domingo, 8 de agosto de 2010

Sinopses 2011 - Paraíso do Tuiuti



Segue menino, segue o seu destino de Santo Amaro da Purificação para o mundo.

Segue teu rumo e ganha a vida cantando, criando poemas, escrevendo prosas, levantando bandeiras com seus encantos, frases, letras, músicas, palavras e textos que nos fazem pensar. Que nos fazem acreditar que pode existir uma fórmula de ser feliz! Quem sabe atrás dos As e Xis de suas letras não exista a verdadeira felicidade?
Filho de Dona Canô e Seu Zezinho, ele não cansa de se renovar, de se devorar e recriar a sua poesia musicada, sonora, artisticamente com pegada e estética própria. Musicalidade, personalidade e força de um leão!

Ele é tudo de novo, transcodificando letras, símbolos, mensagens de algum planeta distante, de algum espaço, talvez de um disco voador!
Não para nem um segundo, de fazer da arte a sua forma de se expressar e com isso nos faz sonhar como se estivéssemos envoltos em nuvem de fumaça cósmica. Ele que sempre procura o impossível, o mais lindo tom, a palavra mais correta, a visão mais apurada de se dizer e cantar sobre os sentimentos humanos.

Tá ali, na sua viagem, no seu momento mais íntimo, numa imagem, num olhar, na gata, na jóia, na baiana, na mulher. Tá ali, nos gestos, nos cornos, no cotidiano, na beleza do menino peito aberto, nas cidades, na sua poesia mais que concreta.

Com certeza nos sentimos melhor ouvindo suas canções apaixonadas, seu sorriso rasgado e franco, sua cuspida de frases que amamos ou odiamos...

Sua garra nordestina de quem vislumbrou a vitória na coragem de não ter tido medo de arriscar. O medo de enfrentar a cidade grande em noite enluarada, o medo de combater a ditadura que tinha a audácia de querer calar que não nasceu pra ser calado.

Fez do movimento tropicalista, junto com Gilberto Gil, Gal Costa e sua irmã Maria Betânia o cenário das suas idéias mais contemporâneas e a resposta mais original contra o poder de um governo ditador. Sendo assim como um caleidoscópio de multicores faz dessas idéias tropicalistas, base para influenciar a geração do poder das flores.
O sucesso era predestinado, pois foi abençoado pelo Senhor do Bonfim. Ele é o "baiano-estrangeiro" de Santo Amaro da Purificação (como disse Augusto de Campos) que tem a força das palavras e faz com o seu som uma incrível e enlouquecedora revolução nas cabeças da nossa sociedade careta!

Filosofando em letras no tom certo, na hora certa, faz da fina estampa das suas músicas um burburinho tal qual champanhe na cabeça dos pseudointelectuais.

Dirigiu, atuou, escreveu, cantou, falou e não se arrependeu. Fez e faz o mundo ficar odara!

Ele é o doce bárbaro que com amor no coração, se prepararou pra invasão, cheio de felicidade e entrou na cidade amada!
É o afoxé filhos de Gandhi, o menino Deus com corpo azul dourado. Ele me dá sorte, é a abelha rainha, é tigresa, é neguinha? Será? É baby, é baby, é baby!

Ele é transa, ele é samba, ele é Sampa, na sua mais completa tradução! É Haiti porque canta para os quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres!

Hoje ele só quer você, seja do jeito que for. Hoje ele só quer alegria, é o seu dia o meu dia. Hoje ele só quer amor!
Quem não seguiu o mendigo Joãozinho Beija Flor? Quem não sambou atrás do trio elétrico e não mangueirou?

Hoje, não se perca de mim, não se esqueça de mim, não desapareça. A chuva tá caindo e quando a chuva começa, eu acabo perdendo a cabeça!

Hoje, vira tema de enredo na escola de samba tradicionalíssima carioca, lá do morro do Tuiuti no bairro de São Cristóvão, o bairro Imperial. Sim, nessa festa de Momo, hoje temos um Rei, o Rei das bananas e coqueiros tropicais, o Rei da Vela quem sabe? O Rei do Congá? O Rei de coroa de lata, de papel ou de prata. É o Rei da pura poesia que hoje será o Rei do nosso samba carnaval!

O Rio de Janeiro vai liquidificando você, os confetes vão caindo do céu, as serpentinas são elos que nos aproxima nessa festa de ilusão. O morro está em festa. As cabrochas, lá dos becos, ruas e vielas começam a se aprumar para o desfile oficial, o grande dia do nosso samba!

E você vem chegando com teu requebro de mulato, quebra nas cadeiras de neguinha batucada e caia na folia com teus súditos desse doce reinado.

Hoje, nossa garbosa galeria da velha guarda tira o seu chapéu panamá para você.

Só para você, a nossa porta bandeira e o guardião mestre sala com louvor e felicidade no olhar apresentam o nosso pavilhão. O giro das saias, das nossas baianas levantam a poeira do chão para você sambar!

Hoje, nossa mulata passista do alto da sua sandália prateada, dança com o pandeiro e abre um sorriso branquinho, somente para você!
Viva a bossa, a palhoça, a mata, a mulata, Maria e também a Bahia! Viva Iracema, Ipanema e Viva a Banda de Carmem Miranda!
É hoje que a nossa bateria aperta seu coro no mais puro dos esticados para que o som vibre tão alto e toque no seu coração. Hoje, vestiremos uma fantasia que contará a sua vida e enfeitaremos nossas alegorias e adereços de mão cantando o nosso samba tão alto que acordaremos até os gatos que dormem nos telhados! Tudo isso só faremos porque o nosso carnaval é você, o mais doce bárbaro - Caetano Veloso!

