A safra do Grupo A para 2012 é mediana para boa. Tem obras muito boas, do tipo que ficam marcadas nas safras de suas escolas, e outras mais fracas. No geral, o CD é muito bom e a produção dá mais vida e incrementa alguns sambas.
A vice-campeã de 2011, Viradouro, abre o CD com o melhor samba do ano no grupo. Fruto de uma fusão entre os dois melhores sambas das eliminatórias, possui os melhores trechos de cada obra, resultando numa composição excelente. O refrão principal lembra um pouco os sambas da escola no início da década passada, contando até com a palavra "amor", que era bem recorrente. Sambaço da vermelha e branca de Niterói para homenagear Nelson Rodrigues.
O samba da Estácio é, tecnicamente, bem fraco. Mas a sensacional interpretação de Leandro Santos consegue valorizar imensamente a obra. Um samba despretensioso e bem agradável de ouvir, com destaque para o refrão do meio. Mas a letra é fraca e a associação de Luma de Oliveira às festas brasileiras não convence.
O samba da Cubango sobre o Barão de Mauá soa um tanto "aleatório". Não se destaca na safra mas não é ruim. Talvez pela limitada interpretação de Hugo Júnior, Marcelo Guimarães e Sereno, desconhecidos e sem muita versatilidade. Outro fator que contribui para a falta de imponência do samba é o fato dele ter sido quase todo modificado desde o fim das eliminatórias. O samba vencedor, que inclusive era apontado pelo Carnaval de Avenida como favorito, era bem diferente e muito melhor que o "novo" samba. A letra foi praticamente toda alterada e perdeu força, tornando-se bastante burocrática. Destaque positivo para o refrão do meio, melhor momento do samba.
O samba da Santa Cruz divide opiniões. Alguns o acham irreverente e animado. Outros, como eu, acham mal feito e tosco. É o pior da safra, com uma letra pobre que não desenvolve bem o já mal desenvolvido enredo sobre o radialista Antônio Carlos. A refrão do meio é "trash" e a melodia não traz nenhuma novidade. É bem verdade que é o tipo de samba que gruda no ouvido. Mas está mais pra samba de bloco.
Considerado por muitos como histórico, o samba do Império Serrano em homenagem à Dona Ivone Lara é, sim, muito bom. Mas não acho que seja uma maravilha. Se não fosse pelo extraordinário "laiá laiá" do refrão principal, já perderia muito de seu brilho. A letra é bem simples, sem passagens muito inspiradas. A melodia é agradável mas também não empolga tanto. A força da homenageada e os "laiá laiás" são os responsáveis pela grande exaltação ao samba. Que é muito bom mas não é uma obra-prima.
O Império da Tijuca tem um samba de estrutura diferenciada. A segunda parte tem apenas quatro versos, sendo a primeira bem maior. A melodia é muito bonita e a letra não descreve o enredo sobre lugares utópicos, mas fala sobre ele, como uma exaltação. Tanto que nenhuma vez é citado o nome de alguma das terras imaginárias que a sinopse apresenta. Pixulé fez o samba crescer muito, sendo um dos melhores da safra.
A criticada Inocentes de Belford Roxo levará para a Sapucaí um dos melhores sambas de sua história. O enredo sobra a cidade de Corumbá resultou em um samba muito bonito, tanto em letra quanto em melodia. Na versão dos compositores era melhor ainda, sua melodia era mais pesada. No CD, levantaram muito seus tons, provavelmente para favorecer o bom intérprete Thiago Britto e não correr risco de arrastamento. Mas mesmo assim é uma excelente obra.
A Rocinha desfilará com um samba bem leve, o que é benéfico para sua posição de desfile, segunda da noite. O enredo sobre as praças é criativo e a letra do samba é de fácil assimilação. Não tem muitos atrativos mas é agradável de ouvir. Não se destaca na safra e terá apenas função de servir como trilha para o desfile.
Voltando ao grupo, a Paraíso do Tuiuti homenagerá Clara Nunes com um bom samba, de melodia melhor que a letra. Os dois refrões são os trechos mais marcantes. Nas demais partes, a letra é bem simples e previsível, sem desenvolver muito o enredo. A interpretação de Daniel Silva valoriza bastante a composição. É mais pesada do que o indicado para a primeira escola a desfilar, tendendo a cansar depois de algum tempo de desfile.
De acordo com o Carnaval de Avenida, este é o ranking dos sambas do Grupo A:
1- Viradouro
2- Inocentes de Belford Roxo
3- Império Serrano
4- Império da Tijuca
5- Estácio de Sá
6- Paraíso do Tuiuti
7- Cubango
8- Rocinha
9- Santa Cruz
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Samba de Sampa - 2012
Após apresentar, em 2011, uma de suas melhores safras, o Carnaval de São Paulo volta ter sambas medianos, sem grandes destaques. A safra de 2012 é nivelada por baixo, apesar de conter algumas obras interessantes. Muitos sambas foram prejudicados por seus enredos esdrúxulos, outros não souberam explorar temas bons.
A Vai-Vai, atual campeã, após o histórico samba de 2011, vem com um dos piores de 2012. Patrocinado pela Bombril, o que valeu o verso "é bom brilhar", o enredo sobre as mulheres não teve uma abordagem original ou elaborada. O samba tem alguns momentos melódicos interessantes, mas a letra é muito pobre. A falta de rima no último refrão deu um efeito estranho. Samba bem fraco, abaixo do padrão da escola.
