quinta-feira, 10 de maio de 2012

Desfiles 2012 - Imperatriz Leopoldinense



A Imperatriz fez um lindo desfile, prejudicado pelos problemas em alegorias, que acabaram comprometendo a evolução e o conjunto, e a já famosa falta de canto de seus componentes. A péssima colocação da agremiação, décimo lugar, ainda saiu barato diante dos erros cometidos. Plasticamente, sobretudo em alegorias, a escola veio muito bonita. O samba não tinha uma letra muito boa tecnicamente, apesar de poética, mas funcionou bem. No entanto, a Imperatriz segue sem fazer um desfile convincente.

COMISSÃO DE FRENTE: Excelente, segunda melhor do Especial. Com coreografia bem feita e impactante, abriu bem o desfile da verde e branco. A utilização do carrossel, pertencente ao livro "Capitães da Areia", foi uma ótima sacada.

ALEGORIAS E ADEREÇOS: Muito bonito o conjunto alegórico da Imperatriz. Uma pena o problema do último carro, onde uma das casas que o compunham afundou. Apesar de pequenos, todos estavam bem acabados e com muitos detalhes. Detalhe para a imensa baiana do quarto carro, que se movia de acordo com o andar da alegoria. A escultura de Xangô, na sexta composição, também estava muito bonita.

FANTASIAS: Sem muito luxo, mas estavam bem feitas. Porém, algumas alas deixaram a desejar. Em certas fantasias foi escrito o nome do que representavam, como na ala do livro "Gabriela", quando o nome da personagem vinha na ombreira. Um artifício que empobrece o conjunto, já que não proporciona uma solução criativa para a fantasia, que deixe implícito o seu significado e, ao mesmo tempo, facilite seu entendimento. Destaque para as baianas, que, diferente do que fez a Portela, vieram fantasiadas de baianas mesmo e como personagens importantes do enredo, no setor da lavagem do Bonfim.

ENREDO: O desenvolvimento do enredo acabou dando mais destaque à Bahia do que a Jorge Amado. Claro que é impossível desvincula-los, mas a história de vida do escritor e suas obras acabaram compactados demais e pouco explorados.

SAMBA-ENREDO: Por culpa do enredo, acabou dando mais foco à Bahia. Jorge Amado é meramente citado, sem uma abordagem mais profunda. Tem uma letra muito bonita e poética, apesar do refrão ser "oba-oba". Muito vibrante, funcionou bem para o desfile.

HARMONIA: Um dos calcanhares de Aquiles da escola. Poucas foram as alas que cantaram. Conhecida por trazer muitos componentes de fora da comunidade, a Imperatriz acaba sacrificando os quesitos técnicos e perdendo pontos muito importantes na apuração.

EVOLUÇÃO: Outro ponto fraco da agremiação. Muitas alas passaram mortas, com componentes mais preocupados em aparecer nas câmeras do que em cantar e evoluir. Em certos momentos, buracos foram abertos ao longo do desfile, provavelmente devido ao problema com alegorias na concentração.

CONJUNTO: Visualmente linda, a escola só se prejudicou nos quesitos técnicos e devido ao problema com a última alegoria, o que também acabou gerando buracos. Marcante a utilização de cores no desfile. Samba contagiante que, infelizmente, não foi muito cantado.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA: Fizeram uma apresentação pouco fluente e um pouco insegura. A coreografia era muito pausada, pouco coesa. A fantasia era colorida demais, gerando certa poluição visual.

BATERIA: Como jé é de costume, fez uma excelente apresentação. Destaque para os timbais. Com muitas e bem executadas paradinhas, a Swing da Leopoldina foi um dos pontos altos do desfile.

domingo, 6 de maio de 2012

Desfiles 2012 - Portela



Aquém das expectativas, o desfile da Portela foi bom tecnicamente mas deixou a desejar na parte plástica. Sobretudo em alegorias, algumas muito pobres e de gosto duvidoso. O excelente e badalado samba impulsionou quesitos como harmonia e evolução, e a Portela conseguiu voltar ao desfile das campeãs na sexta colocação.