Presidente Renato Ribeiro Martins - Thor
Título e idéia do enredo Ivo Meireles
Autor do texto e pesquisa Eduardo Gonçalves

Tópicos do enredo :
01 - Tropicalmente Bárbaro
02 - Com fé e a Bahia?
03 - As mulheres e o canto de opinião
04 - O Rio de Janeiro Liquidificando Caetano

sábado, 7 de agosto de 2010

Eliminatórias 2011 - União da Ilha do Governador


As eliminatórias da União da Ilha para 2011 mantêm o mesmo nível do ano passado. Sambas de razoáveis para bons, que servem às pretensões de desfile da agremiação. Mais uma vez a Ilha vai abrir um dia de desfiles, desta vez a segunda-feira. Nessa situação a maioria das escolas prefere um samba leve e animado, o que, no caso da Ilha, significa apenas reforçar uma de suas principais características. O enredo sobre as descobertas de Charles Darwin não foi um dos mais expressivos no grupo Especial, mas possibilita a criação de boas soluções visuais para o desfile.
Os sambas inscritos na disputa da escola são, em geral, maiores do que os do ano passado. Não se diferem muito na abordagem do enredo e, como já foi dito, tem uma melodia bastante leve. Um detalhe interessante são as menções à história da própria escola, com citações a sambas antigos famosos, presente no enredo e utilizada pela maioria dos compositores.

O samba de Walkir, David Lima, Jefferson Martin, C.Gaspar, Herbert Rocha e Pablo Lima tem uma bonita melodia, menos leve que os outros. Retrata bem as passagens do enredo, com uma letra poética e bem desenvolvida. A obra ganha força com a interpretação de Wantuir. Interessante o primeiro verso do samba, já que é tradição nos sambas da Ilha dizer que a escola "atravessou o mar". Neste a escola cruza os sete mares, devido à proporção geográfica do enredo.



Autores: Walkir, David Lima, Jefferson Martin, C.Gaspar, Herbert Rocha e Pablo Lima
Intérprete(s): Wantuir

Hoje a Ilha cruza os sete mares
E vem contar a origem da vida
Que o naturalista pesquisou
Essa viagem, o meu samba inspirou
Colhendo em desembarques fascinantes
Vestígios de um passado tão distante
E a teoria vestida de glória
Traçou um novo rumo da história
Na fonte do mundo a vida surgiu
Nos oceanos mergulhou evoluiu

Água gerou a flor e as asas
Onde emergiu um ser que respirou
Rastejando seguiu do chão lá pro céu
Voando coloriu um lindo véu


Das garras de um ser diferente
Aos galhos da transformação
Um ramo desceu para terra
Com ar de grandeza, senhor da razão
Mas a ciência nos iluminou
Revelado o mistério, um grito ecoou
Oh! mãe querida, árvore da vida vou te preservar
Somos fruto da tua energia
Te celebrando no calor dessa folia

Em cada coração, "a União"
Na beleza dos meus versos, "a emoção"
De natureza insulana e aventureira
Eternizando a evolução



O samba de Gabriel Fraga, Barbieri, Ginho, Wagner Mariano, Professor e Fabinho é um dos melhores da disputa. Destaque para o refrão principal, que faz menção ao desfile de 1989 da Ilha, "Festa Profana". É uma obra mais melodiosa, diferente da maioria dos outros sambas. A melodia, aliás, suprime as deficiências da letra, que não é muito desenvolvida e não se aprofunda muito na abordagem do enredo. Mas é uma boa obra, que se destaca nas eliminatórias e pode ir longe na disputa.



Autores: Gabriel Fraga, Barbieri, Ginho, Wagner Mariano, Professor e Fabinho
Intérprete(s): ???

UMA EXPEDIÇÃO VINDA DE ALÉM MAR
VEM DESVENDAR A ORIGEM DA VIDA
DESEMBARQUES FASCINANTES, EM TERRAS TÃO DISTANTES
SEGUE SEU DESTINO A DESBRAVAR
AVENTUREIRA, CHEGA FACEIRA PARA VIAJAR
PASSEANDO PELOS SETE MARES,
COM CHARLES DARWIN A NAVEGAR
E VAI PELO MUNDO AFORA,
EM TANTAS BELEZAS PERCEBER
QUE A NATUREZA NOS MOSTRA
A NOSSA HISTÓRIA NO SEU FLORESCER

MERGULHEI NA POESIA
PISEI FORTE NESSE CHÃO
VÔO LINDO NA AVENIDA
É A VIDA EM EXPLOSÃO


O SOL BRILHOU NO TEMPO,
E VIU SURGIR NO MAR
A MULTIPLICAÇÃO QUE FEZ NASCER TUDO O QUE HÁ
DAS CRIATURAS EM EVOLUÇÃO
À LUZ DO ALVORECER
DA SELEÇÃO DE CADA SER
DOMINAÇÃO, NÃO TEM PORQUE
REVELAÇÃO, NESSA ARVORE EU VEJO VOCÊ
O MISTÉRIO DESSA VIDA É VIVER,
RENASCE EM CADA AMANHECER!

LEMBRA DA ÁGUA QUE É DE CHEIRO, QUE VOCÊ SENTIU
NUM CANTO DE ALEGRIA QUE EVOLUIU
UM TOQUE DE MAGIA É MINHA SEDUÇÃO
EU SOU A ILHA DO TEU CORAÇÃO!



A obra mais completa e que mais se encaixa nas características dos sambas escolhidos pela escola nos últimos anos é a de Gugu das Candongas, Marquinhus do Banjo, João Paulo, Márcio André Filho, Arlindo Neto e Ito Melodia. Letra e melodia igualmente boas. Se encaixa bem na voz do intérprete da escola, o que não é nenhuma surpresa já que o mesmo é um dos compositores. Refrões explosivos, sobretudo o principal, do jeito que a escola gosta. Menção ao samba "O Amanhã" de 1978. O Carnaval de Avenida apóia este samba.



Autores: Gugu das Candongas, Marquinhus do Banjo, João Paulo, Márcio André Filho, Arlindo Neto e Ito Melodia
Intérprete(s): Marquinhos do Banjo

Minha alegria vai girar o mundo
Aventureira vai cruzando o mar
Trazendo Darwin na memória
Mais uma história vou desvendar
Um relicário de beleza natural
É o esplendor do carnaval
Que maravilha, nessa terra vou desembarcar
O show da Ilha vai começar

No fundo do mar eu vi brotar
Se multiplicar a vida
Mistérios vão se revelar
Nas águas que vão me levar... a caminhar


A terra abriu um sorriso
E o paraíso vai me ver chegar
Seres estão antenados
Pequenos alados bailando no ar
Lindos animais na passarela
E lá no céu, a mais linda aquarela
Do alto surgiu diferente
Não sei se é bicho, não sei se é gente?
Somos frutos do mesmo lugar
A árvore da vida vamos preservar

