uma escola forte e deverá realizar uma bela apresentação.
"A nossa maior glória não reside no fato de nunca cairmos, mas sim, em levantarmo-nos depois de cada queda." (Confúcio).
Não me peça para desistir. Acredito, sigo em frente porque só sei caminhar! Não me desanimo: caio, levanto, a volta por cima hei de dar. A força não está em mim: Para quem do céu herdou a promessa, a vitória é coisa certa; a questão é esperar. Por entre nuvens os anjos se puseram a anunciar: "não te desespera", não deixa o desânimo tomar conta de ti, tira os olhos das dificuldades e coloca-os em mim.
Com a palavra, o céu desce a terra. Das alturas, rica fonte de entusiasmo: a direita do pai, a me guiar, aquele que ao enfrentar o adverso, foi grato exemplo da importância de aprender a superar. Com os olhos fitos nos céus, sinto o calor luminoso que rompe a barreira das nuvens que outrora foram de tempestade. Me banho junto às águas de bonança que seguem após a revolta das marés. Me conforto, ganho ânimo, e um novo carnaval assim eu faço: tudo o que renasce com maestria, todo aquele que enfrenta e vence o que lhe desafia, faz crescer o que imagino, para construir um carnaval.
Na perda do amor que se foi, faço hora para o que virá. Se a saúde fizer despedida, espero ela voltar. Não há medo, vício, ou preconceito, que eu não possa enfrentar. Enfrento a perda e a dor, venço o medo com sabedoria, rimo a piada com o que não tem graça, lhe conto um conto, de sabedoria popular: Não tema o que lhe parece "maior", não te desespere diante ao que lhe parece impossível. Precisamos, dia-dia, enfrentar e derrubar nossos temidos gigantes!
Por isso vos digo como exemplo a lhe ofertar: Se o som for sepultado em meus ouvidos, faço melodia e canção no silêncio que habita a imaginação. Se na escuridão meus olhos me lançarem, solto a voz para a multidões, faço do canto, luz para iluminar.
Quando a dor me castigar, faço dela o incentivo para o entalhe mais perfeito da beleza de um altar. Se pobre eu nascer, se a vida me bater, se a dor me esmagar; abro sorriso ao adverso, luto de peito aberto, para as luzes da ribalta me consagarar! Se a vida me testar, tirar-me o que julgo precisar, se a firmeza das mãos me faltar, o dom de Deus resplandecerá e uma orquestra surgirá.
Na busca por superar, topo aceitar o desafio: Vou suar a camisa, correr distancias longas, meu corpo está posto a prova; certamente, eu chego lá! Quero um lugar no pódio, quero os louros da vitória, quero mérito por superar. Cambaleei, enverguei, não desisti, e exemplo me tornei!
Na luta pela conquista, sou herói, sou atleta! Recebo sopro divino, corro em linha reta, corro atrás de bola, um fenômeno surgirá. Alço as velas do meu barco e lavo minhas dores nas águas do azul que tinge o mar. Em águas cristalinas nado com a força de um tubarão, faço o mundo avançar em braçadas. Saltando próximo as nuvens, com os pés no chão, ou sobre rodas, o que me guia é a superação!
Na história do homem sobre a terra, exemplos ei de dar: Quando um homem ajuda um homem, não há dor coletiva que ele não possa se curar. Avança o dia, avança a noite. Corre o tempo, a tristeza fica pra trás. O que se expandiu junto a uma manhã que explodiu, hoje é a pagina virada, "rosa desbotada", que ninguém mais viu.
O que se destruiu, se reconstruiu. Onde o "preto" não era "branco", onde o "branco" não era "preto", levantou-se a voz da nova ordem a anunciar a união. Dando a mão a um irmão, tijolo por tijolo, lágrima por lágrima, erguemos um bem precioso, reconstruímos uma Nação.
O vento sopra a bandeira verde e amarela e faz o exemplo de seus filhos brilharem em nossos olhos.
São "Joãos", "Marias", "Silvas", "moleques" que correm descalços, trabalhadores do asfalto, gente que luta, gente que vence. São mulheres que rompem as barreiras das limitações. São homens que vencem a "seca" e o "pau de arara", para ocupar, quem sabe, o mais alto posto no comando da Nação. Jovens que ultrapassam os barracos da cidade. Mães que fazem da luta prova de superação. Homens e mulheres que levantam a poeira do chão, guerreiros que batem samba na palma da mão; a baiana que gira, o sorriso da velha-guarda, o passista que risca o chão, a bateria quer marca o pulsar do coração, "gente que enverga mas não quebra", gente que vem a ser o siginificado mais claro e puro para o nome SUPERAÇÃO!