COMISSÃO DE FRENTE: Uma das melhores do grupo Especial, muito emocionante. Com orixás, baianas e Clara Nunes, cumpriu perfeitamente o papel de introduzir o enredo. Destaque para o momento em que as baianas parecem "incorporar".

ALEGORIAS E ADEREÇOS: A Portela trouxe um conjunto fraco. O abre-alas foi o melhor carro, com destaque para as milhares de fitas amarradas pelos próprios componentes. Os demais eram muito simples e pobres, como o do São João. O tripé que trazia brinquedos e bonecas é o cúmulo do mau gosto. Já o pede passagem que trazia a águia poderia ter um pouco mais de decoração em sua base.

FANTASIAS: Sem grandes destaques, as fantasias portelenses se alternavam entre luxuosas e mais simples. Destaque negativo para a ala das baianas, que remetiam ao mar e vieram à frente do carro de Iemanjá. Em um enredo sobre a Bahia, era de se esperar que as baianas viessem com alguma relevância maior, talvez caracterizadas como tais, de fato. A fantasia parecia um monte de algas, não ficou legal. A fantasia da bateria, simbolizando os Filhos de Ghandi, é um exemplo de funcionalidade e adequação ao enredo, muito bonita e leve.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA: Um dos melhores casais do Especial, com excelente fantasia e coreografia.

SAMBA-ENREDO: Segundo melhor do ano e o que pode ser um marco na produção do samba-enredo daqui pra frente. Na Avenida, não rendeu tão bem quanto era esperado. Mas é muito bonito, tem sacadas muito boas como no verso de "Nossa Senhora Iemanjá" e traz novas soluções melódicas que podem ajudar a dar uma renovada nas fórmulas engessadas que vinham sendo utilizadas. Que as outras escolas copiem e ousem como a Portela fez.

HARMONIA: Funcionou muito bem, ajudada pelo samba. Uma ou outra ala não favoreceu, mas no geral a escola cantou bastante.

EVOLUÇÃO: Se não foi perfeita, chegou perto. Forte tecnicamente, o desfile da Portela fluiu.

CONJUNTO: Prejudicado apenas pelo fraco conjunto alegórico. Visualmente, foi um desfile pouco consistente e sem momentos marcantes.

ENREDO: A Bahia e seus rituais e festas foram bem representados, mesmo que com soluções um pouco duvidosas em certos momentos.

BATERIA: Vibrante e empolgante, com bossas muito bem realizadas. Um show da Tabajara do Samba, uma das melhores baterias do ano.

sábado, 5 de maio de 2012

Desfiles 2012 - Renascer de Jacarepaguá



Em sua estreia no Grupo Especial, a Renascer fez um desfile compatível com suas possibilidades financeiras e dentro do esperado para uma escola sem experiência no grupo. Errou muito, mas também acertou em alguns quesitos. O rebaixamento pode ter sido exagerado, tendo pesado o pouco nome da escola. Mas a comunidade de Jacarepaguá pode se orgulhar de ter feito uma passagem digna na elite, e pode estar certa de que tem totais condições de voltar em breve.

COMISSÃO DE FRENTE: Com uma coreografia simples e sem impacto, a comissão da Renascer não se destacou entre as demais. O efeito das latas de tinta rodando era interessante, sobretudo vistas de longe. Mas a apresentação em si foi fraca. O ápice foi a formação do nome da escola com as letras em neon, que muitas vezes falhavam. 

MESTRE-SALA E PORTA BANDEIRA: A apresentação foi insegura e demonstrou muito nervosismo. Algo compreensível diante da responsabilidade de estrear no Especial sendo os primeiros da noite, mas que fez a escola perder pontos preciosos. A fantasia era bonita e seguia o padrão do abre-alas.  