Hoje eu quero brindar... com a Ilha
Nessa avenida dos sonhos brilhar
O meu amanhã, só Deus saberá
A vida vamos celebrar

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Eliminatórias 2011 - Alegria da Zona Sul


Desde o lançamento de sua sinopse o enredo da Alegria, "Os Doze Obás de Xangô", chamou bastante atenção. Considerado um dos melhores do Acesso A, a expectativa de que a escola de Copacabana tivesse bons sambas em suas eliminatórias era grande. E ela se confirmou. A Alegria tem uma das melhores safras do ano em sua disputa e não será exagero dizer, mesmo antecipadamente, que o samba escolhido será o melhor da história da escola e umas das grandes obras de 2011. Sendo a primeira a desfilar no sábado de carnaval, a agremiação tem a difícil tarefa de ser a primeira de onze escolas, algumas muito tradicionais. Pelo menos no quesito samba-enredo, a Alegria da Zona Sul tem tudo para conseguir boas notas. Destaco três sambas mas existem outros muito bons participando da disputa.

O samba de Jéferson Alves, China do Badalo, Bebeto da Alcobaça e Renato Pinto é um dos que mais chamou a atenção desde a sua divulgação. Contando com a excelente interpretação de Pixulé, conta mais especificamente detalhes da história do enredo. Com ótimas letra e melodia, deve chegar longe na competição. Destaque para os refrões.



Autores: Jéferson Alves, China do Badalo, Bebeto da Alcobaça e Renato Pinto
Intérprete(s): Pixulé

Muito antes do meu nascimento no reino de Oyó
Sob os conselhos de Orumilá,
do alto da pedreira a conquistar
a paz em sua terra, perdoando os guerreiros inimigos
um orixá justiceiro se tornou, marcando o seu destino
Nasci, no Brasil em meio a preconceitos e injustiças
Filha livre e com raça, hoje sou Mãe Aninha
Trago o fogo sagrado no meu coração
Do caminho traçado por minha nação
Obá Biyí assim sou conhecida
no terreiro criei minha vida

Ilê Axé Opó Afonjá
Centenário de glórias a te exaltar
A garra e a força da cultura nagô
batam palmas pra coroa de Xangô


Aqui
os doze Obás se dividiram
Qtun e Ósy abraçaram a missão
imortalizar, louvar e cultuar memórias da Mãe África
E até famosos, expoentes culturais
lutam pelos mesmos ideais engrandecendo a nossa religião
Com alegria cantar
que a vitória da justiça chegará
alcançando a paz e a liberade
em toda humanidade

Hoje eu peço axé, vou bater tambor
Nas bênçãos do meu pai Xangô
Se um dia me faltar a fé pelo senhor
Kawô cabeicile kawô



Este seria o samba apoiado pelo blog se não fosse a fenomenal composição seguinte. O samba de Fio, Pato Roco, Rico Bernardes, Rafael Mikaiá, Carlão Maravilha e Wilson Nicola tem um dos refrões mais fortes da disputa. Assim como toda a melodia, redonda e emocionante. É predominantemente pesada mas possui trechos mais pra cima. A letra também é muito bonita e consegue passar toda a essência do enredo sem abusar de palavras africanas. Excelente samba e forte candidato.



Autores: Fio, Pato Roco, Rico Bernardes, Rafael Mikaiá, Carlão Maravilha e Wilson Nicola
Intérprete(s): Zé Paulo

VAI BRILHAR
UM LINDO SONHO ABENÇOADO
SEGUINDO O CAMINHO DE LUTAS
O MEU DESTINO NOS VENTOS TRAÇADO
FILHA DE XANGÔ, O SOBERANO REI DE OYÓ
COM SABEDORIA O GUERREIRO SEGUE OS CONSELHOS
ORUNMILÁ O GUIA PRA VITÓRIA
NA FORÇA DE OXÊ SOBRE A PEDREIRA
RAIOS E TROVÕES CRUZAM O AR
MESMO DERROTADOS, FORAM PERDOADOS
OS MINISTROS VÃO ORIENTAR

AO SOAR DOS ATABAQUES, KAÔ XANGÔ
NA SENZALA UM CANTO NEGRO ECOOU
NASCI NO TEMPO DA ESCRAVIDÃO
FUI ESCOLHIDA E VOU CUMPRIR MINHA MISSÃO


AXÉ...
HERANÇA DA CULTURA ATRAVESSOU O MAR
NUM ELO DE ESPERANÇA OPÔ E AFONJÁ
COM SEDE DE JUSTIÇA E LIBERDADE
SALVADOR, CIDADE ABENÇOADA PODEROSO CHÃO
NO BERÇO INFINITO DA RELIGIÃO
NO ORUM BUSCANDO A ETERNIDADE
MÃE ANINHA DO TERREIRO, IMORTAL EU SOU
PROTETORES DA CULTURA DERAM VALOR
FUI CONSAGRADA PELOS DOZE OBÁS
ILUMINADA PELOS ORIXÁS

NO RUFAR DO TAMBOR, CLAMOR PELA JUSTIÇA
KAÔ CABECILÊ, MEU CANTO É PRA VOCÊ
LUTANDO POR UM MUNDO DE ALEGRIA



Thiago de Xangô, Juninho Berin, Rafa do Cavaco, Waguinho e Cosminho são os compositores de um dos melhores sambas das eliminatórias 2011, dentre todas as escolas. A letra é linda e muito forte. A melodia é emocionante e possui variações belíssimas. Porém é preciso observar como será a performance do samba ao vivo, já que pode ser difícil a perfeita execução de algumas dessas variações num ritmo mais acelerado, tanto pelo intérprete quanto pela bateria. Mas apesar de qualquer coisa o Carnaval de Avenida apóia este samba, que já é uma das grandes obras do ano, mesmo se não for para a Sapucaí.