A vice-campeã Tucuruvi, ao contrário da anterior, tem uma das melhores obras do ano. O enredo sobre a África pode ser bem batido, principalmente se levarmos em conta o Carnaval carioca. Mas o samba consegue ter momentos de originalidade, como no final, com o empolgante "ôôô" que leva ao refrão principal, também excelente. O refrão do meio também é muito bom e as variações melódicas de toda a composição são ótimas. Grande samba da Tucuruvi, um dos melhores da escola.
A Vila Maria vai em busca do título inédito com um enredo que envolve mãos, artesanato e era digital, contando ainda com a "tag" #vilamariafeitaàmão no logo do enredo, recurso característico do Twitter. O samba é muito bom, com dois refrões explosivos (apesar do primeiro ter um "que" de oba-oba) e melodia valente. Só no último verso que temos um desfecho melódico mal concluído, mas nada que incomode ou comprometa o conjunto. O termo "online" empobrece a letra, apesar de estar no contexto.
Uma das escolas com melhor safra própria, a Mancha Verde tem o melhor samba de 2012 em São Paulo. Com o enredo sobre a lição de humildade de Odu-Obará, o samba destaca-se pela melodia, bem típica dos sambas paulistanos e muito bonita, dolente e forte. A letra, repleta de nomes de orixás, cumpre seu papel e se adequa à melodia. A interpretação de Freddy Vianna é magistral. E algo louvável na Mancha é o fato de, em nenhum de seus sambas, fazer alusão ao Palmeiras. O vínculo com o clube nunca é demonstrado ou inserido no enredo, o que é muito bom, já que Carnaval não deve se misturar com futebol.
A Gaviões da Fiel, diferente do que faz a Mancha, frequentemente cita o Corinthians em seus enredos. Desta vez, está dentro do contexto, já que a escola homenageará o ex-presidente Lula. Mas o samba, no geral, é fraco. Explora muito pouco e de forma muito simples a vida de Lula, não dando a real dimensão de sua importância para o país. Sem grandes momentos, passa apagado na safra.
O samba da Águia de Ouro sobre a Tropicália cresce na segunda parte, com uma entrada bastante explosiva. A letra desta estrofe também é a melhor parte do samba. Os demais trechos são bastante simples e os refrões não tem muita força. Samba mediano, não se destaca tanto.
A versão concorrente do samba da Mocidade Alegre era excelente, em uma interpretação sensacional de Bruno Ribas. No CD, o limitadíssimo Clóvis Pê tirou muito a força do samba. Com uma interpretação medíocre, deixa a audição cansativa. Tecnicamente o samba é muito bom, mas sua gravação não foi boa. Na versão das eliminatórias, entra na lista dos grandes sambas da Mocidade Alegre. O enredo é sobre Jorge Amado, focando na parte mais mística e religiosa da vida do escritor.
A Rosas de Ouro fará uma homenagem a Roberto Justus com um enredo sobre a Hungria. O samba é fraco, sem momentos marcantes tanto de letra quanto de melodia. Bastante linear, é mais um que não chama atenção e não faz jus à escola. Pode tirar boas notas, pois é correto, mas será esquecido após o Carnaval.
Com um enredo sobre a paz, a Tom Maior vem com um samba muito agradável, bem leve e com algumas boas variações. Conta com uma homenagem ao ex-presidente da agremiação, Marko Antônio da Silva, falecido em maio deste ano, uma das melhores partes da composição. Não é um sambaço mas cumpre seu papel e se destaca na safra.
A X-9 Paulistana apresentará um enredo sobre o Rally dos Sertões, falando sobre os locais do percurso da competição. É um ótimo samba, que melhora depois de alguma audições. O refrão principal é, praticamente, o título do enredo, recurso que não gosto. A primeira parte começa forte e tem boas variações. O "poeira, poeira" da segunda parte, recurso semelhante ao "hey, hey, hey" do samba da Mangueira, é um atrativo a mais na obra.
A sempre injustiçada Pérola Negra tem, como sempre, um dos melhores sambas do ano. Fruto de uma fusão entre as duas obras que mais se destacaram nas eliminatórias, é animado e possui refrões empolgantes para falar da cidade de Itanhaém. Fica um pouco abaixo das últimas obras da Pérola, mas é bom e se destaca na safra.
O Império de Casa Verde, em mais um enredo patrocinado, falará sobre as lentes. A melodia é excelente, mas a letra e pobre e beira o "trash" em alguns momentos, causando uma dualidade estranha. Pena ver uma escola como o Império, que na década passada apresentou tantos bons sambas, precisar de versos como "tô nessa onda de esquimó e vou zoar". Mas a audição vale pela bela melodia.
Campeã do Grupo de Acesso, a Dragões da Real estreia no Especial com um enredo em homenagens às mães. Mas o samba da escola da torcida do São Paulo é o pior da safra. A melodia não tem momentos marcantes e a letra é muito pobre, contando com o verso "tem mãe levando a culpa com os erros do filho no jogo". O refrão principal é a única parte mais interessante, mas no geral o samba é bem ruim.