ALEGORIAS E ADEREÇOS: O abre-alas foi a melhor alegoria da escola, grande e impactante. Todo em branco, com luzes que davam um efeito de mudança de cor, abriu bem o desfile da Renascer. Possuía falhas de acabamento nas engrenagens, com partes de ferro à mostra. O segundo carro, da medusa, também foi muito bem concebido. A partir daí, as demais alegorias ficaram um pouco repetitivas e menos imponentes. Muitas esculturas remetendo às pinturas de Romero Britto e poucas novidades. O carro da pirâmide do Louvre era muito pobre e destoou muito dos demais. No terceiro carro, camas elásticas vinham acopladas, sem muito significado. O último carro, que trazia Romero Britto, trouxe de volta o bom gosto do início. 

FANTASIAS: De fácil assimilação, porém muito simples, mostraram perfeitamente a falta de recursos da escola. Detalhe negativo para a fantasia das baianas, que era muito pesada e comprometeu a evolução da ala. Elas não conseguiam nem girar durante todo o refrão. Muitas fantasias se limitavam a tecidos colados ao corpo, sem mais elementos decorativos, o que as deixava muito pobres. Excessivas menções à gravuras de Romero também as tornavam repetitivas. 

SAMBA-ENREDO: Funcionou perfeitamente para o desfile e fluiu bem durante a passagem da escola. Tem trechos melódicos interessantes, como o começo da primeira parte, final do segundo refrão e, sobretudo, a partir do verso "Do alto do morro..." até o final do samba. A letra só compromete no termo "pop arte", que não soa tão bem para um samba-enredo. 

ENREDO: A história de Romero Britto não se mostrou suficiente para preencher um desfile de grupo Especial. No Acesso teria dado mais certo. Muitas passagens do enredo estavam ali para "encher linguiça", o que comprometeu a produção de fantasias, alegorias e até do samba. Prova disso é o começo do desfile, com diversas alas representando a descoberta das cores por Romero. O segundo setor, sobre a relação de Romero com Caravaggio, também ficou forçado. A iniciativa de retratar a vida de Romero Britto, pouco conhecido no Brasil, é louvável, mas o momento não era adequado. 

HARMONIA: A maioria das alas cantou bem, mas a harmonia não foi perfeita em todo o desfile. Algumas alas, sobretudo na metade da escola, desfilaram com menos vibração. 

EVOLUÇÃO: Apenas uma corridinha no final atrapalhou o andamento do desfile, que no geral foi bom. Algumas alas tinham menos componentes, que ficavam muito espaçados. Como já foi dito, a ala das baianas teve evolução prejudicada pela fantasia. 

CONJUNTO: Interessante a utilização de cores no desfile, começando com branco e ficando colorido com o decorrer da apresentação. De negativo, a repetição de elementos com gravuras e pinturas de Romero. Mesmo que dentro do contexto, foi uma solução utilizada em excesso. Como já foi relatado, desigualdade entre os primeiros carros, mais ricos e bem concebidos, com os demais.

BATERIA: Uma das melhores do Especial, manteve a cadência e perfeita harmonia entre instrumentos. As bossas foram bem feitas e adequadas ao samba. Empolgou do início ao fim.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Análise dos sambas do Grupo A

A safra do Grupo A para 2012 é mediana para boa. Tem obras muito boas, do tipo que ficam marcadas nas safras de suas escolas, e outras mais fracas. No geral, o CD é muito bom e a produção dá mais vida e incrementa alguns sambas.

A vice-campeã de 2011, Viradouro, abre o CD com o melhor samba do ano no grupo. Fruto de uma fusão entre os dois melhores sambas das eliminatórias, possui os melhores trechos de cada obra, resultando numa composição excelente. O refrão principal lembra um pouco os sambas da escola no início da década passada, contando até com a palavra "amor", que era bem recorrente. Sambaço da vermelha e branca de Niterói para homenagear Nelson Rodrigues.

O samba da Estácio é, tecnicamente, bem fraco. Mas a sensacional interpretação de Leandro Santos consegue valorizar imensamente a obra. Um samba despretensioso e bem agradável de ouvir, com destaque para o refrão do meio. Mas a letra é fraca e a associação de Luma de Oliveira às festas brasileiras não convence.