Cahê Rodrigues - Carnavalesco
Pesquisa e texto: Leandro Vieira, Lucas Pinto e Cahê Rodrigues
COMENTÁRIOS: Muito bonito o enredo da Grande Rio, baseado em histórias de superação de diferentes pessoas. A sinopse é bastante subjetiva, citando os homenageados do desfile sem dizer seus nomes explicitamente. É possível identificar menções ao jogador Ronaldo, ao ex-presidente Lula, ao levantador de toadas David Assayag, ao maestro João Carlos Martins, ao velejador Lars Grael e a outros que certamente identificaremos em breve. A ideia do enredo é bastante original e oportuna, com o gancho da superação da própria escola. Não sei se poderá proporcionar um desfile impactante, como a escola pretendia ano passado, mas certamente irá emocionar. Talvez peque por não ser um enredo e sim um tema, num ano onde as escolas do grupo Especial parecem estar bastante inspiradas. Mas a Grande Rio é uma escola forte e deverá realizar uma bela apresentação.
terça-feira, 14 de junho de 2011
Sinopses 2012 - Acadêmicos do Salgueiro
SALGUEIRO 2012
(Cheio de poesia, imaginação e encantamento) apresenta:
Cordel Branco e Encarnado
Minha “fia”, meu senhor
Deixa eu me apresentar
Sou poeta e meu valor
Vai na avenida passar
Basta imaginação
Um “cadim” de inspiração
Que eu começo a versar
Vou cantar a minha arte
Que nasceu bem lá distante
Num lugar que hoje é parte
Da nossa origem errante
Vim das bandas da Europa
Nas feiras, a boa trova
Era demais importante!
Foi assim que o mar cruzei
Na barca da encantaria
Chegou por aqui um Rei
Com bravura e poesia
Carlos Magno o os doze pares
Desfilando pelos mares
Da mais real fidalguia
E veio toda a nobreza
Que um dia eu imaginei
Rainha, duque, princesa
E até quem eu não chamei:
Um medonho de um dragão
Irreal assombração
Dessa corte que eu sonhei
Também tem causo famoso
Que nasceu lá no Oriente
De um tal misterioso
Pavão alado imponente
Que cruza o céu de relance
Dois jovens, e um só romance
Vencendo o Conde inclemente
Todas essas histórias
Renasceram no sertão
Onde vive na memória
O eterno Lampião
E não houve um brasileiro
Que de Antônio Conselheiro
Não tivesse informação
Pra viajar no meu verso
É preciso ter “corage”
Vai que um bicho perverso
Surge que nem “visage”?
Nas matas sertão afora
Lobisomem, caipora
Que medo dessas “image”!!
Pra findar esse rebuliço
Rezar é a solução!
Valei-me meu “padim” Ciço!
Vá de retro, tentação!
Nossa Senhora eu não quero
(Tô sendo muito sincero)
Cair nas garras do cão!
E não é que meu santo é forte?
Cheguei ao céu divinal
É tamanha a minha sorte
A minha vitória afinal
É cantar com alegria
Fazer verso todo dia
Na terra do carnaval
Ao ver chegar a tal hora
Da minha “alegre” partida
Saudade, palavra agora
Tem posição garantida
Mas não se avexe meu irmão
Que hoje a coroação
Acontece é na avenida
Pois eles hão de herdar
Todo esse sertão sonhado
Monarcas que vão reinar
Na corte do Sol dourado
Poetas de tradição
Recebam de coração
Um cordel Branco e Encarnado
E agora eu vou sem medo
Fazer festa “de repente”
Vai nascer um samba-enredo
Pra animar toda a gente
Afinal, não sou melhor
Muito menos sou pior
Só um poeta diferente!