Voltando à elite, a tradicional Camisa Verde e Branco falará sobre o amor com um samba enorme. A extensa letra, no entanto, é boa, apesar de simples. Conta com alguns clichês que são inevitáveis para o enredo, mas a melodia ajuda muito a deixar a audição interessante, com ótimas variações, sobretudo na segunda parte.
Na opinião do Carnaval de Avenida, este é o ranking dos sambas de São Paulo:
1- Mancha Verde
2- Tucuruvi
3- Mocidade Alegre
4- Vila Maria
5- X-9 Paulistana
6- Pérola Negra
7- Tom Maior
8- Camisa Verde e Branco
9- Águia de Ouro
10- Império de Casa Verde
11- Vai-Vai
12- Rosas de Ouro
13- Gaviões da Fiel
14- Dragões da Real
A Vai-Vai, atual campeã, após o histórico samba de 2011, vem com um dos piores de 2012. Patrocinado pela Bombril, o que valeu o verso "é bom brilhar", o enredo sobre as mulheres não teve uma abordagem original ou elaborada. O samba tem alguns momentos melódicos interessantes, mas a letra é muito pobre. A falta de rima no último refrão deu um efeito estranho. Samba bem fraco, abaixo do padrão da escola.
A vice-campeã Tucuruvi, ao contrário da anterior, tem uma das melhores obras do ano. O enredo sobre a África pode ser bem batido, principalmente se levarmos em conta o Carnaval carioca. Mas o samba consegue ter momentos de originalidade, como no final, com o empolgante "ôôô" que leva ao refrão principal, também excelente. O refrão do meio também é muito bom e as variações melódicas de toda a composição são ótimas. Grande samba da Tucuruvi, um dos melhores da escola.
A Vila Maria vai em busca do título inédito com um enredo que envolve mãos, artesanato e era digital, contando ainda com a "tag" #vilamariafeitaàmão no logo do enredo, recurso característico do Twitter. O samba é muito bom, com dois refrões explosivos (apesar do primeiro ter um "que" de oba-oba) e melodia valente. Só no último verso que temos um desfecho melódico mal concluído, mas nada que incomode ou comprometa o conjunto. O termo "online" empobrece a letra, apesar de estar no contexto.
Uma das escolas com melhor safra própria, a Mancha Verde tem o melhor samba de 2012 em São Paulo. Com o enredo sobre a lição de humildade de Odu-Obará, o samba destaca-se pela melodia, bem típica dos sambas paulistanos e muito bonita, dolente e forte. A letra, repleta de nomes de orixás, cumpre seu papel e se adequa à melodia. A interpretação de Freddy Vianna é magistral. E algo louvável na Mancha é o fato de, em nenhum de seus sambas, fazer alusão ao Palmeiras. O vínculo com o clube nunca é demonstrado ou inserido no enredo, o que é muito bom, já que Carnaval não deve se misturar com futebol.
A Gaviões da Fiel, diferente do que faz a Mancha, frequentemente cita o Corinthians em seus enredos. Desta vez, está dentro do contexto, já que a escola homenageará o ex-presidente Lula. Mas o samba, no geral, é fraco. Explora muito pouco e de forma muito simples a vida de Lula, não dando a real dimensão de sua importância para o país. Sem grandes momentos, passa apagado na safra.
O samba da Águia de Ouro sobre a Tropicália cresce na segunda parte, com uma entrada bastante explosiva. A letra desta estrofe também é a melhor parte do samba. Os demais trechos são bastante simples e os refrões não tem muita força. Samba mediano, não se destaca tanto.
A versão concorrente do samba da Mocidade Alegre era excelente, em uma interpretação sensacional de Bruno Ribas. No CD, o limitadíssimo Clóvis Pê tirou muito a força do samba. Com uma interpretação medíocre, deixa a audição cansativa. Tecnicamente o samba é muito bom, mas sua gravação não foi boa. Na versão das eliminatórias, entra na lista dos grandes sambas da Mocidade Alegre. O enredo é sobre Jorge Amado, focando na parte mais mística e religiosa da vida do escritor.
A Rosas de Ouro fará uma homenagem a Roberto Justus com um enredo sobre a Hungria. O samba é fraco, sem momentos marcantes tanto de letra quanto de melodia. Bastante linear, é mais um que não chama atenção e não faz jus à escola. Pode tirar boas notas, pois é correto, mas será esquecido após o Carnaval.
Com um enredo sobre a paz, a Tom Maior vem com um samba muito agradável, bem leve e com algumas boas variações. Conta com uma homenagem ao ex-presidente da agremiação, Marko Antônio da Silva, falecido em maio deste ano, uma das melhores partes da composição. Não é um sambaço mas cumpre seu papel e se destaca na safra.
A X-9 Paulistana apresentará um enredo sobre o Rally dos Sertões, falando sobre os locais do percurso da competição. É um ótimo samba, que melhora depois de alguma audições. O refrão principal é, praticamente, o título do enredo, recurso que não gosto. A primeira parte começa forte e tem boas variações. O "poeira, poeira" da segunda parte, recurso semelhante ao "hey, hey, hey" do samba da Mangueira, é um atrativo a mais na obra.