O samba da Cubango sobre o Barão de Mauá soa um tanto "aleatório". Não se destaca na safra mas não é ruim. Talvez pela limitada interpretação de Hugo Júnior, Marcelo Guimarães e Sereno, desconhecidos e sem muita versatilidade. Outro fator que contribui para a falta de imponência do samba é o fato dele ter sido quase todo modificado desde o fim das eliminatórias. O samba vencedor, que inclusive era apontado pelo Carnaval de Avenida como favorito, era bem diferente e muito melhor que o "novo" samba. A letra foi praticamente toda alterada e perdeu força, tornando-se bastante burocrática. Destaque positivo para o refrão do meio, melhor momento do samba.

O samba da Santa Cruz divide opiniões. Alguns o acham irreverente e animado. Outros, como eu, acham mal feito e tosco. É o pior da safra, com uma letra pobre que não desenvolve bem o já mal desenvolvido enredo sobre o radialista Antônio Carlos. A refrão do meio é "trash" e a melodia não traz nenhuma novidade. É bem verdade que é o tipo de samba que gruda no ouvido. Mas está mais pra samba de bloco.

Considerado por muitos como histórico, o samba do Império Serrano em homenagem à Dona Ivone Lara é, sim, muito bom. Mas não acho que seja uma maravilha. Se não fosse pelo extraordinário "laiá laiá" do refrão principal, já perderia muito de seu brilho. A letra é bem simples, sem passagens muito inspiradas. A melodia é agradável mas também não empolga tanto. A força da homenageada e os "laiá laiás" são os responsáveis pela grande exaltação ao samba. Que é muito bom mas não é uma obra-prima.

O Império da Tijuca tem um samba de estrutura diferenciada. A segunda parte tem apenas quatro versos, sendo a primeira bem maior. A melodia é muito bonita e a letra não descreve o enredo sobre lugares utópicos, mas fala sobre ele, como uma exaltação. Tanto que nenhuma vez é citado o nome de alguma das terras imaginárias que a sinopse apresenta. Pixulé fez o samba crescer muito, sendo um dos melhores da safra.

A criticada Inocentes de Belford Roxo levará para a Sapucaí um dos melhores sambas de sua história. O enredo sobra a cidade de Corumbá resultou em um samba muito bonito, tanto em letra quanto em melodia. Na versão dos compositores era melhor ainda, sua melodia era mais pesada. No CD, levantaram muito seus tons, provavelmente para favorecer o bom intérprete Thiago Britto e não correr risco de arrastamento. Mas mesmo assim é uma excelente obra.

A Rocinha desfilará com um samba bem leve, o que é benéfico para sua posição de desfile, segunda da noite. O enredo sobre as praças é criativo e a letra do samba é de fácil assimilação. Não tem muitos atrativos mas é agradável de ouvir. Não se destaca na safra e terá apenas função de servir como trilha para o desfile.

Voltando ao grupo, a Paraíso do Tuiuti homenagerá Clara Nunes com um bom samba, de melodia melhor que a letra. Os dois refrões são os trechos mais marcantes. Nas demais partes, a letra é bem simples e previsível, sem desenvolver muito o enredo. A interpretação de Daniel Silva valoriza bastante a composição. É mais pesada do que o indicado para a primeira escola a desfilar, tendendo a cansar depois de algum tempo de desfile.

De acordo com o Carnaval de Avenida, este é o ranking dos sambas do Grupo A:

1- Viradouro
2- Inocentes de Belford Roxo
3- Império Serrano
4- Império da Tijuca
5- Estácio de Sá
6- Paraíso do Tuiuti
7- Cubango
8- Rocinha
9- Santa Cruz

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Samba de Sampa - 2012

Após apresentar, em 2011, uma de suas melhores safras, o Carnaval de São Paulo volta ter sambas medianos, sem grandes destaques. A safra de 2012 é nivelada por baixo, apesar de conter algumas obras interessantes. Muitos sambas foram prejudicados por seus enredos esdrúxulos, outros não souberam explorar temas bons.

A Vai-Vai, atual campeã, após o histórico samba de 2011, vem com um dos piores de 2012. Patrocinado pela Bombril, o que valeu o verso "é bom brilhar", o enredo sobre as mulheres não teve uma abordagem original ou elaborada. O samba tem alguns momentos melódicos interessantes, mas a letra é muito pobre. A falta de rima no último refrão deu um efeito estranho. Samba bem fraco, abaixo do padrão da escola.