Autores: Thiago de Xangô, Juninho Berin, Rafa do Cavaco, Waguinho e Cosminho
Intérprete(s): Waguinho

ÁFRICA MEU BERÇO TÃO DISTANTE
A FÉ FOI SUPERANDO MINHA DOR
NA CENTELHA DA CERTEZA QUE EU IRIA SUPERAR
ENTREGUEI A MINHA VIDA AO MEU SENHOR
O VENTO SOPROU...
HERANÇAS E CULTURAS DE ALÉM MAR
NO AMOR DA MÃE DAS ÁGUAS, LEVANTAR!!!
HISTÓRIAS DO REI
CONTEMPLAM SUAS LUTAS, SUAS GLÓRIAS
NO SEU "OXÉ" A INSPIRAÇÃO
SEU NOME VIVO EM CADA ORAÇÃO

SEIS PRA CONDENAR, SEIS PRA DEFENDER
SOB A LUZ DE "OJUOBÁ", OS OLHOS DO REI
A FORÇA VIVA DO ORIXÁ JUSTICEIRO
TROUXE ESPERANÇA AO NOVO FILHO BRASILEIRO


OH! PAI...
PEÇO CLEMÊNCIA, "AGO" MEU PAI XANGÔ
QUE O FOGO DA JUSTIÇA BROTE COMO A FLOR
QUEIMANDO TODA INTOLERÂNCIA
QUE ARDE EM QUEM VIVEU DE IGNORÂNCIA
COM A INFLUÊNCIA DA "TERRA MÃE"
UM NOVO BERÇO PARA OS DOZE OBÁS
O RENASCIMENTO DE UM POVO
MISSÃO CUMPRIDA. HÁ DIGNIDADE EM NOSSAS VIDAS

"MINHA ALEGRIA" TRAZ O "AXÉ" PARA VOCÊ, CAÔ CABIECILE

"OBÁ NISHA RE LO KE ODÔ"
SOMOS TODOS MINISTROS "OBÁS DE XANGÔ"
MANTENDO ACESA A CHAMA DO "REI MAIOR"
"ALEGRIA" É A JUSTIÇA DE OYÓ

Sinopses 2011 - Unidos de Vila Isabel

"Mitos e Histórias Entrelaçadas pelos Fios de Cabelo"

Os cabelos têm valores simbólicos. O universo teve começo, segundo a tradição indiana, através da tecedura dos cabelos de SHIVA é ainda, nessa mesma cultura, os cabelos soltos são características de divindades terríveis como VAYU, o vento, e também com Ganga, o rio Ganges, manifestação da divindade acima mencionada, que flui de sua coroa de cabelos emaranhados.

Na China, os cabelos dispostos ao redor da cabeça representam o sol. E, também podem ser símbolos de sacrifício como T’ang, que ofereceu seus cabelos em sacrifício pelo seu povo. Assim, essa representações extrapolam o limite do ser humano, expandindo-se através do universo da simbologia cósmiza.

Os índios Hopi do Arizona acreditavam que o corte do cabelo tinha que ser feito de maneira coletiva, durante as festas de solstício de inverno, para não perderem a força vital.

O primeiro corte de cabelo do Príncipe Herdeiro dos Incas coincidia com o momento em que era desmamado ao completar dois anos de idade. No mesmo momento em que cortava o cabelo, recebia o nome, tornando-se uma pessoa, fato que acontecia numa grande festa coletiva.

Um caso individual da força do cabelo é a história bíblica de Sansão e Dalila. Ao contrário das histórias relatadas nos dois parágrafos acima, Sansão perdeu os poderes quando lhe cortaram os cabelos.

As tranças e os cabelos longuíssimos têm como simbolismo a submissão. A trança dos chineses, a das mulheres russas, e, até mesmo, a de Rapunzel da lenda de Grimm provam este fato. Porém, podem ser também símbolos de salvação como a de Lady Godiva, que se vestiu só com seus longos cabelos e livrou seu povo dos pesados impostos.

As perucas foram adotadas por várias razões. Os egípcios, por exemplo, raspavam a cabeça por higiene e usavam perucas para se embelezar. Até mesmo as barbas dos faraós eram postiças. Cleópatra tinha todo tipo de jóias incrustadas nas suas perucas.

Luís XIV, o Rei Sol, possuía também uma grande coleção, que era cuidadosamente tratada e cacheada.

No afã de agradar ao Rei de França Luis XVI, as damas da corte se exibiam, cada qual, com apliques cada vez mais extraordinários. Alguns recebiam vasos para flores naturais, cheios d’água, outros pássaros voando recebiam vasos para flores naturais, cheios d’água, outros pássaros voando presos por fios de seda. Havia também aqueles com tendas militares e canhões, navios, mobília completa de sala e de quarto, jardins floridos, exemplos de algumas das decorações inventadas por essas damas, que a tudo se submetiam, muito bem empoados com farinha, que possivelmente fazia falta ao povo faminto.

No Brasil, muito ouro de Minas foi desviado pelos cabelos fofos dos escravos e escravas, e era usado para pagamento de alforria dos negros, para seus adornos filigranados e para decoração das suas igrejas.

No Rio de Janeiro do século XIX eram os escravos de ganho que exerciam as atividades de barbeiro e cabeleireiro. Também acumulavam as funções de vendedores de pentes e remendavam as meias de seda. Mais tarde, chegaram os cabeleireiros franceses para a alegria das damas de então.

E, nos remetemos ainda à trança que abalou a Rua do Ouvidor, exposta em uma vitrine de loja de cabeleireiro. Ela foi muito admirada por sua extensão. Depois de muita especulação soube-se que era de uma mineira, que tinha fortes dores de cabeça, por usar essa trança de mais de dois metros de comprimento, e o médico a aconselhou a cortá-la, tendo assim curado a sua mazela.

Mami Wata, figura mítica africana, possuía numa mesma cabeleira invejável, todos os tipos de cabelo: lisos, crespos, ondulados, carapinha, loiros, morenos e ruivos.

A Vênus Romana inspirou as "Vênus" loiríssimas do século XX, como Marilyn Monroe.

Mas, Lamartine Babo na sua sabedoria, democraticamente, exaltou as morenas, as mulatas, as ruivas, e as loirinhas, todas naturalmente com lindos cabelos escovados, tratados, brilhantes e vitaminados.

Carnavalesca: Rosa Magalhães

Autores do enredo: Rosa Magalhães e Alex Varela (Historiador)

Bibliografia:

CHEVALIER, Jean et alii. Cabelos. In: Dicionário dos Símbolos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1987, pp. 154-157.

COHEN, Alberto ª. Ouvidor, a rua do Rio. Rio de Janeiro: AACohen, 2001.