A sempre injustiçada Pérola Negra tem, como sempre, um dos melhores sambas do ano. Fruto de uma fusão entre as duas obras que mais se destacaram nas eliminatórias, é animado e possui refrões empolgantes para falar da cidade de Itanhaém. Fica um pouco abaixo das últimas obras da Pérola, mas é bom e se destaca na safra.
O Império de Casa Verde, em mais um enredo patrocinado, falará sobre as lentes. A melodia é excelente, mas a letra e pobre e beira o "trash" em alguns momentos, causando uma dualidade estranha. Pena ver uma escola como o Império, que na década passada apresentou tantos bons sambas, precisar de versos como "tô nessa onda de esquimó e vou zoar". Mas a audição vale pela bela melodia.
Campeã do Grupo de Acesso, a Dragões da Real estreia no Especial com um enredo em homenagens às mães. Mas o samba da escola da torcida do São Paulo é o pior da safra. A melodia não tem momentos marcantes e a letra é muito pobre, contando com o verso "tem mãe levando a culpa com os erros do filho no jogo". O refrão principal é a única parte mais interessante, mas no geral o samba é bem ruim.
Voltando à elite, a tradicional Camisa Verde e Branco falará sobre o amor com um samba enorme. A extensa letra, no entanto, é boa, apesar de simples. Conta com alguns clichês que são inevitáveis para o enredo, mas a melodia ajuda muito a deixar a audição interessante, com ótimas variações, sobretudo na segunda parte.
Na opinião do Carnaval de Avenida, este é o ranking dos sambas de São Paulo:
1- Mancha Verde
2- Tucuruvi
3- Mocidade Alegre
4- Vila Maria
5- X-9 Paulistana
6- Pérola Negra
7- Tom Maior
8- Camisa Verde e Branco
9- Águia de Ouro
10- Império de Casa Verde
11- Vai-Vai
12- Rosas de Ouro
13- Gaviões da Fiel
14- Dragões da Real
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
B de decepção
A primeira vez que ouvi um CD com sambas do grupo B foi em 2007. E vários sambaços passaram pela Sapucaí na terça-feira daquele ano, como os de Independente da Praça da Bandeira, Vizinha Faladeira e Inocentes de Belford Roxo. Mas não sei se esse foi um ano atípico ou se a partir daí que a safra da terceira divisão do Carnaval começou a degringolar. Ano a ano, os sambas só caíram de nível, e em 2012 teremos a pior safra desde então.
Na primeira faixa, a primeira grande decepção. A União do Parque Curicica é uma das agremiações que mais gosto, me conquistou com o excelente samba de 2008, sobre a água. E sempre traz bons sambas, além de ser uma escola promissora, já tendo batido na trave do acesso algumas vezes. O samba de 2012 é bem mediano. Tem alguns poucos momentos interessantes de melodia e uma letra bem fraca, com uma segunda parte imensa. O verso "mas todo cuidado é pouco quando rola um carteado" é só um dos exemplos da pobreza do samba.
Em seguida, temos a Unidos de Padre Miguel, que pelo segundo ano consecutivo vem com um dos mais fracos sambas do grupo. Burocrático até dizer chega, não tem nenhum atrativo. Letra chata e melodia cansativa. Outra decepção, já que depois de ouvir os sambas de 2007 e 2008 da vermelha e branca, sempre vamos esperar obras no mesmo nível.
A faixa do Arranco é um alívio. A escola, pelo segundo ano seguido, traz um dos melhores sambas do grupo, mas, infelizmente, em 2012 isso não quer dizer muita coisa. Não é uma maravilha mas é uma boa obra para um enredo "repetido", já que o Arranco também fez um desfile sobre a dança em 2008. O refrão do meio é muito bom, a melhor parte.
Em seguida, outra decepção de outra escola que gosto bastante. O Sereno de Campo Grande, mais uma agremiação promissora, vem com um samba bem aquém do que tem feito nos últimos Carnavais, sobre um enredo que proporciona grandes possibilidades poéticas: a noite. Mas a obra é medíocre e conta com versos como "seja no luxo ou na roça, é pra curtir". A melodia tem algumas partes legais, mas não compensam.
A União de Jacarepaguá tem o melhor samba do Grupo B. Fruto de uma fusão de TRÊS sambas, possui uma melodia bem interessante, com momentos bem bacanas, sobretudo na primeira parte. E é encorpado, sem versos pobres. Não é maravilhoso mas fica bem acima dos demais.
A Tradição conseguiu a façanha de ter um samba onde TODOS, SIMPLESMENTE TODOS os versos possuem A MESMA melodia. O que muda é o tom, mas a melodia de todos é igual. Isso fica bem claro na segunda parte, onde os versos são pausados no meio. Na primeira é menos perceptível porque os versos foram fragmentados. Mas o samba todo tem apenas uma melodia. Expressões como "ziraldar" e "comequieto" terminam de destruir a obra. Desta vez a encomenda não deu certo. E é frustrante, já que em 2011 a escola apresentou um dos melhores sambas do ano.
A Difícil é o Nome é uma decepção porque podia ter o melhor samba do grupo, disparado. A obra concorrente de Diego Nicolau era sensacional, não entendo porque não venceu. Ao invés disso, a escola resolver fazer o de sempre e levar pro desfile um samba bem fraco. Incompreensível.