A vice-campeã Tucuruvi, ao contrário da anterior, tem uma das melhores obras do ano. O enredo sobre a África pode ser bem batido, principalmente se levarmos em conta o Carnaval carioca. Mas o samba consegue ter momentos de originalidade, como no final, com o empolgante "ôôô" que leva ao refrão principal, também excelente. O refrão do meio também é muito bom e as variações melódicas de toda a composição são ótimas. Grande samba da Tucuruvi, um dos melhores da escola.

A Vila Maria vai em busca do título inédito com um enredo que envolve mãos, artesanato e era digital, contando ainda com a "tag" #vilamariafeitaàmão no logo do enredo, recurso característico do Twitter. O samba é muito bom, com dois refrões explosivos (apesar do primeiro ter um "que" de oba-oba) e melodia valente. Só no último verso que temos um desfecho melódico mal concluído, mas nada que incomode ou comprometa o conjunto. O termo "online" empobrece a letra, apesar de estar no contexto.

Uma das escolas com melhor safra própria, a Mancha Verde tem o melhor samba de 2012 em São Paulo. Com o enredo sobre a lição de humildade de Odu-Obará, o samba destaca-se pela melodia, bem típica dos sambas paulistanos e muito bonita, dolente e forte. A letra, repleta de nomes de orixás, cumpre seu papel e se adequa à melodia. A interpretação de Freddy Vianna é magistral. E algo louvável na Mancha é o fato de, em nenhum de seus sambas, fazer alusão ao Palmeiras. O vínculo com o clube nunca é demonstrado ou inserido no enredo, o que é muito bom, já que Carnaval não deve se misturar com futebol.

A Gaviões da Fiel, diferente do que faz a Mancha, frequentemente cita o Corinthians em seus enredos. Desta vez, está dentro do contexto, já que a escola homenageará o ex-presidente Lula. Mas o samba, no geral, é fraco. Explora muito pouco e de forma muito simples a vida de Lula, não dando a real dimensão de sua importância para o país. Sem grandes momentos, passa apagado na safra.

O samba da Águia de Ouro sobre a Tropicália cresce na segunda parte, com uma entrada bastante explosiva. A letra desta estrofe também é a melhor parte do samba. Os demais trechos são bastante simples e os refrões não tem muita força. Samba mediano, não se destaca tanto.

A versão concorrente do samba da Mocidade Alegre era excelente, em uma interpretação sensacional de Bruno Ribas. No CD, o limitadíssimo Clóvis Pê tirou muito a força do samba. Com uma interpretação medíocre, deixa a audição cansativa. Tecnicamente o samba é muito bom, mas sua gravação não foi boa. Na versão das eliminatórias, entra na lista dos grandes sambas da Mocidade Alegre. O enredo é sobre Jorge Amado, focando na parte mais mística e religiosa da vida do escritor.

A Rosas de Ouro fará uma homenagem a Roberto Justus com um enredo sobre a Hungria. O samba é fraco, sem momentos marcantes tanto de letra quanto de melodia. Bastante linear, é mais um que não chama atenção e não faz jus à escola. Pode tirar boas notas, pois é correto, mas será esquecido após o Carnaval.

Com um enredo sobre a paz, a Tom Maior vem com um samba muito agradável, bem leve e com algumas boas variações. Conta com uma homenagem ao ex-presidente da agremiação, Marko Antônio da Silva, falecido em maio deste ano, uma das melhores partes da composição. Não é um sambaço mas cumpre seu papel e se destaca na safra.

A X-9 Paulistana apresentará um enredo sobre o Rally dos Sertões, falando sobre os locais do percurso da competição. É um ótimo samba, que melhora depois de alguma audições. O refrão principal é, praticamente, o título do enredo, recurso que não gosto. A primeira parte começa forte e tem boas variações. O "poeira, poeira" da segunda parte, recurso semelhante ao "hey, hey, hey" do samba da Mangueira, é um atrativo a mais na obra.