Renato Lage, Márcia Lage, Departamento Cultural
COMENTÁRIOS: Como não poderia deixar de ser, a sinopse do Salgueiro foi produzida em forma de cordel. Provavelmente os compositores receberão mais informações do que as que constam na sinopse, fatalmente reduzida e pouco abrangente. Apesar de ser muito bonita e fazer com que a leitura fique interessante, o formato acaba prejudicando um pouco o entendimento do que a escola vai mostrar. Apesar disso gosto do enredo em si, que não é inédito mas pode proporcionar um bom samba. A literatura de cordel é muito rica e, se for bem explorada, trará belas imagens ao desfile. Sobre a sinopse propriamente dita é difícil fazer muitos comentários já que tangencia o enredo sem se aprofundar muito, é quase ilustrativa. Mas Salgueiro, Renato e Márcia são confiáveis e certamente o resultado será positivo.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Sinopses 2012 - União da Ilha do Governador
Argumento
"Once upon a time", ou "ERA UMA VEZ"... é a forma mais popular, desde 1380, de iniciar histórias em língua inglesa. E se tornou convencional na abertura de narrativas a partir de 1600, da mesma forma que terminam com um: "E VIVERAM FELIZES PARA SEMPRE". Prevalecem em contos de fadas para crianças e na tradição oral de recontar mitos, fábulas e folclore.
A cada quatro anos o mundo se une para o grande momento do esporte e para celebrar a paz. A cidade anfitriã faz em sua abertura uma representação artística de sua história e sua cultura. No ano de 2012, Londres será a sede desse evento.
A União da Ilha fará uma versão bem carioca e carnavalesca dessa festa. E também uma contagem regressiva para os jogos olímpicos do Rio de Janeiro.
Em vermelho, branco e azul, as mesmas cores do Reino Unido, a Ilha falará da Ilha que sambará ao batuque da Ilha. Saint George, padroeiro da Inglaterra, estará ao lado de São Sebastião do Rio de Janeiro, ambos padroeiros da nossa escola.
O fogo que atravessou nosso último carnaval nos uniu, assim como o fogo olímpico une as nações. Superamos as dificuldades, assim como cada atleta supera seus limites para atingir o pódio.
Era uma vez uma Ilha feita de alegria e muito samba que vai contar histórias de outra Ilha. Incendiando a avenida misturando irreverência e tradição, vamos acender a pira com o fogo da paixão e transformação. Foi dada a partida! A festa vai começar!!!
Sinopse
... Onde vivia um povo valente e guerreiro. Um dia, apesar de ser defendida com bravura, um grande império a conquistou. O imperador invasor fundou uma cidade que cresceria até se tornar uma das mais importantes do mundo.
Capital de um país e depois de um reino que se tornaria unido. Sua história é feita de reis e rainhas, príncipes e princesas, e de heróis errantes.
Nobres cavaleiros cruzaram terras para defender a sua fé. Vestidos e armados com as armas de um santo guerreiro e com sua cruz estampada na bandeira, seguiram em sua saga de bravos, pondo sob as patas de seus fiéis ginetes o mais temível dragão.(1)
Nesta terra, a fantasia e a realidade se confundem. Em sua tradição, narram contos onde espadas são encantadas e cálices são sagrados. Histórias de távolas redondas, fiéis escudeiros e magos a serviço de um só Rei.
Nos palcos encenam histórias de amores impossíveis, comédias, dramas e tragédias. Onde nesta noite de verão, há somente uma questão: ser ou não ser? Nas ambições por um trono, até as "rosas" guerreiam. (2)
Em uma era dourada, conquistaram os mares e a Coroa aliou-se a corsários e piratas em busca de inesgotáveis tesouros. Dominaram por séculos boa parte do planeta.
Lançaram, sob a ótica da ciência, um novo olhar sobre fatos naturais e a todo vapor se tornaram condutores revolucionários, pondo o progresso nos trilhos e no campo do pensamento. Publicaram temas que nos deram arrepios e nos levaram a um delirante país das maravilhas.
Seus artistas brilharam nas telas e sob as luzes da ribalta. Com suingue(3) encurtaram medidas, mudaram comportamentos e deram uma chance à paz e ao amor.
Inventaram com a bola nos pés a nossa maior paixão.
Hoje convidam a todos para um encontro onde pessoas do mundo inteiro mostram o que é superação, exaltando a cultura de paz. Saudemos aqueles que ultrapassam seus limites e dentre esses os nossos patrícios que sempre nos enchem de orgulho.