Sobre a Mocidade de Vicente de Carvalho, não consigo acreditar que este seja o melhor que sua ala de compositores possa oferecer. Pior do ano.
A Caprichosos, como se esperava, vem com um samba repleto de versos para elevar a sua auto-estima. Esperava um pouco mais, mas o samba acaba se destacando na péssima safra. O refrão principal é viciante e muito bem sacado com seu "quem comeu, comeu, quem não comeu não come mais". A segunda parte é razoável. E só.
O samba da Alegria da Zona Sul também se destaca pelo nível da safra ser fraco. A melodia tem variações bem interessantes e diferentes. Na segunda parte há trechos que parece que atravessam o samba. Mas acredito (e espero) que sejam apenas desenhos menos comuns. A letra fica abaixo da melodia mas não é de todo ruim.
Fechando o CD, a Vila Santa Tereza volta à Sapucaí com um samba fraco para um enredo que não ajuda: os brinquedos. Uma clara intenção de fazer um desfile leve e de fácil compreensão. O samba, fruto de fusão, leva a assinatura de Cláudio Russo. Mas a letra é pobre e possui versos sem nexo, soltos, como no refrão principal: "Hoje eu quero brincar, amor/ Sou Santa Tereza/ Encantar seu coração/ Aperte o play da diversão". De interessante, a melodia do refrão do meio.
Safra tenebrosa para um grupo que tende a ficar cada vez mais competitivo. As escolas precisam abrir o olho, porque com o enxugamento de grupos que vem sendo planejado, cada quesito vai ser de suma importância para quem quiser continuar na Sapucaí e almejar degraus mais altos. Enredos melhores e sambas melhores. Não custam caro e nós gostamos. Vocês são capazes de fazer bem mais do que isso ai.
Na primeira faixa, a primeira grande decepção. A União do Parque Curicica é uma das agremiações que mais gosto, me conquistou com o excelente samba de 2008, sobre a água. E sempre traz bons sambas, além de ser uma escola promissora, já tendo batido na trave do acesso algumas vezes. O samba de 2012 é bem mediano. Tem alguns poucos momentos interessantes de melodia e uma letra bem fraca, com uma segunda parte imensa. O verso "mas todo cuidado é pouco quando rola um carteado" é só um dos exemplos da pobreza do samba.
Em seguida, temos a Unidos de Padre Miguel, que pelo segundo ano consecutivo vem com um dos mais fracos sambas do grupo. Burocrático até dizer chega, não tem nenhum atrativo. Letra chata e melodia cansativa. Outra decepção, já que depois de ouvir os sambas de 2007 e 2008 da vermelha e branca, sempre vamos esperar obras no mesmo nível.
A faixa do Arranco é um alívio. A escola, pelo segundo ano seguido, traz um dos melhores sambas do grupo, mas, infelizmente, em 2012 isso não quer dizer muita coisa. Não é uma maravilha mas é uma boa obra para um enredo "repetido", já que o Arranco também fez um desfile sobre a dança em 2008. O refrão do meio é muito bom, a melhor parte.
Em seguida, outra decepção de outra escola que gosto bastante. O Sereno de Campo Grande, mais uma agremiação promissora, vem com um samba bem aquém do que tem feito nos últimos Carnavais, sobre um enredo que proporciona grandes possibilidades poéticas: a noite. Mas a obra é medíocre e conta com versos como "seja no luxo ou na roça, é pra curtir". A melodia tem algumas partes legais, mas não compensam.
A União de Jacarepaguá tem o melhor samba do Grupo B. Fruto de uma fusão de TRÊS sambas, possui uma melodia bem interessante, com momentos bem bacanas, sobretudo na primeira parte. E é encorpado, sem versos pobres. Não é maravilhoso mas fica bem acima dos demais.
A Tradição conseguiu a façanha de ter um samba onde TODOS, SIMPLESMENTE TODOS os versos possuem A MESMA melodia. O que muda é o tom, mas a melodia de todos é igual. Isso fica bem claro na segunda parte, onde os versos são pausados no meio. Na primeira é menos perceptível porque os versos foram fragmentados. Mas o samba todo tem apenas uma melodia. Expressões como "ziraldar" e "comequieto" terminam de destruir a obra. Desta vez a encomenda não deu certo. E é frustrante, já que em 2011 a escola apresentou um dos melhores sambas do ano.
A Difícil é o Nome é uma decepção porque podia ter o melhor samba do grupo, disparado. A obra concorrente de Diego Nicolau era sensacional, não entendo porque não venceu. Ao invés disso, a escola resolver fazer o de sempre e levar pro desfile um samba bem fraco. Incompreensível.
Sobre a Mocidade de Vicente de Carvalho, não consigo acreditar que este seja o melhor que sua ala de compositores possa oferecer. Pior do ano.
A Caprichosos, como se esperava, vem com um samba repleto de versos para elevar a sua auto-estima. Esperava um pouco mais, mas o samba acaba se destacando na péssima safra. O refrão principal é viciante e muito bem sacado com seu "quem comeu, comeu, quem não comeu não come mais". A segunda parte é razoável. E só.
O samba da Alegria da Zona Sul também se destaca pelo nível da safra ser fraco. A melodia tem variações bem interessantes e diferentes. Na segunda parte há trechos que parece que atravessam o samba. Mas acredito (e espero) que sejam apenas desenhos menos comuns. A letra fica abaixo da melodia mas não é de todo ruim.