A sempre injustiçada Pérola Negra tem, como sempre, um dos melhores sambas do ano. Fruto de uma fusão entre as duas obras que mais se destacaram nas eliminatórias, é animado e possui refrões empolgantes para falar da cidade de Itanhaém. Fica um pouco abaixo das últimas obras da Pérola, mas é bom e se destaca na safra.

O Império de Casa Verde, em mais um enredo patrocinado, falará sobre as lentes. A melodia é excelente, mas a letra e pobre e beira o "trash" em alguns momentos, causando uma dualidade estranha. Pena ver uma escola como o Império, que na década passada apresentou tantos bons sambas, precisar de versos como "tô nessa onda de esquimó e vou zoar". Mas a audição vale pela bela melodia.

Campeã do Grupo de Acesso, a Dragões da Real estreia no Especial com um enredo em homenagens às mães. Mas o samba da escola da torcida do São Paulo é o pior da safra. A melodia não tem momentos marcantes e a letra é muito pobre, contando com o verso "tem mãe levando a culpa com os erros do filho no jogo". O refrão principal é a única parte mais interessante, mas no geral o samba é bem ruim.

Voltando à elite, a tradicional Camisa Verde e Branco falará sobre o amor com um samba enorme. A extensa letra, no entanto, é boa, apesar de simples. Conta com alguns clichês que são inevitáveis para o enredo, mas a melodia ajuda muito a deixar a audição interessante, com ótimas variações, sobretudo na segunda parte.

Na opinião do Carnaval de Avenida, este é o ranking dos sambas de São Paulo:

1- Mancha Verde
2- Tucuruvi
3- Mocidade Alegre
4- Vila Maria
5- X-9 Paulistana
6- Pérola Negra
7- Tom Maior
8- Camisa Verde e Branco
9- Águia de Ouro
10- Império de Casa Verde
11- Vai-Vai
12- Rosas de Ouro
13- Gaviões da Fiel
14- Dragões da Real

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

B de decepção

A primeira vez que ouvi um CD com sambas do grupo B foi em 2007. E vários sambaços passaram pela Sapucaí na terça-feira daquele ano, como os de Independente da Praça da Bandeira, Vizinha Faladeira e Inocentes de Belford Roxo. Mas não sei se esse foi um ano atípico ou se a partir daí que a safra da terceira divisão do Carnaval começou a degringolar. Ano a ano, os sambas só caíram de nível, e em 2012 teremos a pior safra desde então.

Na primeira faixa, a primeira grande decepção. A União do Parque Curicica é uma das agremiações que mais gosto, me conquistou com o excelente samba de 2008, sobre a água. E sempre traz bons sambas, além de ser uma escola promissora, já tendo batido na trave do acesso algumas vezes. O samba de 2012 é bem mediano. Tem alguns poucos momentos interessantes de melodia e uma letra bem fraca, com uma segunda parte imensa. O verso "mas todo cuidado é pouco quando rola um carteado" é só um dos exemplos da pobreza do samba.

Em seguida, temos a Unidos de Padre Miguel, que pelo segundo ano consecutivo vem com um dos mais fracos sambas do grupo. Burocrático até dizer chega, não tem nenhum atrativo. Letra chata e melodia cansativa. Outra decepção, já que depois de ouvir os sambas de 2007 e 2008 da vermelha e branca, sempre vamos esperar obras no mesmo nível.

A faixa do Arranco é um alívio. A escola, pelo segundo ano seguido, traz um dos melhores sambas do grupo, mas, infelizmente, em 2012 isso não quer dizer muita coisa. Não é uma maravilha mas é uma boa obra para um enredo "repetido", já que o Arranco também fez um desfile sobre a dança em 2008. O refrão do meio é muito bom, a melhor parte.

Em seguida, outra decepção de outra escola que gosto bastante. O Sereno de Campo Grande, mais uma agremiação promissora, vem com um samba bem aquém do que tem feito nos últimos Carnavais, sobre um enredo que proporciona grandes possibilidades poéticas: a noite. Mas a obra é medíocre e conta com versos como "seja no luxo ou na roça, é pra curtir". A melodia tem algumas partes legais, mas não compensam.