JUNG, Carl G. O homem e seus Símbolos. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1984.

MACEDO, J. M. de. Memórias da rua do Ouvidor. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1988 [1ª ed. 1978].

Mami Wata. In: http: pt.wikipedia.org/wiki/Mami_Wata (Acessado no dia 21/07/2010).

MARQUES, Silvia. A História do Penteado. São Paulo: Matrix, 2009.

ROUSSELOT, Bernard. Mythologies. Une Anthologie Illustré des Mythes et Légends du Monde. Paris: Éditions Grund, 2002.

GRIMM, Rapunzes. In: Os Mais Belos Contos de Grimm. São Pulo: Ciranda Cultural Ed, 2007.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Eliminatórias 2011 - Império da Tijuca


Ao contrário do ano passado, quando a safra do Império da Tijuca era uma das melhores, este ano a disputa no morro da Formiga será bem fraca. Pouquíssimas obras foram inscritas e não há nenhuma realmente boa. O enredo não ajudou muito. O carnaval ao redor do mundo é um tema que já passou algumas vezes na avenida, o que impede a composição de um samba totalmente original. Mas mesmo assim, não justifica o nível extremamente baixo das eliminatórias tijucanas. Apenas um samba consegue apresentar alguma qualidade e provavelmente será o vencedor, a menos que exista alguma outra obra melhor que ainda não tenha sido divulgada. Os outros dois sambas que destaco são apenas mais do mesmo dentre os demais, porém apresentam uma melodia um pouco mais trabalhada, o que torna sua audição mais agradável.

O samba de Henrique Bada, Fernandão, Marquinho Marino, Lequinho, Serginho Machado e Leco da Alerj tem um bonito refrão principal, de exaltação à escola. A letra não possui grandes destaques. O verso "juízo não nego, até posso perder" já foi usado no samba da Viradouro em 2005. A gravação ganha alguma qualidade com a interpretação de David do Pandeiro.



Autores: Henrique Bada, Fernandão, Marquinho MArino, Lequinho, Serginho Machado e Leco da Alerj
Intérprete(s): David do Pandeiro

Um brinde a fantasia
A alegria do eterno folião
Eu sou o rei nessa folia
Mostrando ao mundo a minha emoção
Sagrado profano... divino prazer
Juízo não nego, até posso perder
Sou nobre, sou pobre... Loucura real
Mascarando a diferença social

Vou sambar abaixo de zero
Onde há frio, eu levo calor
Com a bateria do meu Império
Quarenta graus de amor


Na luta de uma nação
Da dor... A união, rompendo barreiras
Tem festa, tem dança, tem raça
Mistura que embala... "é samba na veia"
O teu coração eu conquistei
No Brasil me apaixonei
Por essa gente alegre e festeira
Que me recebeu com sorriso
A fantasia se torna real
Por todos os cantos do mundo
Eu sou o carnaval

Na arte do samba... celeiro de bambas
Chegou o meu Império
Te amo e não sei quantas vezes
Descia o morro sambando
Sonhando fazer novamente você campeão



A composição de Dedé Aguiar, Eduardo Katata, José Antônio e JB tem uma melodia um pouco mais variante, mas mesmo assim não prende a atenção. Recai nos mesmos lugares comuns das outras obras. O verso "salve rei Zulu, rei da folia" foi usado no samba da Porto da Pedra, em 1996, cujo enredo também era o carnaval ao redor do mundo.



Autores: Dedé Aguiar, Eduardo Katata, José Antônio e JB
Intérprete(s): ???

Sou o carnaval
Um nobre mascarado medieval
Sou pecado e prazer
Pra você me desfrutar
Enquanto a quaresma não chegar
Onde o clima é frio, te aqueço
No calor da minha fantasia
Minhas dosses de felicidade
Não tem preço
E te embriagam de alegria

Meu jeito caliente, latino
Leva ao desatino e fascina
Faz de mim um arlequim apaixonado
Enfeitiçado pela colombina


Levei tempero africano pelo mundo afora
E afloro as raízes culturais dos ancestrais
Muito axé em dança, canto e magia
Salve rei Zulu, rei da folia
Brasil...
Essa mistura em forma de expressão
Quem viu? Tanta riqueza que embala o folião
Meu Rio de Janeiro
Tem samba de primeira
Além das cinzas de uma quarta-feira

A coroa a girar...
Me faz sentir a emoção
Da Império da Tijuca a desfilar
Pra conquistar meu coração



A única obra que se destaca perante as demais é a de Marcio André, Djalma Falcão, Ito Melodia, Noronha, Jota e Jota Karlos. Quatro dos compositores estiveram na parceria campeã em 2010, mas o samba do carnaval passado era imensamente superior. É o melhor da disputa, tanto em letra quanto em melodia. Destaque para os refrões, sobretudo o principal. O Carnaval de Avenida apóia este samba.



Autores: Marcio André, Djalma Falcão, Ito Melodia, Noronha, Jota e Jota Karlos
Intérprete(s): Ito Melodia

Pelo mundo afora eu vou
Vestir milhões de fantasias
A tristeza se mudou
Quando encontrou minha alegria
É carnaval é ilusão
No corpo o gosto do pecado
Veneza é sedução
Quero ser seu mascarado

Eu vou beber muita cerveja
Na folia de inverno te aquecer
Vou plantar, vou colher no meu coração
Flores pro meu bem querer


Nessa paixão caliente, na morenada eu vou
Eu sou o Pierrot apaixonado pela colombina
O amor ensina somos todos iguais
Caminhei com rei Zulu caminhei
No batuque do tambor... lembrei
Do som dos maracatus
Cirandas e papangus
Cantei, dancei
E o meu Rio, a alma de um folião
Formiga, morro de emoção

Imperiano tijucano eu sou
Dos quatro ventos provei o sabor
Amor voltei, na avenida sou rei
Um eterno sonhador

Eliminatórias 2011 - São Clemente


A irreverente agremiação da zona sul desfilará em 2011 com um dos enredos mais batidos do carnaval: o Rio de Janeiro. Apesar disso, conseguiu trazer alguns elementos inéditos em sua sinopse. Será a primeira escola a desfilar no domingo de carnaval, abrindo os trabalhos do grupo Especial. Uma missão difícil, que põe à prova as escolas ascendentes do grupo de Acesso no ano anterior.
A safra da São Clemente é razoável, apesar de ser melhor que a do ano passado. Apresenta obras no máximo boas, sem nenhum grande chamativo. O nivelamento por baixo faz com que, para o bom desempenho de seu desfile, seja melhor para a escola escolher um samba de melodia mais leve e pra cima. Duas obras destacaram-se um pouco mais, na minha opinião, além de uma terceira que também pode crescer ao longo da disputa.