Fechando o CD, a Vila Santa Tereza volta à Sapucaí com um samba fraco para um enredo que não ajuda: os brinquedos. Uma clara intenção de fazer um desfile leve e de fácil compreensão. O samba, fruto de fusão, leva a assinatura de Cláudio Russo. Mas a letra é pobre e possui versos sem nexo, soltos, como no refrão principal: "Hoje eu quero brincar, amor/ Sou Santa Tereza/ Encantar seu coração/ Aperte o play da diversão". De interessante, a melodia do refrão do meio.
Safra tenebrosa para um grupo que tende a ficar cada vez mais competitivo. As escolas precisam abrir o olho, porque com o enxugamento de grupos que vem sendo planejado, cada quesito vai ser de suma importância para quem quiser continuar na Sapucaí e almejar degraus mais altos. Enredos melhores e sambas melhores. Não custam caro e nós gostamos. Vocês são capazes de fazer bem mais do que isso ai.
domingo, 4 de dezembro de 2011
Algumas coisas...
...Vão dar uma mudada por aqui.
Não posto há algum tempo porque o fim do período tomou bastante do meu tempo.
Mas a partir desta semana pretendo retomar.
Mas de uma forma diferente. Talvez um pouco mais informal, mais opinativa e falando sobre mais assuntos.
Na verdade não sei bem, mas vamos vendo como fica.
Peço desculpas às escolas que não tiveram seus sambas-enredo analisados nos mesmos moldes das outras: Cubango, Mocidade, União da Ilha, Imperatriz, Beija-Flor, Santa Cruz, Viradouro, Império da Tijuca, Estácio e Inocentes.
Ainda falarei deles, claro, mas de outra forma. Assim como também falarei novamente sobre as demais, já que, agora, com CD's lançados, algumas impressões mudaram.
E é isso aí, ainda esta semana volto pra falar sobre o CD do Especial.
Abraços!
"Corra e olhe o céu
Que o sol vem trazer
Bom dia..."
Não posto há algum tempo porque o fim do período tomou bastante do meu tempo.
Mas a partir desta semana pretendo retomar.
Mas de uma forma diferente. Talvez um pouco mais informal, mais opinativa e falando sobre mais assuntos.
Na verdade não sei bem, mas vamos vendo como fica.
Peço desculpas às escolas que não tiveram seus sambas-enredo analisados nos mesmos moldes das outras: Cubango, Mocidade, União da Ilha, Imperatriz, Beija-Flor, Santa Cruz, Viradouro, Império da Tijuca, Estácio e Inocentes.
Ainda falarei deles, claro, mas de outra forma. Assim como também falarei novamente sobre as demais, já que, agora, com CD's lançados, algumas impressões mudaram.
E é isso aí, ainda esta semana volto pra falar sobre o CD do Especial.
Abraços!
"Corra e olhe o céu
Que o sol vem trazer
Bom dia..."
sábado, 5 de novembro de 2011
Samba-enredo 2012 - Acadêmicos do Grande Rio
Para mostrar toda a sua superação, a Grande Rio levará para a Sapucaí o samba de Edispuma, Foca, Licinho Jr. e Marcelinho Santos, campeões pelo segundo ano consecutivo. Favorito desde o início da disputa, inclusive sendo apontado pelo Carnaval de Avenida como aposta para a vitória, o samba conquistou a torcida e os componentes da tricolor de Caxias em uma safra que não possuia muitos concorrentes a altura.
"Quem me viu chorar, vai me ver sorrir" é o cartão de visitas do samba. Um dos refrões mais fortes do ano, onde a escola mostra a que veio. A palavra "desafio", que a princípio pode soar meio forçada, apenas para rimar com Grande Rio, pode fazer uma menção à uma exaltação à escola, que inclusive abre a faixa gravada pelos compositores: "se for falar de amor, aceito o desafio...". A letra da obra é uma verdadeira prece motivacional, que mexe ainda mais com os brios por ser em primeira pessoa, inserindo quem canta no contexto do enredo. E é emocionante para quem se identifica de alguma forma com as histórias de superação, criando uma grande identificação do público com a escola.
Assim como a sinopse, o samba é bastante subjetivo. A escola irá homenagear diversas personalidades, mas nenhuma delas é explicitamente citada. Após a escolha da obra vencedora, a direção da agremiação optou por fazer uma pequena mudança no verso "faço da vida um grande festival". Trocou para "em Parintins, um grande festival", em menção ao levantador de toadas David Assayag, homenageado no enredo. É o único personagem mais claramente identificado. Algo um pouco injustificável, já que Parintins, como todo o resto, já estava subjetivamente incluso na letra, justamente no verso do festival. Além disso, os versos anteriores já poderiam ser entendidos como menção à David, que é deficiente visual: "posso enxergar, sei que meu coração vai me guiar". Do jeito que ficou, acabou destoando um pouco, já que é a única parte objetiva da obra, e deu a David mais destaque que aos outros.