Era uma vez... A nossa Ilha, onde também vive um povo valente e guerreiro, que defende com bravura sua bandeira. Que todo ano vem para conquistar o coração de um lugar que cresceu até se tornar um dos mais importantes da terra e que em breve será o próximo anfitrião. A Ilha é a pista para esse sonho aterrissar e a porta de entrada das nossas vitórias.
Nessa grande paródia carnavalesca, vamos adiantar os ponteiros do relógio e imaginar que a festa é aqui e agora. Acender a chama da paixão, incendiar de alegria toda a cidade e renovar as esperanças.
Contos de fadas são como o carnaval, e sempre nos levam ao imaginário, sendo assim, esta história não poderia terminar diferente: "E viveremos felizes para sempre".
Alex de Souza
Carnavalesco
(1) Referência á oração de São Jorge, Padroeiro da Inglaterra.
(2) Citações ás peças de Willian Shakespeare. O maior dramaturgo de língua inglesa.
(3) Swinging London foi uma expressão utilizada nos anos 60 para descrever a vanguarda londrina. Swinging representaria algo com arrojo, moderno, etc.
COMENTÁRIOS: Assim como em 2011, a Ilha vem com um enredo de fácil compreensão. Certamente o público não terá dificuldade para identificar os elementos que passarão na Sapucaí, o que fornece um entendimento maior do desfile. Acho interessante o fato de falar sobre a Inglaterra, que possui uma cultura rica e nunca foi muito explorada no Carnaval. Uma boa sacada associar a chama Olímpica com o incêndio no barracão, que serviu de motivação e uniu a escola. A princípio me preocupava um pouco essa ligação do enredo com os Jogos Olímpicos, pois poderia acabar fazendo com que o desfile ficasse comercial e frio demais. Me lembrei logo da Portela em 2007, que não foi tão bem com o desfile sobre os Jogos Panamericanos. Mas pelo que fala a sinopse, a Inglaterra será mesmo o foco principal, deixando as Olimpíadas apenas para o último setor, talvez. Espero um bom desfile da escola, que está com a autoestima nas alturas após o último Carnaval, quando ganhou os Estandartes de Ouro de melhor escola e enredo. Esse ano a ilha britânica vai brigar com outros belíssimos enredos no Grupo Especial, mas o trunfo da União será mais uma vez a fácil assimilação que devem proporcionar suas alegorias e fantasias.
domingo, 12 de junho de 2011
Com emoção, otimismo e quadra lotada, Porto da Pedra apresenta à comunidade sua equipe para 2012
O Tigre de São Gonçalo começa a mostrar suas garras.A Porto da Pedra iniciou oficialmente seus trabalhos para 2012, apresentando a equipe do Carnaval de 2012 para a comunidade. O evento aconteceu durante a tradicional Feijoada da Família Tigre e contou com muita emoção e animação, além do otimismo demonstrado pelos profissionais em realizar um bom trabalho.
Em um dos momentos mais marcantes da festa, a presidente da Velha-Guarda, Dona Olinda, entregou o pavilhão da escola ao primeio casal de mestre-sala e porta-bandeira, Fabrício Pirez e Cristine Caldas. “Não tem jeito, há cada ano que passa é uma emoção diferente e não tenho como segurar as lágrimas. Essa festa linda, essa feijoada maravilhosa, como nunca tivemos, e essa equipe incrível me deixaram ainda mais encantada com a minha escola. Quando peguei o pavilhão para entregar ao querido casal que vai nos representar, é como se estivesse entregando meu próprio coração, minha vida", disse Dona Olinda, que se emocionou durante a cerimônia.
O presidente da agremiação, Fernando Marins, mostrou-se satisfeito e confiante no bom desempenho da escola: “A feijoada da Dona Ângela estava deliciosa, aconteceu em grande estilo e conquistou a comunidade. A nova equipe de carnaval demonstrou otimismo e uma energia muito empolgante. Novas feijoadas virão e mais energia positiva também chegará. Já estamos com força total”.
Fred Tavares, o grupo Merece Respeito e a cantora Andréa Caffé também participaram da feijoada, que já tem data marcada pra acontecer de novo. A próxima edição da Feijoada da Família do Tigre será no dia 9 de julho e contará com a presença da cantora Dorina. Mais informações pelo telefone 21 3707-1518.
Fotos: Divulgação
Assinar:
Postagens (Atom)