O samba de Rodrigo Índio, Alexandre Araujo, Fabio Rossi, Rodrigo Telles, Armando Daltro e Marcelo Fagundes tem uma das letras mais bonitas e poéticas, além de uma bela exaltação à escola no fim da segunda parte. Porém, na gravação, é cadenciado demais, tornando-se um pouco cansativo. Acredito que ao vivo seu ritmo seja mais acelerado. Se for o caso, poderá chegar longe na disputa, mesmo sendo um pouco longo demais.



Autores: Rodrigo Índio, Alexandre Araujo, Fabio Rossi, Rodrigo Telles, Armando Daltro e Marcelo Fagundes
Intérprete(s): Roger Linhares

QUE MARAVILHA! DAS MINHAS MÃOS SURGIU
UM MUNDO DE ENCANTOS, NUM SOPRO DE VIDA
CIDADE MAIS BELA QUE JÁ CONSTRUÍ
SEGREDOS, MISTÉRIOS, ESPALHAM NO AR
GRAVADOS NA PEDRA VÃO SE REVELAR
DO RIO ALADO À COBIÇA DO INVASOR
NO IMAGINÁRIO O PADROEIRO EXPULSOU
E CORREM AS ÁGUAS... LINDAS FLORESTAS
ENTRE MONTANHAS À LUZ DO LUAR
IMPERA O JARDIM DE TODAS AS FLORES
E UM PÔR DO SOL DE APAIXONAR

O MEU PARAÍSO TEM “VISTA” PRO MAR
DE BRAÇOS ABERTOS VOU ABENÇOAR
O PÃO DE AÇÚCAR, INSPIRAÇÃO
ESTAMPADO NO MEU PAVILHÃO


“COM PASSOS” PRA MODERNIDADE
O BOTA-ABAIXO TEVE A MINHA APROVAÇÃO
BATIZARAM DE MARAVILHOSA
COM A DIVINA PROTEÇÃO
CENÁRIO EM PERFEITA HARMONIA
SINTA A LINDA MELODIA QUE MARCOU MEU CORAÇÃO
E LÁ VEM ELA....CHEIA DE BOSSA, COLORINDO A PASSARELA
"Ô ABRAM ALAS" É A PRETA E AMARELA
SE FOR “CHORAR” É DE EMOÇÃO
EU DESAFIO COLOCAR TUDO DE VOLTA NO LUGAR
É PRECISO PRESERVAR OU SALVE-SE QUEM PUDER

SÃO CLEMENTE DA GEMA, MEU AMOR VERDADEIRO
ORGULHO, MINHA ETERNA PAIXÃO
SOU CARIOCA, FIEL E GUERREIRO
SALVE O RIO DE JANEIRO!



A obra de Paulinho Valença, Victor Alves, Henrique Hoffmann, Popeye, Bill do Pandeiro e Claudinho Raiz é uma das melhores tecnicamente. Possui melodia bem redonda e pra cima e refrões explosivos. A letra não possui os mesmos toques poéticos da composição anterior mas usa artifícios interessantes ao falar de alguns lugares da cidade sem citá-los explicitamente. O samba cresce bastante na segunda parte.



Autores: Paulinho Valença, Victor Alves, Henrique Hoffmann, Popeye, Bill do Pandeiro e Claudinho Raiz
Intérprete(s): Vitor Cunha

VISÃO DO PARAÍSO
A LUZ DO SOL NAS FLORES MULTICOR
EXPLODE A VIDA EM ÁGUAS CRISTALINAS
MENINA DOS OLHOS DO CRIADOR
O SOLO FÉRTIL, A FAUNA EXUBERANTE
RIQUEZAS QUE DESPERTAM A COBIÇA
TRANSFORMANDO A PAZ DA NATUREZA
E O BELO AZUL DOS MARES
NO DESTINO DA NOBREZA

CRESCEM COM OS SEUS ENCANTOS E ALEGRIA
OS FILHOS DESSE CHÃO ESBANJANDO SIMPATIA
E O ORGULHO DE DIZER PRO MUNDO INTEIRO
MARAVILHOSO RIO DE JANEIRO


AS ÁGUAS MILAGROSAS DA TIJUCA
REVELAM NOVAS FONTES DE BELEZA
RENOVADAS EM CADA SEMENTE DO JARDIM
ADMIRADAS DA VISTA CHINESA
A HARMONIA NO TRAÇO
AUMENTA O ESPAÇO COM O VERDE DO PARQUE
MUDANDO A PAISAGEM
CRIANDO UMA IMAGEM DE RARO ESPLENDOR
EU VOU CANTANDO A DIVINA ARTE EM PROSA E VERSO
E A MINHA POESIA CONQUISTANDO O UNIVERSO
ACENDO AS LUZES DO PALCO
REAJO COM BOM HUMOR
CONTRA A DESORDEM URBANA
MINHA ARMA É O AMOR

SOU CARIOCA E VOU SAMBAR PRA SER FELIZ
COM A SÃO CLEMENTE NA AVENIDA
RIO PATRIMÔNIO MUNDIAL
ESTRELA DO MEU CARNAVAL



Destaque desde a sua divulgação, o samba de Helinho 107, Claudio Filé, Armandinho do Cavaco, Nelson Amatuzzi, Fabio Portugal, Rodrigo Maia, J.J. Santos e Xandão reúne todos os elementos necessários para a escola garantir uma boa apresentação. A melodia é pra cima e possui boas variações, sobretudo na segunda parte. A letra também é boa apesar de não ser tão completa quanto às dos outros sambas citados. A interpretação de Wander Pires ajuda o samba a crescer. O Carnaval de Avenida apóia este samba.