A melodia se destaca nos dois refrões, onde ganha mais força. Na passagem do refrão para o início da primeira parte, há uma mudança mais brusca no ritmo, que dá uma caída. Mas segue corretamente em toda a extensão da obra, não sendo linear e encaixando muito bem na voz do intérprete Wantuir, algo que os últimos sambas da Grande Rio não tinham conseguido perfeitamente. Sendo a última escola a desfilar, a tricolor possui um samba com capacidade de manter a animação do público e dos componentes, sendo mais suave mas com momentos de explosão.
A mensagem de superação da Grande Rio irá encerrar os desfile do Grupo Especial do Rio. Certamente é uma das escolas mais aguardadas, por todas as dificuldades que passou no último Carnaval. A apresentação promete ser emocionante, até pelo fato dos desfiles da escola serem sempre muito bons e cada vez mais a aproximam do título. Com todo a aura emocional que a envolverá, é muito provável que virá bastante forte. "Eu tô sentindo que chegou a nossa hora" é o que diz o samba. E é melhor não duvidar dos "guerreiros do bem" de Caxias.
ACADÊMICOS DO GRANDE RIO - 2012
Enredo: Eu acredito em você! E você?
Compositores: Edispuma, Foca, Licinho Jr. e Marcelinho Santos
A luz que vem do céu
Brilhou no meu olhar
Trazendo a esperança
Que os anjos vêm anunciar
Lutar sem desistir
Das cinzas renascer
Eu encontrei na fé
A força pra vencer
A felicidade mandou avisar
É preciso superar
Derrubar o “gigante” eu vou
É lição de coragem e amor
Eu sou “guerreiro do bem”, vou caminhar
A minha história vai te emocionar
A arte de viver
É aprender no dia a dia
Usando a imaginação
Ao som da melodia
Posso enxergar
Sei que meu coração vai me guiar
Eu sigo em frente sem desanimar
Em Parintins, um grande festival
Acreditar que pra sonhar não há limitações
A “roda gira” e traz a solução
Me dê a sua mão por liberdade
Sou brasileiro, mandei a tristeza embora
Eu “tô” sentindo que chegou a nossa hora
Quem me viu chorar, vai me ver sorrir
Eu acredito em você pro desafio
E abro meu coração, cantando a minha emoção
Superação é o carnaval da Grande Rio
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Samba-enredo 2012 - Unidos de Vila Isabel
O canto livre de Angola vai ser embalado pelo samba de André Diniz, Arlindo Cruz, Artur das Ferragens, Evandro Bocão e Leonel. A parceria multicampeã levou mais uma, com um dos melhores sambas do Carnaval 2012. Era a obra apontada como favorita pelo Carnaval de Avenida e teve vitória relativamente fácil, sobrando nas apresentações na quadra.
O samba tem uma letra muito forte e imponente. Começa tirando um pouco o foco do enredo e fazendo menção à "Kizomba", enredo de 1988 da Vila, que deu o primeiro título à escola. Sem dúvidas é uma passagem que mexe com os brios dos componentes. O fim da estrofe tem uma variação muito boa, mais afro, que é quase uma conclamação. Aliás, o samba é todo feito para se bater no peito e cantar: "somos a pura raíz do samba", "somos cultura que embarca", "temos o sangue de Angola correndo na veia", "vibra, oh, minha Vila". Não faltam versos aguerridos, que dão ainda mais imponência ao samba e contagia quem canta.
A estrutura da composição é diferenciada, contendo apenas com um refrão. A estrofe central não se repete, o que dá ainda mais dinamismo e fluência ao canto. Ao final da segunda parte, o momento de maior risco da obra: os contracantos. Os últimos versos possuem trechos entre aspas, com melodia diferente, para serem cantados pelo coro em resposta ao intérprete. Algo que pode tirar o sono dos diretores de harmonia, mas que, se der certo, poderá proporcionar um efeito muito bonito. A primeira versão do samba de Martinho da Vila para o enredo sobre Noel Rosa, em 2010, também possuia contracantos. Eram bem mais complexos que os do samba de 2012 e acabaram sendo excluidos ainda no início das eliminatórias. Desta vez, a escola vai arriscar.
O único refrão é a parte mais suave do samba. Apesar de ser bastante melodioso e até dolente, possui ritmo bem marcado e forte como a letra. O enredo é bem contado e de fácil compreensão, até pelo fato da história dos escravos vindos da África para o Brasil e dando origem ao samba já ser mais do que conhecida pelos sambistas. No último verso, lembrança a Martinho da Vila, grande baluarte da escola, que é Embaixador Cultural de Angola no Brasil.
Dando sequência a sua brilhante safra recente, a Vila Isabel novamente apresenta uma obra de muita qualidade. Muitos torceram o nariz para mais uma vitória de André Diniz, mas é inegável que os sambas de sua parceria são sempre excelentes. Não há como contestar qualquer uma de suas vitórias. Em 2012, a Vila terá uma oportunidade única: ser a última a desfilar em um dia com sete escola se apresentando. Com 13 escolas no Especial devido à ausência de rebaixamento em 2011, o domingo de Carnaval terá sete escolas, como antigamente. Logo, a escola de Noel provavelmente desfilará já com dia claro. Com o enredo e o samba que tem, o público que permanecer na Sapucaí para prestigiar a azul e branca certamente presenciará um dos momentos mais bonitos do Carnaval 2012.