A União de Jacarepaguá tem o melhor samba do Grupo B. Fruto de uma fusão de TRÊS sambas, possui uma melodia bem interessante, com momentos bem bacanas, sobretudo na primeira parte. E é encorpado, sem versos pobres. Não é maravilhoso mas fica bem acima dos demais.

A Tradição conseguiu a façanha de ter um samba onde TODOS, SIMPLESMENTE TODOS os versos possuem A MESMA melodia. O que muda é o tom, mas a melodia de todos é igual. Isso fica bem claro na segunda parte, onde os versos são pausados no meio. Na primeira é menos perceptível porque os versos foram fragmentados. Mas o samba todo tem apenas uma melodia. Expressões como "ziraldar" e "comequieto" terminam de destruir a obra. Desta vez a encomenda não deu certo. E é frustrante, já que em 2011 a escola apresentou um dos melhores sambas do ano.

A Difícil é o Nome é uma decepção porque podia ter o melhor samba do grupo, disparado. A obra concorrente de Diego Nicolau era sensacional, não entendo porque não venceu. Ao invés disso, a escola resolver fazer o de sempre e levar pro desfile um samba bem fraco. Incompreensível.

Sobre a Mocidade de Vicente de Carvalho, não consigo acreditar que este seja o melhor que sua ala de compositores possa oferecer. Pior do ano.

A Caprichosos, como se esperava, vem com um samba repleto de versos para elevar a sua auto-estima. Esperava um pouco mais, mas o samba acaba se destacando na péssima safra. O refrão principal é viciante e muito bem sacado com seu "quem comeu, comeu, quem não comeu não come mais". A segunda parte é razoável. E só.

O samba da Alegria da Zona Sul também se destaca pelo nível da safra ser fraco. A melodia tem variações bem interessantes e diferentes. Na segunda parte há trechos que parece que atravessam o samba. Mas acredito (e espero) que sejam apenas desenhos menos comuns. A letra fica abaixo da melodia mas não é de todo ruim.

Fechando o CD, a Vila Santa Tereza volta à Sapucaí com um samba fraco para um enredo que não ajuda: os brinquedos. Uma clara intenção de fazer um desfile leve e de fácil compreensão. O samba, fruto de fusão, leva a assinatura de Cláudio Russo. Mas a letra é pobre e possui versos sem nexo, soltos, como no refrão principal: "Hoje eu quero brincar, amor/ Sou Santa Tereza/ Encantar seu coração/ Aperte o play da diversão". De interessante, a melodia do refrão do meio.

Safra tenebrosa para um grupo que tende a ficar cada vez mais competitivo. As escolas precisam abrir o olho, porque com o enxugamento de grupos que vem sendo planejado, cada quesito vai ser de suma importância para quem quiser continuar na Sapucaí e almejar degraus mais altos. Enredos melhores e sambas melhores. Não custam caro e nós gostamos. Vocês são capazes de fazer bem mais do que isso ai.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Algumas coisas...

...Vão dar uma mudada por aqui.

Não posto há algum tempo porque o fim do período tomou bastante do meu tempo.

Mas a partir desta semana pretendo retomar.

Mas de uma forma diferente. Talvez um pouco mais informal, mais opinativa e falando sobre mais assuntos.

Na verdade não sei bem, mas vamos vendo como fica.

Peço desculpas às escolas que não tiveram seus sambas-enredo analisados nos mesmos moldes das outras: Cubango, Mocidade, União da Ilha, Imperatriz, Beija-Flor, Santa Cruz, Viradouro, Império da Tijuca, Estácio e Inocentes.

Ainda falarei deles, claro, mas de outra forma. Assim como também falarei novamente sobre as demais, já que, agora, com CD's lançados, algumas impressões mudaram.

E é isso aí, ainda esta semana volto pra falar sobre o CD do Especial.

Abraços!

"Corra e olhe o céu
Que o sol vem trazer
Bom dia..."