Autores: Helinho 107, Claudio Filé, Armandinho do Cavaco, Nelson Amatuzzi, Fabio Portugal, Rodrigo Maia, J.J. Santos e Xandão
Intérprete(s): Wander Pires

DIVINA INSPIRAÇÃO
QUE ILUMINA OS MEUS VERSOS
FAZ DE MIM UM GUARDIÃO, DA CRIAÇÃO...
AMOR ETERNO!
RIO DE TANTA BELEZA
FEZ DA NATUREZA, CARTÃO POSTAL!
PORTO DE GRANDE COBIÇA
SUBLIME IMPÉRIO TROPICAL
ÁGUA! FAZ A VIDA FLORESCER
DA FLORESTA UMA CIDADE, FEZ NASCER

O MELHOR LUGAR PRA SE VIVER!
FONTE DE RIQUEZA SINGULAR
UM DOCE RECANTO DE PRAZER
JUNTO AO MAR!


PASSO A PASSO... CIVILIZAÇÃO
O MODERNISMO SURGIU
ENTRE RISCOS E TRAÇOS SE REBATIZOU
CIDADE MARAVILHOSA!
"MINHA ALMA CANTA", DE TANTA EMOÇÃO
A BOSSA EMBALA, O "TOM" DA CANÇÃO
PRESERVAR!
É O CAMINHO VAMOS RESPEITAR
SER CARIOCA É SABER CUIDAR
DO PATRIMÔNIO MUNDIAL
RIO SEU PÔR-DO-SOL É UM POEMA
BRAÇOS ABERTOS ENTRA EM CENA
NESSE CARNAVAL!

MORADA DE DEUS, MEU PARAÍSO!
O SAMBA VAI ETERNIZAR
É PRAIA, É SOL A BRILHAR
SER SÃO CLEMENTE É AMAR
O RIO QUE ME FAZ SONHAR

Sinopses 2011 - Império Serrano

"A Benção, Vinícius"

Vinícius começou falando através da poesia. Conhecido hoje como compositor popular, Vinícius de Morais, na década de 30, produziu alguns poemas que chamaram a atenção da crítica. Os seus primeiros livros - "Caminho parara Distância" e "Forma e Exegese" - são afogados em longos versos retóricos. Depois surgem as "Cinco Elegias", ele é idealista, é romântico e é simbolista. Em suas poesias mistura valores de uma mitologia clássica e pagã com um mitologia individual. A mulher é o grande tema da poesia de Vinícius.

No poema "A Legião dos Urias", surge uma confraria de cavaleiros sádicos, cuja função é sair à luz da "Lua" castrando as mulheres sob as ordens de uma "Grande Princesa". A imagem da lua pode ser ambiguamente positiva ou negativa. É a figura da "Grande-Mãe". Através dos tempos a imagem da mulher angustia o imaginário masculino, pois tem ligações com comportamentos míticos intemporais. Aqui a "Lua" é a imagem da mãe fálica, cruel e castradora. É como se Afrodite deixasse de ser a ninfa sedutora, para ser Afrodite guerreira que é chamada de "Andrófoba", que assassinava todos os amantes. Não há como não associar ao mito das "Valquirias" e das "Amazonas" às imagens daqueles "Cavaleiros Urias", que cumprem as ordens de uma grande princesa lunática. A palavra "amazona" é tida como de origem Armênia, significando "mulher da lua", pois as sacerdotisas da "Deusa-Mãe", consideravam a "Lua" como seu emblema.

Os "Cavaleiros" vem à meia-noite pelas montanhas, "pelos grotões enluarados sobre cavalos lívidos", seguindo co vento gelado. São os prisioneiros da "Lua" e servem à "Grande-Princesa", lançando "uivos tétricos" numa cavalgada fantástica, e "pingam sangue das partes amaldiçoadas".

No poema de Vinícius, essas figuras nefastas e castradoras do desejo aparecem "sobre cavalos lívidos que conhecem todos os caminhos". Pairando sobre tudo está brilhando o "rubro olhar implacável da Grande-Princesa", figura lunar, feminina, castradora, olhando impassível das alturas, enquanto eles como templários, oferecem sacrifícios a sua Ísis.

"A Legião dos Urias"

Quando a meia-noite surge nas estradas vertiginosas das montanhas

Uns após outros, beirando os grotões enluarados sobre cavalos lívidos

Passam olhos brilhantes de rostos invisíveis na noite

Que fixam o vento sem estremecimento.

São os prisioneiros da Lua. Às vezes, se a tempestade

Apaga no céu a languidez imóvel da grande princesa

Dizem os camponeses ouvir os uivos tétricos e distantes...

Mas um dia a grande princesa os fez enlouquecidos, e eles foram escurecendo...

E desde então nas noites claras eles aparecem

Sobre cavalos lívidos que conhecem todos os caminhos

E vão pelas fazendas arrancando o sexo das meninas e das mães sozinhas...

Depois amontoam a presa sangrenta sob a luz pálida da deusa

E acendem fogueiras brancas de onde se erguem chamas desconhecidas e fumos

Que vão ferir as narinas tremulas dos adolescentes adormecidos

Que acordam inquietos nas cidades sentindo náuseas e convulsões mornas.

Eles erguem cantos à grande princesa crispada no alto

E voltam silenciosos para as regiões selvagens onde vagam.

Volta a Legião dos Urias pelos caminhos enluarados

Uns após os outros, somente os olhos, negros sobre cavalos lívidos...

São eles que abrem os olhos inexperientes e inquietos

Das crianças apenas lançadas no regaço do mundo

Para o sangue misterioso esquecido em panos amontoados

Onde ainda brilha o rubro olhar implacável da grande princesa.

Não há anátema para a Legião dos Urias...

Oh, se a tempestade boiasse eternamente no céu trágico

Oh, se fossem apagados os raios da louca estéril

Oh, se o sangue pingado do desespero dos Cavaleiros Urias

Afogasse toda a região amaldiçoada!

Mas a Legião dos Urias está espiando a altura imóvel

Fechai as portas, fechai as janelas, fechai-vos meninas!

Eles virão, uns após os outros, os olhos brilhando no escuro

Fixando a Lua gelada sem estremecimento

Chegarão os Urias, beirando os grotões enluarados sobre cavalos lívidos

Quando a meia-noite surgir nas estradas vertiginosas das montanhas.