UNIDOS DE VILA ISABEL - 2012
Enredo: Você semba lá... Que eu sambo cá! O canto livre de Angola
Compositores: André Diniz, Arlindo Cruz, Artur das Ferragens, Evandro Bocão e Leonel
Vibra, oh, minha Vila
A sua alma tem negra vocação
Somos a pura raiz do samba
Bate meu peito à sua pulsação
Incorpora outra vez Kizomba e segue na missão
Tambor africano ecoando, solo feiticeiro
Na cor da pele, o negro
Fogo aos olhos que invadem
Pra quem é de lá
Forja o orgulho, chama pra lutar
Reina ginga ê matamba, vem ver a lua de Luanda nos guiar
Reina ginga ê matamba, negra de Zambi, sua terra é seu altar
Somos cultura que embarca
Navio negreiro, correntes da escravidão
Temos o sangue de Angola
Correndo na veia, luta e libertação
A saga de ancestrais
Que por aqui perpetuou
A fé, os rituais, um elo de amor
Pelos terreiros (dança, jongo, capoeira)
Nascia o samba (ao sabor de um chorinho)
Tia Ciata embalou
Com braços de violões e cavaquinhos a tocar
Nesse cortejo (a herança verdadeira)
A nossa Vila (agradece com carinho)
Viva o povo de Angola e o negro Rei Martinho
Semba de lá, que eu sambo de cá
Já clareou o dia de paz
Vai ressoar o canto livre
Nos meus tambores, o sonho vive
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Samba-enredo 2012 - Unidos da Tijuca
Luiz Gonzaga será coroado rei do sertão ao som do samba de Vadinho, Josemar Manfredini, Jorge Calado, Silas Augusto e Cesinha. A parceria encerrou a supremacia de Julio Alves e Totonho na Unidos da Tijuca, conquistando a torcida e fazendo apresentações arrebatadoras na quadra. O Carnaval de Avenida destacou a obra como uma das melhores da disputa na agremiação do Borel.
A letra é mais elaborada e menos subjetiva do as dos últimos sambas da Tijuca. Não depende do desfile para se fazer entender, até pelo enredo ser diferente do que Paulo Barros vinha apresentando. Há certo exagero na utilização dos termos e expressões nordestinas. Apesar de serem pertinentes, podem causar certa confusão e serem cantadas de forma errada. Trechos entre aspas também são recorrentes, fazendo alusão às canções de Luiz Gonzaga. Também estão adequados ao enredo mas simbolizam certa falta de criatividade, já que são versos prontos apenas encaixados na letra.
Apesar de não ser forte poeticamente e não ter momentos expressivos, se destaca por sua melodia. Sempre pra cima e com boas variações, torna a obra contagiante e a destaca entre os demais sambas do ano. O único trecho menos agradável é o refrão principal, que tem um tom elevado demais, sendo cantado quase que aos berros. Mas é algo que pode ser corrigido na versão definitiva, inclusive se adequando mais a voz de Bruno Ribas.
Os trechos com aspas acabam se destacando melodicamente, por lembrarem as músicas de Luiz Gonzaga em ritmo semelhante às mesmas. O "chuva, sol" da primeira parte e o "simbora que a noite já vem, saudades do meu São João" da segunda são os momentos de melhor variação, tendo até um caráter mais dolente que os demais versos. No conjunto, é bastante correta e adequada a um enredo leve e bem animado. Um desafio para a escola e seu carnavalesco, que viverão uma mudança estilística brusca do que vinham fazendo.
Apesar de provavelmente não fazer parte dos grandes sambas tijucanos, a obra de 2012 é uma evolução no engessamento que a escola estava impondo a si mesma. A começar pela derrota dos compositores que sempre venciam, apesar do samba deles ter sido um dos melhores que já fizeram. Bem aceito pela comunidade e imensamente melhor que o de 2011, tem capacidade de crescer e ser um dos destaque do ano. Algumas pequenas alterações na letra foram feitas, já presentes na versão abaixo. O áudio ainda é o dos compositores.
UNIDOS DA TIJUCA - 2012
Enredo: O dia em que toda a realeza desembarcou na Avenida para coroar o Rei Luiz do Sertão
Compositores: Vadinho, Josemar Manfredini, Jorge Calado, Silas Augusto e Cesinha
Nessa viagem arretada
“Lua” clareia a inspiração
Vejo a realeza encantada
Com as belezas do Sertão
“Chuva, sol”, meu olhar
Brilhou em terra distante
Ai, que visão deslumbrante, se avexe não
Muié rendá é rendeira
E no tempero da feira
O barro, o mestre, a criação
Mandacaru, a flor do cangaço
Tem “xote menina” nesse arrasta pé
Oh! Meu Padim, santo abençoado
É promessa, eu pago, me guia na fé
Em cada estação, a “triste partida”
Eu vi no caminho vida severina
À margem do Chico espantei o mal
Bordando o folclore, raiz cultural
Simbora que a noite já vem, “saudades do meu São João”
“Respeita Véio Januário, seus oito baixo tinhoso que só”
“Numa serenata” feliz vou cantar
No meu Pé de Serra festejo ao luar
Tijuca, a luz do arauto anuncia
Na carruagem da folia, hoje tem coroação
A minha emoção vai te convidar
Canta Tijuca, vem comemorar
“Inté Asa Branca” encontra o pavão
Pra coroar o “Rei do Sertão”
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