Marcus Vinícius da Cruz de Mello Morais nasceu no dia 19 de outubro de 1913, ainda menino mudou-se para a Ilha do Governador. Para Vinícius foi ótimo, ilha, praia, pescadores, ambiente com o qual Vinícius conviveu e que mais tarde aparecia com freqüência em sua temática. Se na ilha conhecia o que falar, em casa ia aprendendo como falar. O pai era amigo de Olavo Bilac, fazia poemas e arranhava o violão. Dona Lígia sua mãe tirava tangos no piano.

Em 1933 Vinícius obteve o diploma de Bacharel em Direito, mas só agüentou um mês de fórum, logo sucumbindo à atração do jogo de sinuca que havia por perto. A faculdade foi importante apenas pelos amigos. A vida intelectual e as poesias ele as ocultava de sua outra turma, a da pesada (cachaça, carnaval e pancada), que freqüentava em Copacabana. De repente tornou-se um "afamado autor": ganhou com o livro "Forma e Exegese" o prêmio "Filipe de Oliveira".

Com Paulinho Soledade, Fernando Lodo, Aracy de Almeida e Antonio Maria, juntos fundaram o "Clube das Chave" - cinqüenta sócios, todos com uma chavinha e um armário para guardarem as garrafas.

Em 1961, um rapaz magrinho tocou a campainha da casa do poeta e foi logo dizendo:

- Eu sou Carlos Lyra e queria mostrar uma música para você.

Lyra encontrou em Vinícius um tipo de sensibilidade especial para detectar a combinação perfeita entre melodia e poema. Desse encontro nasceram: "Coisa mais Linda", "A Primeira Namorada", "Nada como ter Amor", "Você e Eu", "Minha Namorada", "Maria Moita" e "Marcha da Quarta-feira de Cinzas".

O ano de 1961 ainda traria outro grande parceiro. O encontro se seu durante um show de Tom na Boite Arpege. Da parceria com Tom surgiram a "Sinfonia da Alvorada" uma obra composta a pedido do presidente JK para exaltar a cidade de Brasília, o musical "Orfeu da Conceição" e a música brasileira mais cantada no mundo inteiro "Garota de Ipanema", além de muito outros grandes sucessos.

Vinícius foi apresentado numa boite ao Banden, onde ele tocava guitarra elétrica. Baden nasceu na modesta cidade de Varre-e-Sai, norte do estado do Rio. Quando se mudou para o Rio, ainda menino, sua vida se passou ao pé do morro, no subúrbio de São Cristóvão, enquanto Vinícius circulava desenvolto pela zona sul. Baden virava noites no Cabaré Brasil, na Lapa, afogado no violão para sobreviver. Um dia Vinícius marcou um encontro, no terraço do Hotel Miramar, em Copacabana, onde tocaram juntos pela primeira vez. Daí surgiu uma grande parceria. Baden levou Vinícius ao mundo do samba de raiz africana. Na companhia de Baden, o poeta promoveu uma virada em sua carreira, entrou em cena o candomblé, amparado em orixás, magias e rituais. Entrou a música de capoeira, entraram os sambas de roda, os maneirismos de fundo de quintal. O produto dessa parceria foi: "Canto de amor e Paz", "Samba em Prelúdio", "Pra que Chorar", depois veio a série de sambas afros: "Berimbau", "Canto de Ossanha", "Canto de Xangô", "Canto de Yemanjá", "Bocoche" e "Lamento de Exu". Isso fora: "Consolação", "Samba da Benção", "Tempo Feliz", "Astronauta", "Apelo", "Tem Dó", etc.

Em 1968, Vinícius acabava de gravar um disco com Giuseppe Ungaretti e o cantot italiano Sergio Endrigo, porém faltava o alinhavo de um violão que amaciasse a aspereza das palavras. Surgiu o nome de Toquinho que foi indicado por Chico Buarque. Assim surgiu mais um parceiro. Foi de certo modo o Toquinho quem adotou Vinícius, foi um pai às avessas. Estranho pai, mais desorientador que orientador. Dessa parceria nasceu: "Tardes em Itapoã", "Como Dizia o Poetra...", "Na Tonga da Mironga do Kabuletê", "A Benção Bahia", "Mais um Adeus", "A Vez do Bonde", "O Grande Apelo", etc.

A relação do poeta com seus parceiros musicais foi norteada pela grandeza. Esteve sempre bem acompanhado. Mesmo quando só - pois Vinícius foi muitas vezes seu próprio parceiro. Compôs com Tom Jobim, Banden Powell, Carlos Lyra, Pixinguinha, Adoniram Barbosa, Ary Barroso, Edu Lobo, Antonio Maria, Chico Buarque e Toquinho. A lista é longa porque reúne imensa disparidade de temperamentos, estilos, classes sociais, humores, gerações. Mas o poetra foi farto e generoso o bastante para conviver com todos eles. Teve também muitos parceiros bissextos: Raimundo Fagner, Carlinhos Vergueiro, João Bosco, Vicente Barreto. Foi cirando parcerias ao longo da vida. Buscou em cada parceiro uma espécie de espelho, uma figura que o completasse, que caminhasse com ele.

Vinícius sempre soube deixar as gerações para trás quando as sentia envelhecidas. Sabia perseguir o tempo sem perder o passo. Quanto mais veloz era a vida, mais numerosos os parceiros, mais envolventes as mulheres, melhor a poesia. Essa multiplicidade emprestava ao poeta aquela imagem de que ele não acabaria nunca. Ele flutuava sobre a vida real, como um anjo gordinho.

Alexandre Colla

Músicas de Vinícius de Morais citadas no enredo:

1 - Samba da Benção

2 - Garota de Ipanema

3 - Tardes em Itapoã

4 - Se Todos Fossem Iguais a Você

5 - Gente Humilde

6 - Na Tonga da Mironga do Kabuletê

7 - Lamento de Exu

8 - Canto de Ossanha

9 - Roda de Hiroshima

10 - Flor da Noite

11 - Samba da Rosa

12 - As Cores de Abril

13 - Rancho das Flores

14 - Aquarela

15 - O Leão

16 - A Faca

17 - A Galinha de Angola

18 - O Pato e a Corujinha

19 - Viva o Amor

20 - Poema aos Olhos da Mulher Amada

21 - Um Amor em Cada Coração

22 - Marcha da Quarta-feira de Cinzas

23 - Serenata do Adeus

24 - Arrastão